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La Petite Souris

Ilustração de Beatrix Potter
Havia duas pessoas que conversavam. Os dois se conheciam há anos, eram da mesma família. Um era membro de verdade. O outro, agregado. Ambos não se davam conta de suas posições dentro da instituição.
Um era moreno. Olhos azuis. Gabava-se do fato, já que alguns de seus irmãos não possuíam o gene que possibilitava possuir o céu no olhar. Na verdade, seus olhos eram mais como o céu que antecede uma tempestade. Eram azuis escuros, fulminantes. Zeus teria seus olhos se os gregos tivessem utilizado uma tinta mais duradoura.
O outro era calvo. O pouco de cabelo que cingia suas orelhas felpudas era branco já. Aquilo que se destacava em seu rosto, entretanto, não era a calvície e nem as orelhas de Rapunzel. O que mais chamava a atenção era o seu nariz. Alguns diriam que o seu formato era adunco. A bem da verdade, o seu nariz parecia uma letra L no meio da cara. Um L gigantesco, cheio de porosidade e batatudo. Quando ria, parecia que seu nariz era uma dançarina do ventre robusta.
Os dois conversavam. Já se conheciam há anos. O Outro havia carregado o Um no colo quando Um era bebezinho.
Nesse instante, um e outro não se respeitavam mais. Ninguém lembrava dos dias de infância de Um. Ninguém se lembrava de como Outro era ótimo em pife, mas sempre deixava que Um ganhasse para ficar contente.
Eles estavam brigando. O motivo já havia se perdido com tantas ofensas trocadas, tantos olhares raivosos e pequenas gotículas de saliva disparadas no calor da língua chicoteando. O tiro em Sarajevo era algo irrelevante quando os ânimos já estavam exaltados há muito tempo.
Um e outro haviam se desentendido por causa de futebol.
Há motivo mais brasileiro do que o futebol? Talvez, Caim fosse palmeirense e Abel, corintiano. Quem sabe Troia e Grécia fossem nomes de torcidas organizadas da Antiguidade? Tudo seria possível se Caim, Abel, Troia e Grécia tivessem nascido em solo tupiniquim.
Um e outro brigavam por causa de um título mal resolvido. Quem ganhou? O meu time ou o seu?
Atritos. As pessoas que estavam ao redor trocavam olhares. Afastavam qualquer coisinha de perto de um e outro: cadeiras, mesa, bibelôs, clipes de papel... Sabiam que quando o assunto era futebol, o melhor a se fazer era esperar a poeira abaixar.
A rusga estava se arrefecendo. As mãos paravam de girar em 180º e começavam a se balançar na direção de um e outro, prontas para um abraço ou mesmo um aperto de mão. Os olhos, tanto o castanho sem graça de outro quanto o azul faiscante de um, começavam a desviar a rota direta e fulminante. As vozes desciam três tons e já não espirrava mais as gotículas de saliva de seus lábios.
Estava quase terminando.
Um e outro aceitaram que o título de 19** havia sido de Outro. Deram-se as mãos. As lembranças antigas voltavam, o pife, a infância de um...
Fim da briga. Fim da festa.
Fim do encontro.
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Bonjour, ça va?
Como todas as pessoas que adoram escrever, eu tenho, em minha gaveta de cabeceira, um caderninho com diversos textos inacabados. Por falta de inspiração, por falta de tempo, por falta de vontade. Infelizmente, textos que poderiam se tornar grandes obras da literatura (hihihi) estão guardadinhos entre capas rosas com estampa de coelhinho.
Porém, decidi compartilhá-los com vocês hoje. É a sua tarefa me dizer qual, entre três, devo desenvolver no próximo capítulo.
Vamos lá?
TEXTO 1
"O vento lá fora está tão forte que chega a uivar. A tempestade chegou. Aqui, ela anuncia os dias de sol que se fazem permanentes no verão e ilumina a alegria dos habitantes da Terra.
A tempestade durará a noite inteira, já é sabido. Os pingos grossos de chuva baterão nas plantas, curvando-lhes as folhas, penetrando no solo e alimentando suas raízes, assim, permitindo-lhes ganhar forças e viver.
Os animais, assustados, escondem-se velozmente a fim de protegerem seus pelos, penas e carapaças da inundação a porvir. O senhor Afonso..."
TEXTO 2
"Os arabescos azuis consomem minha paciência. Curvas intercaladas por círculos que se unem formando uma flor. Duas. Três. Quatro. O plano acaba. O sino toca.
Há dois dias eu não durmo."
TEXTO 3
"As estrelas eram como pontos de luz na feira anual de maio. Eram belíssimas. Ana surgiu vestida de vermelho com sapatos verdes  envernizados. Era belíssima. Tudo era, aliás, naquela noite de novembro quente de verão.
Ela parecia uma ajudante do Natal. Seu perfume tinha cheiro de canela e me lembrava os cinnamonrolls que vovó fazia em dezembro. Eu adorava. As duas coisas.
Ela sorria mostrando suas pérolas brilhantes. Eu, um garoto do interior, nunca me equipararia ao seu esplendor. Nunca.
Ela era de leão. Eu era de peixes. Ela tinha 18. Eu não tinha coragem."
E então, mes amis? Qual devo desenvolver?
Beijos açucarados.
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Ilustração não identificada após pesquisa no Bing


