segunda-feira, 19 de junho de 2017

Trinta e dois: Há dois passos

Ilustração de Beatrix Potter
Havia duas pessoas que conversavam. Os dois se conheciam há anos, eram da mesma família. Um era membro de verdade. O outro, agregado. Ambos não se davam conta de suas posições dentro da instituição.
Um era moreno. Olhos azuis. Gabava-se do fato, já que alguns de seus irmãos não possuíam o gene que possibilitava possuir o céu no olhar. Na verdade, seus olhos eram mais como o céu que antecede uma tempestade. Eram azuis escuros, fulminantes. Zeus teria seus olhos se os gregos tivessem utilizado uma tinta mais duradoura.
O outro era calvo. O pouco de cabelo que cingia suas orelhas felpudas era branco já. Aquilo que se destacava em seu rosto, entretanto, não era a calvície e nem as orelhas de Rapunzel. O que mais chamava a atenção era o seu nariz. Alguns diriam que o seu formato era adunco. A bem da verdade, o seu nariz parecia uma letra L no meio da cara. Um L gigantesco, cheio de porosidade e batatudo. Quando ria, parecia que seu nariz era uma dançarina do ventre robusta.
Os dois conversavam. Já se conheciam há anos. O Outro havia carregado o Um no colo quando Um era bebezinho.
Nesse instante, um e outro não se respeitavam mais. Ninguém lembrava dos dias de infância de Um. Ninguém se lembrava de como Outro era ótimo em pife, mas sempre deixava que Um ganhasse para ficar contente.
Eles estavam brigando. O motivo já havia se perdido com tantas ofensas trocadas, tantos olhares raivosos e pequenas gotículas de saliva disparadas no calor da língua chicoteando. O tiro em Sarajevo era algo irrelevante quando os ânimos já estavam exaltados há muito tempo.
Um e outro haviam se desentendido por causa de futebol.
Há motivo mais brasileiro do que o futebol? Talvez, Caim fosse palmeirense e Abel, corintiano. Quem sabe Troia e Grécia fossem nomes de torcidas organizadas da Antiguidade? Tudo seria possível se Caim, Abel, Troia e Grécia tivessem nascido em solo tupiniquim.
Um e outro brigavam por causa de um título mal resolvido. Quem ganhou? O meu time ou o seu?
Atritos. As pessoas que estavam ao redor trocavam olhares. Afastavam qualquer coisinha de perto de um e outro: cadeiras, mesa, bibelôs, clipes de papel... Sabiam que quando o assunto era futebol, o melhor a se fazer era esperar a poeira abaixar.
A rusga estava se arrefecendo. As mãos paravam de girar em 180º e começavam a se balançar na direção de um e outro, prontas para um abraço ou mesmo um aperto de mão. Os olhos, tanto o castanho sem graça de outro quanto o azul faiscante de um, começavam a desviar a rota direta e fulminante. As vozes desciam três tons e já não espirrava mais as gotículas de saliva de seus lábios.
Estava quase terminando.
Um e outro aceitaram que o título de 19** havia sido de Outro. Deram-se as mãos. As lembranças antigas voltavam, o pife, a infância de um...
Fim da briga. Fim da festa.
Fim do encontro.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Trinta e um: Textos inacabados... Quer que eu termine algum?

Bonjour, ça va?
Como todas as pessoas que adoram escrever, eu tenho, em minha gaveta de cabeceira, um caderninho com diversos textos inacabados. Por falta de inspiração, por falta de tempo, por falta de vontade. Infelizmente, textos que poderiam se tornar grandes obras da literatura (hihihi) estão guardadinhos entre capas rosas com estampa de coelhinho.
Porém, decidi compartilhá-los com vocês hoje. É a sua tarefa me dizer qual, entre três, devo desenvolver no próximo capítulo.
Vamos lá?
TEXTO 1
"O vento lá fora está tão forte que chega a uivar. A tempestade chegou. Aqui, ela anuncia os dias de sol que se fazem permanentes no verão e ilumina a alegria dos habitantes da Terra.
A tempestade durará a noite inteira, já é sabido. Os pingos grossos de chuva baterão nas plantas, curvando-lhes as folhas, penetrando no solo e alimentando suas raízes, assim, permitindo-lhes ganhar forças e viver.
Os animais, assustados, escondem-se velozmente a fim de protegerem seus pelos, penas e carapaças da inundação a porvir. O senhor Afonso..."
TEXTO 2
"Os arabescos azuis consomem minha paciência. Curvas intercaladas por círculos que se unem formando uma flor. Duas. Três. Quatro. O plano acaba. O sino toca.
Há dois dias eu não durmo."
TEXTO 3
"As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca.
Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem."
E então, mes amis? Qual devo desenvolver?
Beijos açucarados.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Trinta: Um lugar que chamarei de lar

