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La Petite Souris

When the Weather is fine | Wiki | • Doramas Brasil • Amino
fonte: Amino

o seu coração congelado não batia no ritmo de um relógio. não. suas batidas eram suaves como as ondas quebrando na orla da praia, felizes pelo encontro com sua amante e com a possibilidade de beijá-la sem nenhum impedimento. o seu coração batia assim: medroso com a felicidade que se anunciava, pois não queria criar expectativas sobre sua inexorável finitude. era um coração congelado portanto.

em meio ao caos de amor em que ele vivia, já não podia mais discernir felicidade real com a imaginária. todos elas formavam uma mesma massa bolorenta que não permitia desassociação. por isso, ele repetia, mentalmente, o mantra que criara para si mesmo na época de colégio: viver um dia de cada vez. e ainda outro, que anunciava: o mais importante da vida é comer, dormir e trabalhar - se todas essas etapas forem cumpridas no dia, esse será um dia feliz.

assim, ele passava seus dias. cercado por livros de capas brilhantes, de autores brilhantes - e outros, nem tão solares assim - ele sorria com a simples preparação de um café. a borra, que já exalava aromas fantásticos sem nenhuma água para aquecê-la, era posta em um coador de papel, após uma modesta rega deste. ele, então, entornava a água fumegante. era a criação em seu mais puro sentido. adoçava? só se o cliente pedia...

mas, que cliente aparecia por ali? dois ou três no máximo. por semana. e ele ocupava sua mente com a produção de um blog muito parecido com este, mas que permitia uma liberdade sentimental muito maior.

porém, nada disso importava. não importava o quão aconchegante era o espaço em que estava, com sua atmosfera de comédia romântica natalina, o cheiro de livro e café se misturando no ar. não importava que, quando ele voltasse para casa, encontrasse uma família barulhenta e amorosa, pronta para enchê-lo de tapas ou de beijos (ninguém nunca apurou qual era o mais carinhoso entre os dois). não importava que todos na cidade o conhecesse e o tratasse como um deles.

porque ele, de fato, não era.

ele era o filho do lobo cinza que morava nas montanhas da floresta. ele tinha a sobrancelha prateada dele sobre os olhos que o permitia enxergar a verdadeira natureza de quem o cercava. ele brincava com besouros-rinoceronte e conhecia cada reentrância das montanhas como as linhas em M da sua palma da mão.

ele era um espírito livre, selvagem.

mas, como um espírito desses poderia ter seu coração congelado? como, se ele acordava com o sol todas as manhãs e inalava sua energia revigorante todas as tardes? ninguém sabe ao todo... alguns dizem que seu coração se congelou quando o lobo que o guiava sumiu. outros, quando aquela que iluminava seus olhos como centelhas da clareira de outono, foi embora sem aceitar o seu besouro-rinoceronte. entretanto, os mais perspicazes dizem que foi quando ele olhou pela primeira vez para aqueles que o acolheram em um dia de chuva: com medo de que tivessem o mesmo destino do lobo, ele reteve o seu amor no mais fundo quarto do miocárdio. e, com tanto espaços vazios de uma só vez, seu coração não acostumado aos invernos rigorosos do vilarejo, entregou-se ao gelo.

mas, será que para sempre?

talvez não. porque aquela que o olhava como todos os outros, mas para quem ele olhava de forma diferente desde seu primeiro encontro, tornou a vê-lo diferente após uma longuíssima viagem a capital. com suas malas abarrotadas de insegurança, e sem seu celular, ela voltara com a esperança de recomeçar. ele a viu do alto da colina enevada. e percebeu que seu sorriso brilhava de forma distinta para ele, só para ele, quando as luzes voltaram a pisca-piscar em amarelo na meia-noite dos reencontros oficiais.

ela o amava afinal?

ela disse que sim em um sussurro. ele não conseguiu dizer nada.

