Bem-vindo a Marly-Gomont (sem spoilers)

Salud, ça va?
Hoje, eu contarei um pouquinho do que achei do filme francês Bem-vindo a Marly-Gomont que encontrei no Netflix por acaso, após assistir ao Walt Antes do Mickey que já critiquei em outro capítulo do La Petite Souris.
Nunca antes eu havia visto um filme francês, o que é algo estranho aos cinéfilos que leem essas páginas amareladas de meu diário pessoal. Quando li a sinopse desse filme, não tive dúvidas de que gostaria muito de assisti-lo, pois ele reunia diversas coisas de que eu gosto: história pessoal, leveza e correlação histórica com o mundo real. O fato de ele ser europeu (sem ser inglês, que estou farta positivamente de assistir) foi um ponto extremamente positivo ao filme e logo pus no play para começar.
Retirada do Bing
Bem, diferente da maioria das pessoas, as quais os blogs eu li, eu gostei do filme. Ele se baseia em uma história real do doutor Seyolo Zantoko, congolês que foi estudar medicina na França e aceita o cargo de clínico geral de uma cidadezinha do interior da França, a qual ninguém gostaria de trabalhar nela, a fim de conseguir sua nacionalidade europeia e o direito de morar no continente sempre. Ele também leva a sua família, porém, não os avisa de que não morarão em Paris, como o esperado, mas sim em um local racista e inóspito aos seus novos e diferentes habitantes.
O filme em si é sobre como o doutor Zantoko deve conquistar a confiança dos franceses em sua profissão e retirar de suas cabeças o preconceito enraizado há décadas. A sua família também tem papel importante nesse processo, pois sofre junto com a desconfiança local. E é isso o que está errado no filme: os responsáveis pelo ódio e violência psicomoral não são a família Zantoko, mas sim os franceses provinciais! Não são eles que tem que mudar a visão deles, mas os próprios franceses é quem tem de se mudar, pois estão errados em seu modo de agir!
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Retirada do site Afro Style
Eu entendo e protesto contra esse aspecto passivo do filme em relação ao racismo na Europa dos anos 1960. Contudo, por ser um filme baseado em fatos reais contados pelo próprio filho de Seyolo, eu tenho um adendo a crítica feita acima: ok, eu não concordo de forma nenhuma com a leveza quase supérflua de Bem-vindo a Marly-Gomont. Mas, não sejamos anacrônicos em nosso modo de escrever, mes amis. Se o filme foi baseado em fatos reais, então ele retrata também a visão das pessoas da época acerca do combate ao racismo. Infelizmente, as pessoas achavam que eram os negros (os que sofriam) quem deveriam mudar a forma de pensar das outras pessoas e lutar para serem dignos da confiança (eu não acredito que isso já existiu um dia, meu Deus).
Graças, isso mudou com o tempo e as pessoas se conscientizaram da bobagem que pensavam no início do combate ao preconceito étnico, indo a luta por se valorizarem e não se subjugarem igual ao que faziam antes.
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Retirada do site Zoom Cinema
Contudo, em 1960, não se pensava assim. Portanto, não sejamos tão duros com o filme. Ele é sim pacífico de uma maneira errada e o seu objetivo, divertir e amenizar o cansaço diário, não é o que se espera hoje dos filmes com mote de combate ao racismo. Mas, o seu discurso se baseia no que aconteceu de verdade com Seyolo e sua família e esse pensamento era comum a época e por isso, foi refletido na sétima arte.
Eu creio que o ruim foi a ideia de se fazer o filme agora no período em que estamos em luta pela igualdade e paz real, sem atividades veladas e falsas esperanças. Mas, gostaria que vocês, mes amis, assistissem-no e tirassem suas próprias conclusões, porque é um filme polêmico que merece ser visto sim.
Beijos açucarados.

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