Ilustração não identificada após pesquisa no Bing


Bonjour, ça va?
Estava olhando a lista dos blogs que eu sigo, nessa semana, quando percebi a coincidência de dois deles (queridíssimos para mim) tratarem do mesmo tema: o ambiente ideal para chamarmos de lar. Esse tema me chamou a atenção de tal maneira que decidi aborda-lo aqui também. Qual ambiente eu sonho como ideal para instalar o meu lar?
Bem, comecemos então.
A minha casa seria térrea e formada em sua maior parte por vidros grandes. Adoro a sensação do sol se levantando pela manhã e banhando o chão de madeira aos poucos. Quando era pequena, gostava de brincar de acampamento dentro do nosso apartamento e, às vezes, quando a cortina estava para lavar, a janela ficava vazia e trazia a luz da manhã para a sala aonde eu estava. Era uma sensação maravilhosa.
As cortinas floridas e com xale por cima apenas emoldurariam a minha visão. A coisa mais rica que eu teria seria uma cortina na cozinha, coisa que eu nunca me lembrei de ter.
Uma sala bem grande, uma sala de jantar, um banheiro, uma cozinha grande também estariam no térreo. No andar superior, quatro quartos, porque quero ter três filhos, uma sala de estudos e uma biblioteca. A biblioteca deverá ser grande para abrigar os nossos infinitos livros.
Uma escada em espiral que conecte os dois mundos. Ficaria cheia de folhas e frutinhas perto do Natal para atrair o bom velhinho.
Ambientes decorados com o que enche de alegria o meu coração. Muitos quadros com os meus bordados e um painel para os desenhos das crianças. Vasos com flores da estação em todos os lugares, baús nos quartos para guardar as lembranças de cada um, bibelôs que nos lembre de momentos felizes. Uma estante na cozinha que guarde a minha louça e panelas. Um fogão enorme que caiba um chester também grande no Natal e qualquer outra comida que eu queira fazer. Cestas com cobertores mais finos para usar na sala nos dias de inverno.
Coisas assim.
Um jardim na frente com flores que se abram em diferentes estações. Um caminho para chegar a porta da casa.
Atrás, um ambiente mágico. Mais um jardim, dessa vez com uma horta junto com plaquinhas indicando cada planta. Uma mesa com cobertura para sempre comermos quando os dias estiverem com um clima bom, a noite e de dia. Um caminho que leve a um ambiente de lazer com balanço, pufes, mesinha de centro que seja o apoio do livro do mês, além de guloseimas para encher o tempo que se estenderia pela eternidade.
Acho que esse texto está ficando um pouco extenso. Paro por aqui.
E você, como gostaria que sua casa fosse?

domingo, 21 de maio de 2017

Vinte e nove: A natureza que atravessa o meu caminho

Uma das coisas que mais me deixam contente no meu dia a dia é encontrar a natureza que margeia o meu caminho.
Todos os dias, saio de casa e olho para a lua que se despede de mais um dia de trabalho e dá um aperto de mão no sol, pronto para iluminar o dia em recomeço. Desde esse momento, a sensação calorosa no meu coração explode, pois tenho a certeza de que a natureza se abrirá para os meus olhos ao longo do dia. E isso se faz verdade toda semana.
No caminho até a minha universidade, olho pela janela do transporte publico abarrotado da capital de São Paulo e não vejo a poluição, não vejo os problemas de mobilidade, não vejo o cinza do concreto reinante mais. Vejo os raios solares apontando no horizonte, ouço o som longínquo de algum pássaro bravo que sobrevive em uma selva diferente, vejo as nuvens se transformando em formas que apenas nossa imaginação consegue distinguir.
Então, chego ao meu destino e, ah, não há palavras na flor mais jovem do lácio que sejam capazes de descrever a incrível sensação que eu tenho com a natureza que ambienta a minha universidade!
Existem árvores de diferentes tipos que sombreiam o caminho. Dentre elas, árvores que dão flores multicoloridas, árvores gigantes que possuem raízes sobressalentes, árvores pequeninas que servem para passarmos a mão e sentirmos minúsculas folhinhas roçando nossa pele. As que gosto mais são os pinheiros que enchem o solo com tapetes espinhosos de pinhas. Trago para a minha casa essas pequenas lembranças que os pinheiros emitem, pinhas de vários tamanhos, que envernizo e enfeito a minha estante, tornando o meu quarto mais aconchegante.
As flores, fotogênicas flores, colorem os dias que parecem cinzentos com o ar da manhã. Além de modelarem perfeitamente para a minha câmera, atraem para o ambiente universitário insetos polinizadores que enchem o ar com sons maravilhosos.
Não só existem insetos pelo meu caminho, não. Há animais por lá, pássaros, mamíferos e répteis. Existem capivaras perto do lago que corta o campus. Existem lagartos que arrepiam os transeuntes desavisados que correm para almoçar antes do meio dia. Existem pássaros, mil e um pássaros, que moram nas árvores e encantam com seus cantos diversos. Os pássaros, unidos, fogem também do predador gavião que plaina acima das copas.
O chão é rico em natureza. Flores, folhas secas, folhas recém caídas das árvores, formigas, besouros, frutas maduras. Piso e me sinto bem. Piso e me sinto em contato com um ambiente tão distinto do que se esperava encontrar em São Paulo. Piso, piso, piso.
Olho para cima e o sol aquece o meu rosto. É uma sensação maravilhosa.
A natureza que atravessa o meu caminho.