mas, as montanhas não deixariam seu filho desamparado em momentos tão cruciais quanto esse. insuflou seu coração de vida com uma brisa leve de inverno a embaraçar seus cabelos. permitiu que ele criasse expectativas pela breve duração de minutos. ele retribuiu (ou confessou?) o amor que ela sentia por aquele que deu aconchego e calor ao seu coração.

e, então, o coração dele queimou. o tiquetaquear ritmado que se podia ouvir saindo dele naquele momento era retumbante.
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* esse conto foi inspirado no dorama "When the Weather is Fine" da JTBC, disponível, no Brasil, pelo site Viki.
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"Um clube de artes para o proveito de todos". Essa é a primeira frase que encontramos quando visitamos o blog Doukyuusei, criado pela miss Snow. Mas, acredito que o seu cantinho na Internet é muito mais do que isso: ele é uma janela para um universo oriental que nos encanta em sua arte, em sua gentileza de palavras e em sua aura que brilha como o mais quente sol de verão. E a miss Snow é o espelho (ou seria o contrário?) desse blog tão vibrante... Quer saber o por quê? Então, vem conhecer mais um pouquinho dela e de seu jardim que explode em criatividade.
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fonte: @booshizora
O que te fez criar um blog?

Creio que a curiosidade foi o que me levou a isso, ao menos com a minha primeira experiência tendo um blog. Como quando descobri a existência dessa parte da internet calhou de ser a minha primeira experiência tendo um computador em casa, então pensei que seria uma experiência nova tentar gerenciar um - só não imaginava o quão longe essa curiosidade poderia me levar, já que aquele meu primeiro blog acabou dando origem a um segundo blog que, ao menos com esse eu tinha algo bem marcado em mente. Publicar meus textos, minhas fanfics e o que mais a minha cabeça quisesse.

Como você decidiu o título dele?

Como tive uma experiência quase traumática escolhendo o nome do meu primeiro blog, com o segundo eu queria ao menos que algo saísse diferente. Então eu queria um nome que não me limitasse, não fosse pessoal, ansiava por algo novo, e foi lendo um mangá chamado Doukyuusei que acabei tendo esse desejo atendido! A sonoridade desse nome era tão gostosa que acabou me cativando (além de representar o meu lado que gosta muito de perder tempo lendo mangá ah-haha!), pois "doukyuusei" (do japonês 同級生, significa "colega" ou "colega de classe") tem um significado que não me limita em nada e, agora pensando nessa resposta percebo que o termo "colega de classe" interage muito bem com o subtítulo que acabei dando à ele não muito depois de criá-lo.

Passei a chamar o Doukyuusei de "clube de artes" meio que de brincadeira e isso acabou refletindo uma parte de mim que nunca havia notado. O quanto eu queria ter tido uma experiência mais excitante na escola, ter feito parte de um clube, ter sido alguém mais empolgada como o faço com ele enquanto um blog. Eu me libero de qualquer coisa quando escrevo, eu sou animada, agitada e leve também - não uma garota apática e rabugenta como fui nos meus dias escolares. Acredito que ter escolhido Doukyuusei como o nome desse blog me fez mais bem do que eu poderia imaginar!

Quais foram (e são) suas inspirações tanto na hora de escrever, quanto em outros aspectos como fotografia e arte?  

Minhas inspirações vêm daquilo que consumo diariamente, seja música livros ou a mera vivência. Literalmente tudo ao meu redor é capaz de me inspirar, mas isso é crédito da minha alta capacidade de cocriação, pois eu posso pegar mais de um aspecto de uma melodia e escrever em cima disso, ou só ver algo na televisão, uma novela e pensar em como tal posicionamento ficaria em um desenho e rascunhar isso para melhorar depois - coisa que faço muito pouco ah-haha!

Acredito que a capacidade de se inspirar no ordinário faz de um mero blogueiro, dono de um blog pessoal pequeno, alguém fabulosamente grande.

Qual é o seu post favorito de seu blog? Por que? 
 