Bonjour, ça va?
Estava olhando a lista dos blogs que eu sigo, nessa semana, quando percebi a coincidência de dois deles (queridíssimos para mim) tratarem do mesmo tema: o ambiente ideal para chamarmos de lar. Esse tema me chamou a atenção de tal maneira que decidi aborda-lo aqui também. Qual ambiente eu sonho como ideal para instalar o meu lar?
Bem, comecemos então.
A minha casa seria térrea e formada em sua maior parte por vidros grandes. Adoro a sensação do sol se levantando pela manhã e banhando o chão de madeira aos poucos. Quando era pequena, gostava de brincar de acampamento dentro do nosso apartamento e, às vezes, quando a cortina estava para lavar, a janela ficava vazia e trazia a luz da manhã para a sala aonde eu estava. Era uma sensação maravilhosa.
As cortinas floridas e com xale por cima apenas emoldurariam a minha visão. A coisa mais rica que eu teria seria uma cortina na cozinha, coisa que eu nunca me lembrei de ter.
Uma sala bem grande, uma sala de jantar, um banheiro, uma cozinha grande também estariam no térreo. No andar superior, quatro quartos, porque quero ter três filhos, uma sala de estudos e uma biblioteca. A biblioteca deverá ser grande para abrigar os nossos infinitos livros.
Uma escada em espiral que conecte os dois mundos. Ficaria cheia de folhas e frutinhas perto do Natal para atrair o bom velhinho.
Ambientes decorados com o que enche de alegria o meu coração. Muitos quadros com os meus bordados e um painel para os desenhos das crianças. Vasos com flores da estação em todos os lugares, baús nos quartos para guardar as lembranças de cada um, bibelôs que nos lembre de momentos felizes. Uma estante na cozinha que guarde a minha louça e panelas. Um fogão enorme que caiba um chester também grande no Natal e qualquer outra comida que eu queira fazer. Cestas com cobertores mais finos para usar na sala nos dias de inverno.
Coisas assim.
Um jardim na frente com flores que se abram em diferentes estações. Um caminho para chegar a porta da casa.
Atrás, um ambiente mágico. Mais um jardim, dessa vez com uma horta junto com plaquinhas indicando cada planta. Uma mesa com cobertura para sempre comermos quando os dias estiverem com um clima bom, a noite e de dia. Um caminho que leve a um ambiente de lazer com balanço, pufes, mesinha de centro que seja o apoio do livro do mês, além de guloseimas para encher o tempo que se estenderia pela eternidade.
Acho que esse texto está ficando um pouco extenso. Paro por aqui.
E você, como gostaria que sua casa fosse?
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Uma das coisas que mais me deixam contente no meu dia a dia é encontrar a natureza que margeia o meu caminho.
Todos os dias, saio de casa e olho para a lua que se despede de mais um dia de trabalho e dá um aperto de mão no sol, pronto para iluminar o dia em recomeço. Desde esse momento, a sensação calorosa no meu coração explode, pois tenho a certeza de que a natureza se abrirá para os meus olhos ao longo do dia. E isso se faz verdade toda semana.
No caminho até a minha universidade, olho pela janela do transporte publico abarrotado da capital de São Paulo e não vejo a poluição, não vejo os problemas de mobilidade, não vejo o cinza do concreto reinante mais. Vejo os raios solares apontando no horizonte, ouço o som longínquo de algum pássaro bravo que sobrevive em uma selva diferente, vejo as nuvens se transformando em formas que apenas nossa imaginação consegue distinguir.
Então, chego ao meu destino e, ah, não há palavras na flor mais jovem do lácio que sejam capazes de descrever a incrível sensação que eu tenho com a natureza que ambienta a minha universidade!
Existem árvores de diferentes tipos que sombreiam o caminho. Dentre elas, árvores que dão flores multicoloridas, árvores gigantes que possuem raízes sobressalentes, árvores pequeninas que servem para passarmos a mão e sentirmos minúsculas folhinhas roçando nossa pele. As que gosto mais são os pinheiros que enchem o solo com tapetes espinhosos de pinhas. Trago para a minha casa essas pequenas lembranças que os pinheiros emitem, pinhas de vários tamanhos, que envernizo e enfeito a minha estante, tornando o meu quarto mais aconchegante.
As flores, fotogênicas flores, colorem os dias que parecem cinzentos com o ar da manhã. Além de modelarem perfeitamente para a minha câmera, atraem para o ambiente universitário insetos polinizadores que enchem o ar com sons maravilhosos.
Não só existem insetos pelo meu caminho, não. Há animais por lá, pássaros, mamíferos e répteis. Existem capivaras perto do lago que corta o campus. Existem lagartos que arrepiam os transeuntes desavisados que correm para almoçar antes do meio dia. Existem pássaros, mil e um pássaros, que moram nas árvores e encantam com seus cantos diversos. Os pássaros, unidos, fogem também do predador gavião que plaina acima das copas.
O chão é rico em natureza. Flores, folhas secas, folhas recém caídas das árvores, formigas, besouros, frutas maduras. Piso e me sinto bem. Piso e me sinto em contato com um ambiente tão distinto do que se esperava encontrar em São Paulo. Piso, piso, piso.
Olho para cima e o sol aquece o meu rosto. É uma sensação maravilhosa.
A natureza que atravessa o meu caminho.
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Ilustração Two Bad Mice