sábado, 6 de maio de 2017

Vinte e oito: Mensagem de retorno ao retorno de vocês

Ilustração Two Bad Mice

Bonjour, mes amis!
Nos capítulos anteriores do La Petite Souris, eu mergulhei em um mar de contos particulares que mostrei a vocês no nosso jardim secreto. Estava em um bom momento de escrita criativa adicionada com tempo para escrever, o que me deixou empolgada e muito contente por fazer algo que eu adoro de paixão.
O retorno de vocês, meus amigos, foi um gás extra para mim! Ah, nunca imaginei que um dia um blog meu teria tanto retorno de leitores! Isso me deixa animada, motivada e realizada, portanto, peço que sempre que puderem, comentem nos capítulos, por favor.
Enfim, como vocês gostaram dos meus contos, prometo que escreverei sempre eles por aqui. O dia para sair contos será as quintas-feiras, o meio da semana que também é o meio entre sábado e terça-feira, os dias em que saem novos capítulos por aqui.
Então, não percam, ein?
Obrigada por tudo, meus leitores queridos.
Desejo um dia mágico a vocês com muito amor e paz.
Beijos açucarados.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Vinte e sete: Primeiro de Maio

Os seus pensamentos eram revolucionários.
Tinha 19. Tinha roupas de marca surradas pelo tempo. Tinha um cabelo cheio, tinha uma barba por fazer. Tinha um quarto no segundo andar do apartamento de seus pais.
O seu quarto era grande. Um guarda-roupa cheio de camisetas xadrez e calças jeans. Uma cama de casal com lençol azul royal. Na cabeceira, Marx, García Marquez, Pagu. No som, ao lado, o play reavivaria a voz de Renato Russo. Ele era tão jovem.
Uma estante cobria a parede a frente de sua cama. O peso dos livros curvava as placas brancas de madeira da estrutura. Fazia faculdade, passava mais tempo no grêmio lutando por seus ideais. A estante possuía livros que queria esquecer, mas não queria se desfazer, Hemingway, Disney, Barrie.
Tinha um videogame. Tinha dois meses de francês, inglês na cabeça, português na alma. Tinha porta-retratos com fotos de seus pais vestidos para o ano novo. Foi nesse ano que descobriu ser um menino politizado, reclamado pela revolução.
Desde então, comprara revistas, buscara por blogs, ouvira programas de rádio. Desde então, mudara de vida, virara vegetariano, vira as pessoas com quem cruzava nas ruas. Desde então, participara de reuniões, discutira com os irmãos por tentar mudar seus pensamentos. Ficara de castigo: quebrou a cabeça da boneca Barbie da sua irmã mais nova e colocou-a em um palito de churrasco com um papel colado nele: Contra a intromissão cultural alienante no Brasil!
Tinha 19. Olhava feio para quem o acusava de ser hipócrita por consumir produtos estrangeiros. Tatuara, então, em seu braço, o poema de Pignatari. Pare. Respire.
Era primeiro de maio. Saíra cedo de casa, feriado. Tomou banho, pôs uma roupa qualquer, calçou seus sapatos de sair. Combinou uma reunião com seus colegas no centro de São Paulo para discutir pontos de reforma da faculdade. Lá, um palanque, vários trabalhadores, um carro de som.
Primeiro de maio.
Olhou para os seus amigos. Decidiram participar. Ao ouvir as propostas do orador, gargalhou, aprovou! Reforma social, melhoras para as classes mais pobres, fim de muitos impostos, reforma agrária!
Muito barulho, muita aprovação. Os seus colegas colocavam broches que ganharam dos organizadores em suas camisetas bem passadas.
Ele se sentia estranho, saudoso, pensava em sua família, sua namorada.
Ele se sentia orgulhoso, fora um bom menino. Um bom menino. Os pais sabiam que aquilo era coisa de jovem, já haviam lutado por muitas coisas quando tinham a mesma idade do filho. Os irmãos, sabia que amavam ele, adoravam sua ajuda nas redações, adoravam seu espirito livre. A namorada...
Menina loirinha, alta, olhos azuis. Beleza americana, era cubana. Seus pais eram brasileiros, mudaram-se de novo para o Brasil há cinco anos e abriram um restaurante típico. Amava-a muito, ela o venerava secretamente. Feminista, comunista, alma irmã.
Ele se sentia estranho. Olhou pros amigos comemorando seus pensamentos sendo exteriorizados pelo orador do palanque. Adorava aquelas pessoas que havia conhecido há tanto tempo na escola particular. Olhou para suas mãos suadas, no pulso, um relógio. Marcava duas horas.
O som de cascos de cavalo se fez ouvir. Tiros. A polícia se aproximava, indício de baderneiros entre o grupo. Bancos na Paulista haviam sido quebrados, agora lojas na Sé. Tiros. Gritos, pisoteio, áudio de jornalistas nas calçadas circundantes. Os amigos correram, chamaram-no. Uma mulher passou em sua frente, uma arma apontada para si. Pulou em sua frente.
Vazio. Sem som nenhum além do sangue em seus ouvidos.
Caiu.
Passou a mão em seu peito, um buraco. O sangue escorria de seus ouvidos e ia para a garganta frágil sem amídala. Sufocava-o. A mulher estava ao seu lado chorando com um celular no ouvido. Repórteres começaram a cerca-lo, microfones na mão, canetas de tinta preta furiosas nos blocos de anotação.
O sangue chegou em seus lábios, colorindo-os com a cor que representou por tanto tempo o que tinha na mente e na alma. A mulher curvou-se sobre ele e pôs a mão em sua nuca. Falou algo. "Está tudo bem. Você vai ficar bem".
Ele sorriu, os dentes de baixo tortos que nunca consertou cobertos pelo liquido viscoso tipo A. Rh positivo.
Os seus olhos foram cobertos por uma película embaçada. Sentia-se leve, em paz.  Queria dormir.
Dormiu.