Ah-haha, eu realmente não consigo pensar em uma postagem favorita! Mas consigo enxergar o tempo que me dediquei a elas, o planejamento que coloquei em cima e o que eu conquistei com o meu esforço (e teimosa) nisso, então eu diria que tenho três exemplos disso - se não for muito exagero para preencher a sua pergunta: em "nove anos de mangás as estantes" consegui realizar um desejo velho meu, o de relatar a minha aventura enquanto colecionadora de mangás, e relatar minhas experiências no meio disso, e devo admitir que criar coragem de olhar volume por volume para separá-los por ordem de ano de compra foi uma aventura no túnel do tempo! mais ainda foi resolver fazer isso numa semana de chuva com pouca qualidade para tirar fotos; em "um projeto fuleiro chamado SKYflame" tive de reunir uma coragem danada para fazer um projeto pessoal de quase quatro anos fotografando o céu ganhar vida! 

Nessa postagem eu relato como foi o processo de criação, perda de motivação e reconquista dela, para manter um projeto que tinha criado só porquê eu madrugava muito lendo mangá; e mais recentemente em "o delírio de ser" e "o deleite de se viver" enfrentei o receio de publicar essas duas coleções de poemas, que mesclam duas coisas que sempre tive medo de separar, a forma como encaro a realidade sendo como ela é e meu ponto de vista sonhador, mas acabou que o retorno que estou tendo com elas me fazem pensar que publicá-las foi algo certo.

fonte: @booshizora

O que te fez escolher um blog e não outra plataforma digital (Youtube, Instagram, Tumblr)?  

Acredito que ter um blog por si só é algo acolhedor, pessoal, que passa a ideia de ser destinado a poucas pessoas. Essas outras plataformas que citou são grandes, e possuem um nível de alcance muito maior, então a ideia do pessoal se perde, pois grande público demanda muito de quem está do outro lado, fornecendo uma parte de si, um momento do seu dia para preparar um conteúdo com todo o coração. Penso que elas mais esgotam do que motivam a pessoa.

Você já pensou em desistir de escrever em seu blog? O que te motiva a continuar com ele?  

Claro que já pensei nisso. Como disse antes, eu já tive um outro blog antes do Doukyuusei, e ele me fez enfrentar tantas emoções que eu realmente me questionei o que estava fazendo aqui. Afinal, qual realmente era a minha motivação em escrever tanta baboseira sobre o meu dia, sem muito nexo, só para preencher algumas linhas em uma postagem? Foi aí que encontrei a minha resposta, um motivo para querer continuar a blogar, a escrever, e essa resposta era criar. Eu queria com todas as minhas forças continuar criando e querendo ou não, ter um blog me fez descobrir isso, me fez enxergar que eu realmente sei escrever, redigir um texto consistente mesmo tendo um mente prolixa. Ter um blog me ajudou a domar esse meu lado prolixo, me fez pensar com calma antes de falar, de escrever e isso, é o que me trouxe aqui - me fez ser quem eu sou hoje!

Qual é a mensagem que você quer passar com seus posts? 

Eu tenho um lema pessoal com o Doukyuusei, e ele é liberar a criatividade. Eu não penso muito nisso quando estou escrevendo e planejando minhas postagens, porém é aqui que esse lema aparece! Eu não penso nisso porque enquanto produzo, eu estou criando e é isso que eu quero que as pessoas que param por lá enxerguem. Eu quero que todas as pessoas se dem a liberdade de criar, de não pegar uma ideia e deixá-la para depois, o contrário disso, que anotem esse pensamento em algum lugar, que exercitem a cabeça e façam algo com essa ideia, que possam ir além do que sequer conseguiriam imaginar!

Você quer me dizer algo que deixei passar?  

Eu sei que você com certeza pensou com muito carinho nessas perguntas, mas eu honestamente esperava por mais além delas ah-haha! Bruna, eu te agradeço muito por essa oportunidade! Por essa portinha que você abriu para minha pessoa no seu jardim, eu me sinto muito honrada em poder fazer parte disso, e me foi muito divertido e esclarecedor poder ser entrevistada por você - muitíssimo obrigada!!!
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... o que é melhor para transitar entre dois universos distintos do que ouvir uma boa música?