Bonjour, mes amis!
Nos capítulos anteriores do La Petite Souris, eu mergulhei em um mar de contos particulares que mostrei a vocês no nosso jardim secreto. Estava em um bom momento de escrita criativa adicionada com tempo para escrever, o que me deixou empolgada e muito contente por fazer algo que eu adoro de paixão.
O retorno de vocês, meus amigos, foi um gás extra para mim! Ah, nunca imaginei que um dia um blog meu teria tanto retorno de leitores! Isso me deixa animada, motivada e realizada, portanto, peço que sempre que puderem, comentem nos capítulos, por favor.
Enfim, como vocês gostaram dos meus contos, prometo que escreverei sempre eles por aqui. O dia para sair contos será as quintas-feiras, o meio da semana que também é o meio entre sábado e terça-feira, os dias em que saem novos capítulos por aqui.
Então, não percam, ein?
Obrigada por tudo, meus leitores queridos.
Desejo um dia mágico a vocês com muito amor e paz.
Beijos açucarados.
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Os seus pensamentos eram revolucionários.
Tinha 19. Tinha roupas de marca surradas pelo tempo. Tinha um cabelo cheio, tinha uma barba por fazer. Tinha um quarto no segundo andar do apartamento de seus pais.
O seu quarto era grande. Um guarda-roupa cheio de camisetas xadrez e calças jeans. Uma cama de casal com lençol azul royal. Na cabeceira, Marx, García Marquez, Pagu. No som, ao lado, o play reavivaria a voz de Renato Russo. Ele era tão jovem.
Uma estante cobria a parede a frente de sua cama. O peso dos livros curvava as placas brancas de madeira da estrutura. Fazia faculdade, passava mais tempo no grêmio lutando por seus ideais. A estante possuía livros que queria esquecer, mas não queria se desfazer, Hemingway, Disney, Barrie.
Tinha um videogame. Tinha dois meses de francês, inglês na cabeça, português na alma. Tinha porta-retratos com fotos de seus pais vestidos para o ano novo. Foi nesse ano que descobriu ser um menino politizado, reclamado pela revolução.
Desde então, comprara revistas, buscara por blogs, ouvira programas de rádio. Desde então, mudara de vida, virara vegetariano, vira as pessoas com quem cruzava nas ruas. Desde então, participara de reuniões, discutira com os irmãos por tentar mudar seus pensamentos. Ficara de castigo: quebrou a cabeça da boneca Barbie da sua irmã mais nova e colocou-a em um palito de churrasco com um papel colado nele: Contra a intromissão cultural alienante no Brasil!
Tinha 19. Olhava feio para quem o acusava de ser hipócrita por consumir produtos estrangeiros. Tatuara, então, em seu braço, o poema de Pignatari. Pare. Respire.
Era primeiro de maio. Saíra cedo de casa, feriado. Tomou banho, pôs uma roupa qualquer, calçou seus sapatos de sair. Combinou uma reunião com seus colegas no centro de São Paulo para discutir pontos de reforma da faculdade. Lá, um palanque, vários trabalhadores, um carro de som.
Primeiro de maio.
Olhou para os seus amigos. Decidiram participar. Ao ouvir as propostas do orador, gargalhou, aprovou! Reforma social, melhoras para as classes mais pobres, fim de muitos impostos, reforma agrária!
Muito barulho, muita aprovação. Os seus colegas colocavam broches que ganharam dos organizadores em suas camisetas bem passadas.
Ele se sentia estranho, saudoso, pensava em sua família, sua namorada.
Ele se sentia orgulhoso, fora um bom menino. Um bom menino. Os pais sabiam que aquilo era coisa de jovem, já haviam lutado por muitas coisas quando tinham a mesma idade do filho. Os irmãos, sabia que amavam ele, adoravam sua ajuda nas redações, adoravam seu espirito livre. A namorada...
Menina loirinha, alta, olhos azuis. Beleza americana, era cubana. Seus pais eram brasileiros, mudaram-se de novo para o Brasil há cinco anos e abriram um restaurante típico. Amava-a muito, ela o venerava secretamente. Feminista, comunista, alma irmã.
Ele se sentia estranho. Olhou pros amigos comemorando seus pensamentos sendo exteriorizados pelo orador do palanque. Adorava aquelas pessoas que havia conhecido há tanto tempo na escola particular. Olhou para suas mãos suadas, no pulso, um relógio. Marcava duas horas.
O som de cascos de cavalo se fez ouvir. Tiros. A polícia se aproximava, indício de baderneiros entre o grupo. Bancos na Paulista haviam sido quebrados, agora lojas na Sé. Tiros. Gritos, pisoteio, áudio de jornalistas nas calçadas circundantes. Os amigos correram, chamaram-no. Uma mulher passou em sua frente, uma arma apontada para si. Pulou em sua frente.
Vazio. Sem som nenhum além do sangue em seus ouvidos.
Caiu.
Passou a mão em seu peito, um buraco. O sangue escorria de seus ouvidos e ia para a garganta frágil sem amídala. Sufocava-o. A mulher estava ao seu lado chorando com um celular no ouvido. Repórteres começaram a cerca-lo, microfones na mão, canetas de tinta preta furiosas nos blocos de anotação.
O sangue chegou em seus lábios, colorindo-os com a cor que representou por tanto tempo o que tinha na mente e na alma. A mulher curvou-se sobre ele e pôs a mão em sua nuca. Falou algo. "Está tudo bem. Você vai ficar bem".
Ele sorriu, os dentes de baixo tortos que nunca consertou cobertos pelo liquido viscoso tipo A. Rh positivo.
Os seus olhos foram cobertos por uma película embaçada. Sentia-se leve, em paz.  Queria dormir.
Dormiu.
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Uma risada desconexa, fora de hora.
A sua risada era escandalosa. Os homens com quem trabalhava diziam que era vulgar, as mulheres que era brusca. Bruta. A fuga de uma alma assustada.
Os lábios se escancaravam para revelar dentes alvos e retilíneos. Tudo começava nesse ponto, a boca se abrindo lentamente a espera do tempo em que ninguém na sala o olhava mais. As trinta e duas pérolas fechando-lhe a garganta, bloqueando o ar cadenciado que suas cordas vocais em alguns segundos soltariam.
O tempo correto. Três, dois, um... Olhares espantados, protocolo corrompido. Todos o olhavam agora.
Ele fecha os olhos. Aproveita o momento. Abre.
O seu subconsciente decreta a morte da bailarina leviana. Uma visão pela sala capta as trocas de olhares entre seus companheiros... Parece que todos estão se acostumando com a risada peculiar que ecoa pelos sofás de couro marrom. É o momento de sufocar a bailarina. Ela tenta escapar de sua morte iminente dando pulinhos, enrolando sua língua, prendendo as cordas de sua laringe. Mas, não dá certo. O homem emite um olhar de culpa. Desculpa. Oculta. A bailarina perde as forças.
Sua risada era escandalosa. Surgia em momentos inoportunos. Rompia regras seculares. Terminava conversas unilaterais. Era motivo de constrangimento. Mas, sua risada era verdadeira. Em todos os momentos, verdadeira. Em todas as situações, verdadeira. Para todos os presentes, verdadeira.
Sua risada era pura. Era uma lufada de ar de um campo inexplorado, era a expressão máxima da arte de rir. Era sincera, simplória, era quase medíocre. Era uma risada infantil. O seu humor era infantil, ria por piadas bobas, ria por caretas engraçadas, ria por estar alegre em um dia qualquer. Só não ria por causa de acidentes, nem por momentos tragicômicos. Não.
Sua risada era alta, aguda, sopranino em uma ópera alemã. Machucava os tímpanos de quem estava ao seu lado, irritava os cães da casa em que estivesse. Ele não a percebia assim. Percebia-a como uma dança sincronizada pela deixa de seus companheiros, um ritmo de jazz. Sua alma contrastava com a expressão de seu sorrir, era um blues, era um tango argentino, era um turbilhão artístico, um autorretrato de Van Gogh.
O som de conversa volta a reinar no ambiente. O efeito de sua risada passou. Ele levanta e vai até o piano. Desafoga sua sensibilidade nos espaços brancos e negros que vão ao encontro de seus dedos esguios. Desvario.
Mozart.
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Sobre as folhas secas, Dora caminha. Alinhada em sua reta imaginária, feliz por conquistar o seu primeiro amor.
A dor em seu peito não é mais de agonia, é de alegria. Explosiva alegria que não encontra espaço para se expandir em seu pequeno coração.
Dora, a menina morena de laço de fita, ouve os sons da floresta pela qual passa em seu dia de folga. Para. Ouve um pássaro cantar ao longe em busca de comida, frustrado pela inspeção minuciosa que os seus colegas de trabalho fizeram antes dele.
Dora sorri. Passarinho bobo! Quem precisa disputar por comida quando está cercado por ela? Talvez, o mundo, Dora. Talvez, as pessoas que são definhadas em algum país anônimo pelo sistema oculto que rege a economia. Paranoia.
Dora volta a caminhar. Seu corpo está ficando mais leve a cada passo que dá  na floresta de outono. Respira o ar e percebe o cheiro de folhas, o cheiro de madeira, o cheiro de amor. O seu, perfume almíscar, nota de livros velhos ao fundo, Schopenhauer, Goethe. A nota de saída é um leve tom de óculos tortos, sorriso enviesado. Mas, o que carrega o tom do perfume é a sensibilidade exacerbada, violinos no fone de ouvido, passeios no Tomie Ohtake.
Cheiro bom para Dora e para os pais dela.
A menina olha para os seus pés pela primeira vez no dia. Dora não costuma encará-los sempre, pois os seus olhos castanhos estão sempre refletindo o azul do céu, buscando formas racionais nas nuvens, procurando um pôr do sol rosado ao longe, nas montanhas que dão para a praia. Percebe que a reta traçada pela sua mente está se desviando em curvas. Seus pés lhe parecem molhados agora... Dora encontra um riacho.
Cascalhos. Peixes. Água transparente que espelha uma menina baixa, morena, cabelos curtos e sorriso estático. Uma pintura rococó. Porém, Dora quer ser traçada por Dalí. Surrealismo para fugir da realidade. Cidade?
Dora bebe a água e volta pela trilha anterior... Sai da floresta. Realidade, cidade.
Entra em casa.
"Como foi o seu dia?"
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Uma médica, uma psicóloga, dois engenheiros, um ator, uma historiadora e vários, vários programadores. Com eles, uma jornalista. Encontram-se na estação de metrô para comemorar o aniversário, antecipadamente, da garota pequena que os uniu.