sábado, 29 de abril de 2017

Vinte e seis: Um vento por entre as pérolas

Uma risada desconexa, fora de hora.
A sua risada era escandalosa. Os homens com quem trabalhava diziam que era vulgar, as mulheres que era brusca. Bruta. A fuga de uma alma assustada.
Os lábios se escancaravam para revelar dentes alvos e retilíneos. Tudo começava nesse ponto, a boca se abrindo lentamente a espera do tempo em que ninguém na sala o olhava mais. As trinta e duas pérolas fechando-lhe a garganta, bloqueando o ar cadenciado que suas cordas vocais em alguns segundos soltariam.
O tempo correto. Três, dois, um... Olhares espantados, protocolo corrompido. Todos o olhavam agora.
Ele fecha os olhos. Aproveita o momento. Abre.
O seu subconsciente decreta a morte da bailarina leviana. Uma visão pela sala capta as trocas de olhares entre seus companheiros... Parece que todos estão se acostumando com a risada peculiar que ecoa pelos sofás de couro marrom. É o momento de sufocar a bailarina. Ela tenta escapar de sua morte iminente dando pulinhos, enrolando sua língua, prendendo as cordas de sua laringe. Mas, não dá certo. O homem emite um olhar de culpa. Desculpa. Oculta. A bailarina perde as forças.
Sua risada era escandalosa. Surgia em momentos inoportunos. Rompia regras seculares. Terminava conversas unilaterais. Era motivo de constrangimento. Mas, sua risada era verdadeira. Em todos os momentos, verdadeira. Em todas as situações, verdadeira. Para todos os presentes, verdadeira.
Sua risada era pura. Era uma lufada de ar de um campo inexplorado, era a expressão máxima da arte de rir. Era sincera, simplória, era quase medíocre. Era uma risada infantil. O seu humor era infantil, ria por piadas bobas, ria por caretas engraçadas, ria por estar alegre em um dia qualquer. Só não ria por causa de acidentes, nem por momentos tragicômicos. Não.
Sua risada era alta, aguda, sopranino em uma ópera alemã. Machucava os tímpanos de quem estava ao seu lado, irritava os cães da casa em que estivesse. Ele não a percebia assim. Percebia-a como uma dança sincronizada pela deixa de seus companheiros, um ritmo de jazz. Sua alma contrastava com a expressão de seu sorrir, era um blues, era um tango argentino, era um turbilhão artístico, um autorretrato de Van Gogh.
O som de conversa volta a reinar no ambiente. O efeito de sua risada passou. Ele levanta e vai até o piano. Desafoga sua sensibilidade nos espaços brancos e negros que vão ao encontro de seus dedos esguios. Desvario.
Mozart.