Resenha: Em busca de Watership Down, Richard Adams

by - setembro 26, 2019


Um dos maiores clássicos de fantasia nos países de língua inglesa, “Em busca de Watership Down” é uma fábula sombria sobre coragem e sobrevivência Quando um coelho vidente prevê a destruição da toca onde vive, ele se une a seus amigos para achar uma nova casa. No caminho rumo à mítica colina de Watership Down, enfrentam rivais e armadilhas. Mas, mesmo depois de chegarem e, teoricamente, encontrarem um lugar seguro para viver, precisarão lutar para salvar a colônia vizinha e repopular a própria comunidade. Em busca de Watership Down fala de dominação e opressão, de fascismo e utopia, de mitologia e delírio coletivo, de sentimento de comunidade e de loucura. No Reino Unido, ocupa o segundo lugar entre os juvenis de fantasia mais vendidos do século XX, atrás apenas da saga Harry Potter. Em 2017, a Netflix anunciou o lançamento de uma série de animação baseada no livro.

Aventura // 464 páginas // Editora Planeta // Classificação: 5/5

A primeira coisa que preciso pedir a vocês é mil desculpas. A resenha de Em busca de Watership Down está saindo com um atraso gigantesco por culpa minha mesmo, pois achei que já a tinha feito logo depois que li. Porém, atualizando a aba de resenhas na lateral do blog, percebi que ainda não escrevera nada sobre a obra prima de Richard Adams. Farei isso agora mesmo.

Em busca de Watership Down é uma fábula moderna e contestatória escrita por Adams em 1972, mas que possui paralelos exatos com o mundo em que estamos vivendo hoje em dia. Não só no contexto político, mas também em questões sociais que tangem a preocupação ambiental, a empatia e a liberdade, o livro se faz atualíssimo e, acredito, uma leitura obrigatória para todos os jovens.

Nessa aventura, que posso dizer que possui toques fundamentais para a narrativa de romance distópico, acompanhamos a fuga de um grupo de coelhos e todos os perigos que essa ação carrega consigo. A causa principal para a fuga das personagens é a visão que um dos coelhos (que tem várias visões apocalípticas ao longo do livro) tem sobre a destruição do viveiro em que eles moravam. O irmão desse coelho acredita nisso e sai pelo viveiro reunindo todos aqueles que também acreditavam (ou que só queriam fugir daquele sistema, extremamente totalitário e hierárquico). 

Depois de passarem pela barreira que o exército local formou para os impedir, o grupo de coelhos caminha em busca de Watership Down, o paraíso que o coelho vidente, chamado Quinto, visualizou anteriormente. Mas, para chegarem até lá, eles terão que enfrentar várias aventuras. E, quando chegarem lá, o que acontece na metade final do livro, eles terão que enfrentar algo bem pior - uma guerra com coelhos tão diferentes, que até parecem humanos.



A leitura de Em busca de Watership Down, foi maravilhosa para mim desde o começo. Já na nota introdutória de Adams, eu me simpatizei com as personagens e com a proposta apresentada, e tive certeza logo de que não me decepcionaria. 

Uma das coisas que eu mais gosto em livros é quando o autor coloca quotes de outros livros na introdução dos capítulos. E, para a minha imensa alegria, Adams faz isso em Watership Down. A parte mais prazerosa da leitura para mim foi voltar, no fim de cada capítulo, e ler essa nota para ver se encaixava. E sempre, sempre, elas eram super conectadas com o que havia acontecido nele.

As personagens também são maravilhosas. Assusta um pouco, no início, ter vários coelhos como co-protagonistas, porém depois que você decora o nome e personalidade deles, não tem problema nenhum. Outro ponto que pode assustar são os neologismos que Adams propõe ao vocabulário específico dos coelhos... Mas, não deixem de ler o livro por causa disso! No final, a editora Planeta colocou um vocabulário com todas as palavras, o que facilita muito a leitura no começo.



E, posso dizer, que esse mundo paralelo que Adams construiu é a melhor parte da história. Não só os neologismos, mas também a mitologia que ele nos apresenta, com coelhos mitológicos e adorações tão diferentes da nossa, dão um tom (acreditem) ainda mais realista à Watership Down. Eu gostei tanto do background do livro que eu adoraria se um dia uma editora fizesse um pequeno livro só com a mitologia apresentada. Fica a dica!

Como eu disse lá em cima, a importância sócio-política que esse livro tem merece atenção especial. Eu não acredito que Watership Down seja para o público infantil, não por ele possuir conteúdo impróprio (longe disso, ele não apresenta nenhum), mas porque as relações e paralelos que Adams faz durante a obra são tão certeiras e importantes, e acabariam passando batido pelo público mais jovem. Se você é adulto ou adolescente, super recomendo a leitura desse livro. Ele levanta questões como autoritarismo, totalitarismo, guerras, privação de liberdade, utopias distópicas, idealismo, medo, tudo isso de uma forma lúdica e assertiva ao mesmo tempo.

Com certeza, Watership Down se faz extremamente necessário no contexto em que estamos vivendo hoje, 2019. Se você é fã de distopias clássicas como 1984 e Admirável Mundo Novo, ou prefere as mais modernas como Jogos Vorazes e Divergente, dê uma chance para esse livro. Você vai amar assim como eu amei.



Agora eu quero falar um pouco sobre a série da Netflix. Preciso dizer que, apesar de contar com um elenco de dubladores de peso, a animação não me agradou. Na verdade, eu fiquei tão frustrada com as mudanças propostas, que eu parei de assistir à série no meio mesmo. Eu sei que é impossível, e errado, fazer transposições de conteúdo de uma mídia para outra sem alterar nada para adaptá-la melhor. Porém, as alterações propostas pela série foram, muitas delas, completamente desnecessárias e só fizeram com que a história perdesse sua força original. A redução de personagens e a mudança de pontos-chave para a narrativa, me doeram o coração...

Mas, enfim... Leiam o livro, o livro é uma obra prima que desejo que se torne referência para sempre! E você, já conhecia Em busca de Watership Down? Já leu o livro? O que achou? Deixe nos comentários sua opinião, por favor.

Beijos açucarados.

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