A jornalista está com receio de conhecer tantas pessoas diferentes. Um dia antes, ela escreveu sobre vestibular. Dois dias antes, ela fez um trabalho de maiêutica. Um mês antes, ela estava descobrindo a faculdade. Um ano antes, ela estava triste por seu primeiro fracasso. Dois anos antes, ela estava no fim de um ciclo.

Os amigos de sua amiga sorriem para ela e perguntam-lhe o nome. Ela responde. "Olá", disseram, "Prazer em conhecer".

Sim, a jornalista pensa, realmente fico contente por conhecer tantas pessoas. Rever os múltiplos profissionais. Conhecer os inúmeros programadores. A sua profissão lhe exigirá ouvir o próximo, dar voz a ele, conhecer novos lugares, conhecer novas visões de mundo. Conhecer o mundo. A jornalista se enche de coragem, respira, transpira, inspira, suspira. Coragem.

A noite passa. Conversas, piadas, diálogos cruzados com linhas tortuosas, as quais sempre passam por todas as cadeiras habitadas em uma mesa de lanchonete. O conhecimento superficial, as impressões de alguém, as salpicadas de debates polêmicos que todos os jovens gostam de discutir e se acham plenamente entendedores de seus truncados pontos. O desvio na estrada insuflada pelo gigante rubro rumo a um caminho neutro, flicts.

As barrigas cheias. O início do cansaço. "Que horas você vai embora?", "Quanto tempo leva para chegar até em casa?", "Quer ir comigo?".

Despedidas.

A médica parte com sua impressão de que os corpos são frágeis para tanta comida gordurosa e por tanta bebida corruptora de neurônios que foi ingeridos nas horas passadas. Quantos pacientes terá quando seus companheiros de festa completarem os fatídicos 50 anos?

A psicóloga parte com os perfis subjetivos dos que compartilharam com ela uma noite festiva. Separa em sua mente aqueles para quem trocará mensagens nos outros dias, afim de auxiliá-los a terem mais autoestima, mais amor próprio. Classifica as pessoas em patologias sentimentais. Psicopatas, depressivos, arrogantes, indiferentes... Será que são assim?

Os engenheiros partem trocando informações. Não são sistemáticos por completo, não. Pensam em estruturas ideais que se encaixam com as personalidades presentes.

O ator terminou mais um espetáculo. Acredita na frase de Shakespeare. Ou será que acredita na releitura da mesma ideia feita por Charles Chaplin? Os seus modos tragicômicos aproximam-lhe de Carlitos, parte da festa com diversos trejeitos de seus companheiros que usará nas suas próximas apresentações.


A historiadora entristece-se por sua condição de avaliar o passado e não o presente, nem o futuro. Adoraria registrar intensamente os pontos altos de seu encontro com os amigos. Suplica por viver muito tempo e, assim, tornar-se testemunha viva dos hábitos juvenis do século XXI.

Os programadores, dentre eles a aniversariante, pegam as necessidades últimas dos seus amigos para facilitar-lhes a vida por meio de sistemas binários. O um e o zero são-lhes essenciais. Mas, as pessoas são mais do que dois números, são permutações complexas do sistema decimal do Ocidente predominante. Partem com a promessa de se verem na segunda-feira.

Sobra a jornalista. Enquanto vê seus amigos e mais novos colegas indo embora, eufóricos, contentes, cansados, mudados por uma nova experiência, ela registra tudo o que ocorreu naquela noite de sábado. Suas ações são factuais. Não terão valia em um futuro distante. Porém, mesmo assim, ela registra aquele momento único e que não mais voltará da mesma forma que viveu naquelas horas.

Vai embora.
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Uma das regras da minha mãe é não esperar do outro o que a gente quer que ele faça. Eu cresci ouvindo isso, principalmente, quando eu brigava com minhas amigas na escola por coisas bobas. Por repetição, eu internalizei essa regrinha em mim, porém, ainda não consigo por completo segui-la. Mas, eu tento sempre que posso coloca-la em minha rotina.

O outro não observa e interpreta o mundo como você. Por isso, não pode entender absolutamente o que você espera dele e fazer tudo o que você deseja que ele faça.

Além disso, o outro possui seus próprios valores, suas opiniões, seus estigmas, seus objetivos individuais. Dessa maneira, ele constrói seu universo particular e encaixa o ambiente a sua volta nele, fazendo aquilo que lhe convém.

Contudo, nem por isso, o outro tem que estar alheio a sua opinião. Mas, não tem que sempre segui-la. Nem por isso, o outro não pode ser gentil e fazer coisas por você, abandonando o egoísmo. Mas, não deve também viver por você, girando ao seu redor.

O importante é o equilíbrio. Se você é o outro, balancear entre fazer coisas por você e para você e ajudar as pessoas a sua volta. Se você é aquele que, assim como eu, ainda espera que o outro faça coisas, as quais você acha que ele deveria e poderia fazer, não espere. Se você continuar assim, só trará sentimentos ruins para o seu coração, pois ele se encherá de decepção e rancor.

Liberte a alma alheia. Liberte a sua alma também.

Não espere. Você não controla o que o outro pensa, faz, sente ou como age, tudo bem?

Beijos açucarados.
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Imagem de Fanpop

Bonjour, mon ami!
Essa música encantou o meu coração desde a primeira vez que a escutei. Foi quando eu tinha entre 8 e 9 anos, época em que o desenho Arthur era transmitido pela TV Cultura na hora do almoço. Eu comecei a assistir ao desenho por conta de um clipe musical dele em que os personagens brincavam com a história do Médico e o Monstro (um dos meus livros favoritos do mundo inteiro). Daí pra frente, Arthur foi me conquistando com suas histórias divertidas e com a sua música de abertura com letra especial...
Quer lê-la?
Arthur
Cada dia em que se anda por aí
Cada um que a gente vê
Tem algo original pra dizer
Eu digo: Hey! Tá na hora de perceber
O lindo dia que vai nascer
E se aceitar e conviver
Deixa que venha a emoção
Tudo o que sentir
No ritmo das ruas
Agora e aqui
Abra bem os olhos e o coração
Vamos juntos viver melhor
Sem brigas nem guerras
O recado é simples,
Porque vem do coração,
Confio em você
Pra tudo começar...

