Resenha: O Pequeno Lorde - Frances Hodgson Burnett

by - janeiro 08, 2019


O Pequeno Lorde - 2ª Ed. 2014

Um dos grandes clássicos da literatura infanto-juvenil de todos os tempos, já adaptado para o cinema e a televisão e publicado em inúmeros países, “O Pequeno Lorde”, de Frances Hodgson Burnett (1849-1924) é apresentado aqui na inspirada tradução de Tatiana Belinky, uma das personalidades literárias mais queridas de nosso país. A história do encantador Cedric Errol, um menino de sete anos que vivia uma vida simples em Nova York quando descobre que é herdeiro de um riquíssimo conde inglês, é acompanhada aqui pelas duas séries de ilustrações originais de Reginald Birch, realizadas para as primeiras edições da obra, lançadas em 1886 e 1911.

Infanto-juvenil// 189 páginas// Editora 34/ Classificação: 5/5

Essa é a segunda resenha que faço de um livro de Frances Hodgson Burnett (a primeira foi de O Jardim Secreto que você pode ler clicando aqui), o que me deixa muito contente. Afinal, eu me apaixonei aos pouquinhos pelo estilo de escrita leve e romântico dessa escritora, trazendo em suas histórias não apenas anedotas, mas também lições valiosas para  a vida toda.  Completando a trilogia de ouro dela, há o livro A Princesinha, que eu também li (antes mesmo de ler O Pequeno Lorde) e que, prometo, farei a resenha logo logo. 


O Pequeno Lorde conta a estória de Cedric Errol, um garotinho norte-americano de sete anos, filho de uma linda jovem americana e um capitão inglês. Quando ainda era muito pequenino, seu pai morreu, o que fez com que ele fosse criado por sua mãe (a que chama de "Preciosa", apelido carinhoso que o seu pai se referia a ela) e pela empregada e amiga da casa. As duas deram a ele todo o amor do mundo, ensinando-o a sempre ser gentil com as pessoas, ensinando-o a ter educação em seus gestos e palavras e ter amor por tudo e todos.

Assim, Cedric tornou-se um garoto perfeito: sempre alegre, falante, gentil e amante de literaturas complexas. Ele também tem mais três pessoas em seu jovem círculo de amizades - a senhora das maçãs, o dono da mercearia da esquina e o engraxate de sua rua. Todos eles achavam o menino uma graça, mas também respeitavam suas opiniões, conversando com ele, muitas vezes, de igual para igual.

A história poderia ser sobre o dia-a-dia de Errol em Nova Iorque, salpicado por travessuras e outras situações, se não fosse por um detalhe que mudou seu destino para sempre: ele é o único herdeiro de uma fortuna e de um condado na Inglaterra! Seu avô, o Conde de Dorincourt, pai de seu pai, perdeu todos os filhos (o pai de Cedric era seu caçula) e precisa de alguém para herdar todo o seu legado.

O velho conde é um razinza, amargurado, orgulhoso e hostil a quem ninguém simpatiza. Até mesmo a jovem e bondosa mãe de Cedric (que torna-se o Lorde de Fauntleroy após essa revelação) será vítima de suas maldades. Será que o Pequeno Lorde conseguirá transformar o Conde com seu amor e doçura?


Por ser minha terceira leitura da coletânea de Hodgson, eu já estava acostumada com o estilo de escrita da autora. Como eu disse mais acima, ela possui uma escrita doce e romântica. Dentro desse gênero, ela sempre traz um ideal de caráter que transformará os outros personagens da trama: em O Pequeno Lorde, esse ideal é o próprio Cedric. Em O Jardim Secreto, por exemplo, vemos a protagonista sendo transformada pelo meio até atingir esse ideal e em A Princesinha, ele está encarnado na própria personagem principal, assim como no primeiro. 

O ideal de Hodgson é perfeito. Doçura, bondade, gentileza, alegria, otimismo, imaginação. Realmente, enquanto estamos lendo um livro dela, passamos a nos questionar sobre o porquê estamos tristes, bravos ou pessimistas em nossa rotina e pensamos nas possibilidades de pensar positivo e ser amável a todos os momentos. O Pequeno Lorde traz esse sopro de esperança típico da escritora inglesa. Mas, também nos fornece mais do que isso!

O Pequeno Lorde nos dá um Raio-X da sociedade norte-americana do período vitoriano. Nas conversas singelas entre Cedric e o dono da Mercearia, um republicano convicto, podemos entender como parte dos estadunidenses viam os ingleses, antigos colonizadores, e suas relações políticas. Sempre aparece algum ponto de crítica à distribuição social inglesa, ao questionarem, por exemplo, o papel de um conde e se ele é estritamente bom ou estritamente mau. 

Também enxergamos a construção dos EUA como país, quando, um dos personagens se muda para o Oeste em busca de novas chances de vida. Na Inglaterra, é mostrado a estrutura de um condado e suas divisões - tão complexas quanto as divisões de empregados na casa principal.

Ou seja, O Pequeno Lorde é um raio de sol que ilumina em dois sentidos: traz luz  ao passado histórico de duas sociedades interligadas por anos de colonização e suas estruturas político-sociais; e, também, ilumina e aquece nossos corações com seus ideias de pureza e amor, estimulando-nos a ser pessoas melhores.

Confesso que me envolvi bastante com os personagens, tendo horas em que desejava fazer parte da história (em qualquer um dos países!), apenas para ser amiga de Cedric ou da mãe dele. A reviravolta do livro é bem interessante para dar uma mudança de ares, contudo, o final é previsível e acredito que  seja porque O Pequeno Lorde é um livro infanto-juvenil. Mas, isso não tira o brilho de todo o resto e, principalmente, da mensagem final.

Você já leu O Pequeno Lorde? Se sim, o que achou? Deixe nos comentários sua opinião, pois adoro conhecer as múltiplas visões sobre um mesmo objeto!
Beijos açucarados.

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6 comentários

  1. Olá Bruna, como você está?
    Que resenha mais adorável a sua, com certeza me convenceu a ler mais uma obra dessa autora, dela, só li O Jardim Secreto que é uma das minhas histórias favoritas, eu adoro a escrita dela, me faz sentir como se estivesse lendo um conto de fadas *u*
    As fotos ficaram uma gracinha!

    Abraços,
    antique faerie

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    1. Olá, miss Bia! Estou muito bem, principalmente agora em que posso conversar contigo, raio de luz. Obrigada pelo elogio as minhas fotos, eu acredito que essa colcha que ganhei dá um toque muito mais belo a elas, não?
      Eu também me sinto em um conto de fadas quando eu leio qualquer um dos livros da trilogia de ouro de Hodgson, me dá vontade de mergulhar nas tintas das palavras e ir para outro mundo. Beijos açucarados.

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  2. Quero muito ler O Jardim Secreto.. nem lembrava que era francês. Agora já quero ler esse também!

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Olá, miss Monique! É uma alegria te ver borboletando por meu jardim secreto <3 Espero te encontrar aqui sempre, agora a chave já é sua, está bem?
      Fico contente por meu post/capítulo tenha despertado em você a vontade de ler O Pequeno Lorde. Esse era o meu objetivo enquanto o escrevia, fazer com que mais pessoas conhecessem a obra e se apaixonassem por ela tanto quanto eu me apaixonei. Ainda bem que a conquistei!
      Beijos açucarados e até a próxima :)

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  3. Respostas
    1. Obrigada, querida! Um ótimo fim de semana para ti também, raio de luz.

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