Não leve a vida com passos rápidos


Eu sempre fui uma pessoa tranquila. Acho que isso vem muito da influência dos astros sob minha personalidade, pois nasci em uma madrugada regida pelo signo de Peixes. Os piscianos são naturalmente bem sossegados, levando com eles, na verdade, o estigma de serem por vezes avoados e sonhadores.
Percebo, sim, que são vários os momentos em que meus olhos estão estáticos, sintonizando com ondas de acontecimentos passados ou situações fictícias que crio aos poucos na minha mente. Outras muitas vezes, os mesmos olhos estão voltados para o céu a procurar desenhos nas nuvens e estrelas brilhantes a noite.
Talvez, eu esteja acatando a máxima do meu signo: sou avoada e sonhadora sim! E é esse traço que me permite levar a vida de uma maneira mais tranquila. Sabe o Coelho da Alice? Durante toda a estória é ele que delimita para a garota o tempo da narrativa, dizendo a ela que está atrasado, atrasado e atrasado, mesmo que não pare nunca de correr. No final, ele estava atrasado para quê? Para uma situação determinada pelas tomadas de decisão que Alice elaborou em sua jornada, ou seja, o Coelho corria em direção ao destino consciente de outra pessoa!
E era necessário que ele corresse sempre? 
É necessário que nós, seres humanos da vida real (não julgo se a estória de Alice no País das Maravilhas foi baseada em fatos reais), precisamos correr em busca de algo indeterminado? Levar a vida com passos rápidos é uma determinação da contemporaneidade. Precisamos estar a todo momento com um relógio para nos avisar se estamos atrasados: pode ser um relógio de bolso, de pulso ou aquele bem mais comum hoje em dia, o relógio emparedado em nossos celulares. A todo instante conferimos que horas são e, por isso, o dia parece ser extremamente longo, mesmo que seja tão curto...
Estamos constantemente atrasados. Acordamos sem tempo para fazer coisas simples como tomar café da manhã. Saímos de casa apressados para a faculdade, escola ou trabalho, pulando com um pé só enquanto colocamos o sapato e mastigamos um pedaço de pão. Tomamos o transporte público: na plataforma do metrô, é uma agonia se o trem demora um minuto a mais; pegamos o primeiro vagão lotado, porque estamos atrasados; enquanto esperamos o trajeto se completar, é mais tempo que parece que estamos perdendo; chegamos no local desejado, atrasados é claro, e, suando, sentamos com um suspiro de alívio. 
Mas, mesmo depois de tudo isso, ainda estamos sem tempo, correndo em busca de algo: correndo com nossos estudos e trabalhos, correndo para voltar para casa, assistimos séries em maratonas (correndo), porque não temos tempo de apreciá-las. Os livros já não são mais amigos, porque demandam um tempo gigantesco (e estamos sempre correndo, não é?).
É certo que precisamos ter responsabilidade. Porém, responsabilidade não está associada diretamente com uma vida levada a passos de lebre. Podemos ser responsáveis e, ao mesmo tempo, aproveitar os pequenos momentos do nosso dia-a-dia que são aqueles que nos trazem a verdadeira felicidade.
Pare por alguns segundos e:
  • Aprecie um pôr-do-sol
  • Veja as formigas trabalhando no chão
  • Olhe-se no espelho e admire sua beleza exterior
  • Pratique boas (e pequenas) ações para com o próximo, que podem ser:
    • Elogiar
    • Sorrir
    • Comprar alguma coisa que o outro gosta
    • Sair para algum lugar diferente
    • Abraçar
    • Brincar
  • Ouça uma música que faça você dançar (nem que seja por alguns segundinhos)
  • Leia notícias felizes na Internet (cuidado com Fake News)
  • Faça um chá
  • Assista a um episódio de um sitcom
  • Respire (não a respiração mecânica, mas sim aquela consciente)
Adicione outros elementos a essa lista! Retirar alguns poucos instantes de tempo para relaxar, divertir-se, sonhar é tão importante para a sua saúde quanto quaisquer outras coisas. São esses minutos de felicidade instantânea que agitaram suas células com vibrações positivas e te farão ter gosto pela vida. Uma rotina mais tranquila, mais demorada e com momentos de alegria condensados em minutos é o que te fará se sentir melhor. Acredite em mim, não é papo de pisciana.
Au revoir.

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