Depois, o refrão é repetido até que o Arthur diz pra sua irmãzinha: "Oi, DW" e cai. Então o desenho começa!
Eu queria compartilhar com vocês essa música que eu sempre achei uma pérola preciosa, porque ela fala de muitas coisas boas, como amor próprio, paz, perceber e valorizar os dias da nossa vida... Ou seja, mais uma vez, os desenhos trazem valores positivos para nós.
Gostou da musica, petit?
Beijos açucarados.
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O desfoque não estraga o fato de que O Pequeno Urso é um dos meus desenhos favoritos e que eu precisava coloca-lo aqui.
Bonjour, ça va?
O título parece meio estranho para a proposta inicial dos capítulos, não é? Afinal, não nos diz sobre fotos, natureza, reflexões, pontinhos de luz em nossa rotina... Será mesmo?
Quem foi criança nos anos 2000 levante a mão! o/ Sim, eu, com meus 19 anos, fui criança quando o Furacão 2000 estava em alta nas festinhas de aniversário da turma do colégio, quando o Gugu trazia pro palco os remanescentes grupos de pagode dos anos 90, quando a gente queria ter um celular de abrir e fechar rosa com strass e, finalmente, quando os piercings no umbigo eram o it da moda.
Parece bizarro, caro leitor com menos de 14 anos? Bem, estou contente por não ter nascido no famigerado anos 80!
Enfim, mas eu introduzi, só que de nada adiantou. O que fala o capítulo de hoje?
Sobre desenhos animados, é claro! O que eu mais fazia quando criança era assistir aos desenhos que eram transmitidos tanto em canais abertos quanto em fechados, antes de ir pra escola à tarde e depois, geralmente na tv paga. Contudo, por que falar sobre isso agora?
Porque, recentemente, eu descobri o poder transformador dos desenhos. Deixe-me explicar melhor...
Os desenhos são construídos para ajudar os pais e a escola a educarem as crianças e plantar nelas a sementinha de tudo o que há de bom no mundo. Por isso, os desenhos nos ensinam bastante a como agir dentro de nossas vidas, priorizando o amor, a bondade, a perseverança, a coragem, a solidariedade, a consciência do coletivo, a positividade... E também reforçam a não mentir, a não prejudicar o outro, a não contar vantagens, enfim, partes ruins que, infelizmente, cometemos e normatizamos normalmente.
Os desenhos são construtores de caráter e me ajudam a me melhorar sempre e sempre. São um modelo para que eu continue a ser uma boa garota, contudo, forte e corajosa, lutando para mudar as pessoas ao meu redor e para enxergar os pontinhos luminosos no meu dia a dia.
Os desenhos são terapêuticos para mim. E para você?
Comente o que acha!
Beijos açucarados.
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Ilustração de Racey Helps
Bonjour, mes amis!

Sim, eu sei que eu sumi por um bom tempinho (mais ou menos duas semanas) e que o blog ficou congelado no tempo, preso em uma fenda temporal que dá voltas e voltas em torno de flores e cidades do interior de São Paulo, contudo, quero me desculpar agora por isso.

Felizmente, assim como anunciei para vocês em capítulos anteriores do La Petite Souris, eu ingressei na universidade nesse ano, faço jornalismo pela manhã na USP. A experiência está sendo bem impactante no meu universo particular, pois os novos caminhos que o início da vida adulta traçam em meu coração são cheios de novas pessoas a se conhecer; matérias e modos de dá-las diferentes do que eu estava acostumada; um lugar ENORME, GIGANTESCO a ser explorado e aproveitado; um caminho longo que corta a cidade de ponta a ponta, enfim, diversas coisinhas singulares em si mesmas e que, a cada dia, fixam-se em mim e me transformam de uma maneira boa.

Por conta dessa virada grandiosa em minha rotina, o blog se distanciou dos meus objetivos diários principais e eu peço desculpas aos que o acompanha sempre. Prometo que, em finais de semana, deixarei matérias prontas para serem liberadas às terças e sábados como era de costume e que o Facebook será a coluna sustentadora do nosso diálogo, ça va?

Enquanto escrevo esse capítulo, tenho a sensação de participar de um sarau faérico em meio às florestas por conta das músicas lindas que a senhorita Michelle, dona do blog Daughter of the Woods, compôs. Recomendo a todos para, quando terminarem de ler aqui, abram a janela para a delicadeza da voz dela :3

Por enquanto é isso, mes amis. Desejo a todos uma semana maravilhosa!

Beijos açucarados.
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Salud, ça va?

Como o último capítulo foi bem grandinho, pois tive que explicar também o nosso passeio de aniversário, além de colocar as fotos que tirei dos lugares de Serra Negra, decidi fazer um capítulo a parte para as flores lindas que encontrei no interior de São Paulo.

Algumas fotos podem ser encontradas no meu Instagram (@brunadisero), aquelas que não foram compartilhadas aqui com vocês, mes amis, pois a posição da câmera do celular não ficou favorável para deixar o capítulo esteticamente bom.

Se vocês sabem o nome das flores que aqui colocarei, adoraria que me dissessem, porque eu sou a maluca das flores que só sabe fotografá-las e nem pesquisa o nome delas... Que vergonha!


Vocês gostam de flores? Eu as amo!

Beijos açucarados.
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Bonjour, mes amis!

Ontem foi o meu aniversário de 19 anos e, como essa data especialíssima para mim caiu em uma segunda-feira, eu e meus pais decidimos comemorar mais um ano de vida no sábado passado, dia 04. Fomos em um lugar que conquistou o meu coração em julho do ano passado, nas férias de inverno, a cidade do interior de São Paulo chamada Serra Negra, conhecida por ficar no Caminho das Águas, pois é pertinho de Águas e de Lindoia.

Quando eu fui lá pela primeira vez, não conhecia nada e me encantei pelo clima interiorano, pelas lindas lojinhas e casas, pelo ar menos poluído em comparação a capital e pelos vasos de flores que enfeitam a fachada das residências serranas. Então, em 2017, quando eu precisava decidir para onde ir no meu aniversário, não pensei duas vezes e escolhi Serra Negra!

Essa placa foi encontrada em um bookcafé da cidade. Eu me apaixonei logo que a vi e então tirei foto.
Mas, não fomos para lá diretamente, não! Primeiro passamos na AFPESP de Lindoia matar a saudade desse cantinho maravilhoso. Era de manhã, porém, já sentíamos o cheiro do almoço sendo preparado e, confesso, minha boca se encheu de água! Passeamos por lá, visitamos a fazendinha e eu tirei muitas fotos de flores (que ficam para outro capítulo), ou seja, foi tudo muito bom.

Então, seguimos para a AFPESP de Serra Negra, pois nunca fomos lá e queríamos visitar. Os prédios do hotel eram bem mais bonitos do que eu imaginava, nos deu vontade de se hospedar já, mas deixamos a exploração para quando de fato nós ficássemos hospedados.
Essa é a Boneca. Ela é uma égua nova que foi comprada para a unidade de Lindoia e já estava bem a vontade com o seu novo lar, como vocês podem observar, hehehe.
A unidade de Serra Negra é assim! Tanto em Avaré quanto em Lindoia, nós ficamos hospedados em chalés, então os prédios de Serra Negra são novidades para a gente. Em um futuro não tão distante, com toda a certeza, aproveitaremos esses apartamentos.
Como já estava terminando a manhã, partimos para o centro de Serra Negra e, ah, que alegria foi! Eu adoro ver as lojas, o que foi a nossa primeira atividade. A cidade é repleta de bancos fofos para as pessoas que estão fazendo compras se sentarem e descansarem, além de postes de luz com vasos de flores na ponta e carrinhos com bichos de pelúcia dentro para as crianças darem uma volta na praça principal.

As fotos abaixo, eu tirei no ano passado, mas valem pela viagem desse ano, já que fomos na Casa dos Ursos novamente. Essa é uma chocolateria tradicional de Serra Negra e que funciona como ponto turístico, pois a decoração é lindinha. A fantasia nos informa que são os ursinhos que preparam os chocolates artesanais vendidos lá, chocolates deliciosos e com sabores bem diversificados que me fizeram voltar quando tive a oportunidade.



Outro ponto turístico de Serra Negra é o Teleférico que leva as pessoas para o Cristo Redentor da cidade. Para entrar, nós temos que passar por uma praça com muitas lanchonetes e que também fica perto da Rodoviária. Ficamos por lá mesmo, porque achamos o preço do Teleférico caro para ser um carrinho de uma pessoa só (15 reais), porém, foi adorável sentar, descansar e ver os moradores se divertirem no sábado de sol da cidade.

Detalhes da Pracinha do Teleférico.
Depois fomos às compras! Ewee! Comprei chips de provolone que são bem mais baratos lá do que aqui na capital, chocolates da Casa do Urso e visitamos o mercadinho (adoro mercadinhos) para comprar água. As compras migraram de Serra Negra para Lindoia e então, cansados e com fome, fomos para Bragança Paulista para comer um lanchão de linguiça tradicional da cidade e então voltar para São Paulo.

O passeio foi incrível, muito adorável, o sol contribuiu muito para as fotos ficarem lindas e para nos divertirmos bastante. Com certeza esse dia ficou guardado para sempre em meu coração e fez com que o Jogo do Contente fluísse sem que eu me esforçasse para isso.

Obrigada por ler esse capítulo alegre e agradecido.

Beijos açucarados..

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Índios e Cowboys: Uma festa vintage inspirada no Winnie the Pooh:

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Bonjour <3

Essa é a semana do meu aniversário e estou muito muito muito contente por isso! Estou radiante, essa é a verdade, mes amis!

Nesse ano, o meu aniversário, 6 de março, vai ser em uma segunda-feira e eu adorei, pois será o meu primeiro dia de aula na faculdade (jornalismo na USP) e eu também gosto de segundas, porque acredito que elas representam o início de novas jornadas e aventuras, experiências e conquistas, o início de muita felicidade!

E falando em aventuras, uma que eu tive no ano passado me marcou muito: a minha viagem para a cidade de Avaré no interior de São Paulo. Eu já havia ido para o interior do meu estado quando eu era pequenina, nós íamos sempre para Biritiba Mirim em uma colônia mágica de chalés que possuía a melhor ponte que eu já encontrei na minha vida, porque ela era recheada de plantinhas carnívoras, as quais foram as minhas colegas de bagunça, já que eu não parava de passar o palitinho nelas só para vê-las se fechando. Ok, não é uma coisa muito ecológica, mas eu era apenas uma criança... Né?

Depois dessa época, as minhas viagens se concentraram na praia (Grande e Mongaguá) e eu desenvolvi um amor bem grande por lá. Adoro ficar ressecando dentro do mar, gosto de comidas de praia (apesar de que eu desenvolvi alergia a camarão, o que me deixou arrasada quando descobri na páscoa de 2016) e de passear pela orla da praia colhendo conchinhas e soltando-as depois.

Não ia para o interior há anos! E, quando no ano passado meus pais me disseram que iriamos para Avaré, eu pulei de alegria por essa novidade. Adoro viajar e gosto muito do trajeto no carro, o momento em que eu xereto as estradas do Brasil a fora, haha.

Bem, chegamos e a primeira coisa que me encantou foi a construção da casa em que ficaríamos. Ela era linda por fora e por dentro também com um quarto, uma sala bastante espaçosa e um banheiro grandinho, além de um dossel de plantas na garagem e um banquinho por fora.


Mas, como nós somos bem agitados quando viajamos, não paramos muito nessa casinha e fomos visitar a cidade (que ficava bem longe do hotel). Avaré é uma cidade linda, bastante bucólica, dona de casas grandes e muito bonitas e lojas chiques.

Lá, planta-se bastantes coisas como eucalipto e laranjas, foi o que o moço nos disse quando estávamos a caminho de outra cidadezinha próxima, onde Tonico e Tinoco nasceram e que ficou famosa por sua loja de couro.

Olha eu posando...                                                                 


Fomos em fevereiro, o que significa época de bastante calor aqui no sudeste. Por isso, a maioria de nossas fotos são compostas por mim, vermelha e com regatas e shortinhos, tentando enxergar pelo meu óculos sem anti-reflexo que refletia toda a luz solar do interior.
Aproveitamos bem a piscina do hotel, porque percebemos que, apesar de lindinha, a cidade de Avaré não era muito turística e estava demasiado longe de onde a gente dormia.
Foi maravilhoso! Estava tão quentinho que íamos para a piscina a tarde depois do almoço e só saíamos para tomar banho para a janta.
As comidas de lá eram bem gostosas, porém, o cardápio se resumia aos peixes de todos os tipos das redondezas...
A noite fazia calor também, o que me permitiu usar vestidos (<3) para ir jantar. Eu me sentia bem chique por isso, hehehe.
Em Avaré, havia uma fábrica de doce de leite que era bem conhecida por exportar sua produção pro estado todo e fomos lá comprar alguns docinhos. Hmm, que delícia de passeio que foi aquele!
Também aproveitei para tirar fotos de lá, já que a decoração era lindinha.

E, claro, eu não poderia deixar de registras as lindas plantinhas que encontrava por lá. Aliás, foi nessa viagem que eu desenvolvi firmemente essa paixão e comecei a me dedicar de verdade nas fotos que eu tirava.

Como era campo, o ar estava despoluído e possibilitou a criação de cogumelos e líquens, além de flores coloridas que enchiam a minha vista de gosto. Também havia por lá um lago gigantesco, em que podíamos pilotar barcos e nadar também, porém o mais legal é que estava repleto de peixinhos!
Na colagem, há também uma foto minha com meu cabelo antigo. Estava curto, mas agora está bem bem mais! A foto do gnomo de jardim foi uma das que eu mais gostei, pois me lembra um livro que li na mesma época.
Olha as casinhas de fadas aí gente!


A viagem a Avaré foi maravilhosa e me deixou bastante contente, apesar de triste, pois me deixou com saudades de lá na volta para a casa. Com toda a certeza eu voltaria para lá, já que me encantei com a tranquilidade do hotel e com o ar bem interiorano da cidade.

Vocês já foram para lá? Se sim, adoraria saber o que você achou de Avaré!

Beijos açucarados.

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Bonjour! Há uns dias, eu estava adicionando informações ao meu Facebook, quando me deparei com a caixa de descrições. Decidi escrever o que a Bruna era e formei um texto tão grande que decidi transportá-lo ao La Petite Souris, o meu blog querido, transformando-o em um capítulo.

Essa é a Bruna Diseró, a escritora ratinha.
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The Garden Party A collection of quality greetings cards, about 6" x 4" in size, supplied with envelopes, with the inside blank for your own message. Free Shipping offered if bought by its self.:
Two Bad Mice
Bruna, bruma, luna, runa em um livro de sonhos.

Bruna sensível, delicada, que vê beleza em coisas simples como em um velhinho contador de histórias ou em mercadinhos do interior.

Bruna que adora rock, indie, folk, um cantor pop que arrasa no falsete e que chora apenas com as músicas do David Bowie.

Bruna que fotografa flores em suas próprias cores sem edições. Bruna que sonha em ter um jardim e fazer festas do chá nas tardes de primavera que possuírem clima ameno.

Bruna que adora vilões, anti-heróis, pessoas malvadas nas histórias fictícias do cinema e da literatura. Mas, que não consegue ler sempre livros pesados e busca por Anne de Green Gables traduzido para o português.

Bruna que escreve contos com protagonistas mais desorientados do que os leitores que os leem pela primeira vez. Bruna que escreve redações parnasianas, pois não consegue construir frases gramaticalmente incorretas e com palavras repetidas.

Bruna que se engasga de rir com as piadas corporais do Jim Carrey, porém, sente vergonha alheia com o stand-up atual.

Bruna que possui a maior parte de sua estante formada por aventura/policial e os adora, mas está enfastiada com a Jornada do Herói tão presente.

Bruna que prefere Eddie Redmayne ao Ezra Miller. Bruna que defende com unhas e dentes a monocromática atuação do Johnny Depp e não entende o porquê da maioria gostar mais do Capitão América em Guerra Civil (ou finge não entender).

Bruna que gosta de ir ao campo, mas também ama ir à praia. Bruna que sonha em viver no interior de São Paulo ou da Inglaterra. Pois decorou os nomes de todos os reis e rainhas das Ilhas Britânicas e sabe que esse paragrafo está meio errado, já que a Irlanda não é regida por Elizabeth II.

Bruna que suspira pelos vestidos da Antix e pelas sapatilhas da Tutu.

Bruna pisciana, vitoriana e que ama ilustrações com tema florestal.

Bruna, bruma, luna, runa em um livro de sonhos.
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Aaptado para a TV e cinema, O Jardim Secreto vendeu milhões de exemplares por todo o mundo desde sua primeira edição em 1911. Considerado um dos mais importantes livros infantojuvenis do século XX pela National Education Association, a obra está entre os 100 livros mais indicados por
professores em língua inglesa. O Jardim Secreto conta
a história de Mary Lennox, uma menina mimada e arrogante. A típica criança que provavelmente você não convidaria para a sua festa de aniversário ou não sentaria ao lado dela na sala de aula. Depois de perder os seus pais ainda muito nova, ela é enviada à Inglaterra para viver com seu tio. Mal sabe que essa mudança irá transformar a ela e todos a sua volta por completo. O Jardim Secreto é um livro maravilhoso sobre amizade, afeto, cura e transformação. Mágico e envolvente. Uma leitura carregada de lições que guardaremos por toda a vida. Um livro que une gerações. Desvende com Mary e seus amigos o mistério desse Jardim.




Infanto-juvenil// 272 páginas// Editora 34// Classificação: 5/5


Bonjour, mes amis!

Essa é a primeira resenha que eu faço para o blog e creio que não poderia começar melhor, pois falarei o que eu senti ao ler o maravilhoso (e eternamente recomendado aos jovens nas escolas) O Jardim Secreto da escritora britânica Frances Hodgson Burnett.

Há muito tempo eu procurava ler livros com mensagens positivas, do bem mesmo. Essa vontade se iniciou após eu ler Uma Constelação de Fenômenos Vitais, de Anthony Marra, e se estendeu ao longo da minha releitura de Pollyanna, de Eleanor H. Porter, porque, apesar de eu ler muito (mesmo), os meus livros circulavam no arco aventura/policial  e eu estava me cansando um pouco da marcada Jornada do Herói que esses livros possuíam. Então, eu pesquisei por livros diferentes e encontrei os que falei acima, o que me deixou muito contente e motivada para compra-los.

No caso de O Jardim Secreto, eu o descobri na internet por meio dos blogs (que também me inspiraram a criar o La Petite Souris) e adorei a sua conexão com o ambiente florido dos jardins que tanto amo e o mote de regeneração do livro. Não via a hora de tê-lo em mãos! Fui com a minha mãe ao shopping e perguntei se na livraria havia a obra tão desejada, conquistando-a quando o moço disse: OLHA! Tem essa versão do livro que é um pouco mais barata, você quer?

A minha primeira impressão foi de encantamento pela estética do livro: as ilustrações de Tasha Tudor são lindas! O seu traço vaporizado combina com a aura mágica do universo particular do livro, mimetizando o ar das charnecas inglesas em que a mansão se localiza. Os desenhos do pisco ficaram muito fofinhos e eu consegui notar a diferença entre a Mary do início para a do fim apenas pelo modo do desenho que mrs. Tudor fez.


Sobre a história, eu gostei muito de como mrs. Burnett desenvolveu a personagem da Mary Lennox, pois fica claro que o seu caráter deriva da maneira indiferente a que os seus pais a tratavam, porém ela é uma criança e tem toda a chance de se tornar uma boa pessoa, independente de seu jeitos iniciais. A senhorita Mary ganhou a minha empatia e eu torci por ela em todos os momentos do livro, desde ela ser vista como uma boa menina pela mãe do Dickon até ela mudar a arrogância de seu primo, Colin. Ela é uma boa heroína, típica dos livros escritos nessa época, não ficando atrás da eterna Pollyanna e da um pouco menos conhecida Heidi, personagem de Johanna Spyri.

O meu personagem favorito é o Dickon, com toda a certeza, pois gosto da sua bondade e carinho para com a natureza, um carinho orgânico e visceral, algo difícil de encontrarmos hoje em dia, mesmo entre aqueles que defendem as causas ambientais.



E o Jardim? Podemos defini-lo como um personagem principal ao lado de Mary, já que sinto-o como um organismo vivo no espaço-tempo do livro, algo parecido com O Cortiço de Aluisio Azevedo e a Terra do Nunca de Gail Carson Levine. Ele se regenera juntamente com miss Lennox, posso até dizer que o Jardim nada mais é do que a representação do coração/alma de Mary: no inicio, havia rosas bonitas, porém selvagens, e que foram podadas aos poucos. Ainda foram introduzidas novas flores, a gentileza, o reconhecimento do próximo e a gratidão. No fim, ambos vistosos, vivos, saudáveis e aconchegantes. O ar da charneca restaurou aos dois.

Sobre o filme, feito em 1993, eu o assisti pelo Netflix logo quando o baixei em casa. Apesar de o roteiro possuir pontos diferentes ao livro, recomendo o filme sim, pois ele é bom, não como adaptação, mas como filme. A atuação das personagens, o cenário, a participação da (diva, chuchu, maravilhosa) Maggie Smith dá um toque tão inglês ao longa-metragem e isso foi um ponto muito bom,  que vale a pena assisti-lo. A animação, não. Ela é bonitinha, mas, não gostei muito...


Enfim, O Jardim Secreto é um livro genuíno! Ele é delicado, sensível e nos faz repensar sobre o modo como julgamos o comportamento das pessoas antes de as criticar por isso. Também nos faz crer em um mundo melhor, pois todas as pessoas, com força e amor, podem mudar para o bem. Agora entendo o porquê de ele ser recomendado sempre às crianças em início de formação de caráter, porém, acho que todos devem lê-lo sem restrições. É um livro que dá quentinho no coração e só isso já vale muito.

Beijos açucarados.
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Salud, ça va?

Hoje, eu contarei um pouquinho do que achei do filme francês Bem-vindo a Marly-Gomont que encontrei no Netflix por acaso, após assistir ao Walt Antes do Mickey que já critiquei em outro capítulo do La Petite Souris.

Nunca antes eu havia visto um filme francês, o que é algo estranho aos cinéfilos que leem essas páginas amareladas de meu diário pessoal. Quando li a sinopse desse filme, não tive dúvidas de que gostaria muito de assisti-lo, pois ele reunia diversas coisas de que eu gosto: história pessoal, leveza e correlação histórica com o mundo real. O fato de ele ser europeu (sem ser inglês, que estou farta positivamente de assistir) foi um ponto extremamente positivo ao filme e logo pus no play para começar.

Retirada do Bing
Bem, diferente da maioria das pessoas, as quais os blogs eu li, eu gostei do filme. Ele se baseia em uma história real do doutor Seyolo Zantoko, congolês que foi estudar medicina na França e aceita o cargo de clínico geral de uma cidadezinha do interior da França, a qual ninguém gostaria de trabalhar nela, a fim de conseguir sua nacionalidade europeia e o direito de morar no continente sempre. Ele também leva a sua família, porém, não os avisa de que não morarão em Paris, como o esperado, mas sim em um local racista e inóspito aos seus novos e diferentes habitantes.

O filme em si é sobre como o doutor Zantoko deve conquistar a confiança dos franceses em sua profissão e retirar de suas cabeças o preconceito enraizado há décadas. A sua família também tem papel importante nesse processo, pois sofre junto com a desconfiança local. E é isso o que está errado no filme: os responsáveis pelo ódio e violência psicomoral não são a família Zantoko, mas sim os franceses provinciais! Não são eles que tem que mudar a visão deles, mas os próprios franceses é quem tem de se mudar, pois estão errados em seu modo de agir!

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Retirada do site Afro Style
Eu entendo e protesto contra esse aspecto passivo do filme em relação ao racismo na Europa dos anos 1960. Contudo, por ser um filme baseado em fatos reais contados pelo próprio filho de Seyolo, eu tenho um adendo a crítica feita acima: ok, eu não concordo de forma nenhuma com a leveza quase supérflua de Bem-vindo a Marly-Gomont. Mas, não sejamos anacrônicos em nosso modo de escrever, mes amis. Se o filme foi baseado em fatos reais, então ele retrata também a visão das pessoas da época acerca do combate ao racismo. Infelizmente, as pessoas achavam que eram os negros (os que sofriam) quem deveriam mudar a forma de pensar das outras pessoas e lutar para serem dignos da confiança (eu não acredito que isso já existiu um dia, meu Deus).

Graças, isso mudou com o tempo e as pessoas se conscientizaram da bobagem que pensavam no início do combate ao preconceito étnico, indo a luta por se valorizarem e não se subjugarem igual ao que faziam antes.

Resultado de imagem para bienvenue a marly gomont
Retirada do site Zoom Cinema
Contudo, em 1960, não se pensava assim. Portanto, não sejamos tão duros com o filme. Ele é sim pacífico de uma maneira errada e o seu objetivo, divertir e amenizar o cansaço diário, não é o que se espera hoje dos filmes com mote de combate ao racismo. Mas, o seu discurso se baseia no que aconteceu de verdade com Seyolo e sua família e esse pensamento era comum a época e por isso, foi refletido na sétima arte.

Eu creio que o ruim foi a ideia de se fazer o filme agora no período em que estamos em luta pela igualdade e paz real, sem atividades veladas e falsas esperanças. Mas, gostaria que vocês, mes amis, assistissem-no e tirassem suas próprias conclusões, porque é um filme polêmico que merece ser visto sim.

Beijos açucarados.
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Sobre Mim

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Bonjour, meu nome é Bruna. Sou uma ratinha de biblioteca, adoro fotografar a natureza, andar por ruas desconhecidas e escrever tudo o que me vem a cabeça. Obrigada por visitar o meu jardim. Abra seus olhos e amplie sua imaginação. Talvez você precise bastante por aqui.

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