E se a música diz tudo o que você gostaria de dizer, tanto melhor. Eu me despeço do desafio que ocupou minha mente e coração durante boa parte desse isolamento social, o One Page Story Challenge, e digo oi para todas as surpresas, alegrias e superações novas que o blog me trará.

Acredito que essa música de The Gothard Sisters será uma excelente forma de dizer que eu sou grata por tudo e que saúdo vocês nessa nova fase do blog. Bem-vindos, mes amis.


Au revoir.
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Serenity Illustration Series on Behance  #sunset #vectorillustration #girlillustration #anzacday #motiondesign #styleframe

(para garantir a seus seguidores que eles estão no caminho certo)

Se os seus olhos brilham com um pôr-do-sol... Você está no caminho certo.

Se seus ouvidos se alegram com o gorjeio dos pássaros... Você está no caminho certo.

Se o seu sorriso se abre com a resposta ingênua de uma criança... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Se a floresta retumba em seu coração... Você está no caminho certo.

Se a sua luta é por um mundo igual... Você está no caminho certo.

Se o seu amor é múltiplo e gentil... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Se os livros pesam em sua estante... Você está no caminho certo.

Se o seu coração é leve como mil vaga-lumes... Você está no caminho certo.

Se o passado é seu amigo, o presente é seu companheiro e o futuro é sem complicação... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Obrigada por estar junto comigo nessa jornada. Você está no caminho certo.
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Charming Ocean Illustrations Show Hundreds of Creatures Under the Sea

(para ajudar um estranho a tomar uma decisão)

João contava os passos que dava na calçada de paralelepípedos. Ele já havia dado 145 desde a porta de sua casa, cor carmim e porta amarela na esquina da... bom, João é reservado e não queremos invadir a sua privacidade.

Seus pensamentos estavam longe dali. João queria identificar o tipo de bolor que havia consumido a parede do seu quarto, porque, assim, ele conseguiria combatê-lo de forma corretíssima. João era biólogo aliás, mas não micologista... Ele precisava de uma segunda opinião.

146, 147, 148.

João esbarrou em alguém. "Opa, desculpa". Mas, ele não recebeu uma resposta qualquer e sim, uma explosão de choro. "Eu te machuquei tanto assim? Ei, me desculpa". João teve que deixar de olhar para baixo e contar seus passos para olhar o seu interceptor. Era um homem com seus 56 anos, barba rala e um tufo majestoso de cabelo que coroava sua careca como uma coroa de louros romana. O seu nariz batatudo estava agressivamente vermelho e os olhos acompanhavam-no com elegante agonia. João não sabia mais o que fazer para se desculpar por ter esbarrado nele. Ou ter sido esbarrado.

O estranho tinha um choro cadenciado que parecia estar arrefecendo. Em seu ínfimo e majestoso último choro, uma fungadela tímida, o estranho olhou para João como que se desculpando.

"Você já viu o fim do oceano?", o estranho perguntou para João de uma forma mais estranha ainda. João estagnou com um olhar perplexo.

"Ahn. Não... Você já?". João sabia que era uma pergunta tola. Mas, o que fazer naquela situação?

"Eu já. Voltei de lá agora mesmo, do fim do oceano. Rapaz, lá é a coisa mais linda do mundo todo. Por isso estava chorando e não vi você cruzar o meu caminho... Desculpa, rapaz. Desculpa".

"Tá tudo bem". Mas, o estranho não saía da frente de João. Ele esperou: será que ele faria alguma coisa estranha? Era melhor correr dali?

"Tsc, você pode me ajudar a tomar uma decisão? É bem rapidinho. Eu saí de lá do fim do oceano e os habitantes do Mar Profundo me deram esses dois pedações de alga, completamente diferentes um do outro e que me deixam encafifado. Eles precisam que eu escolha só um... Qual você escolheria?"

João se retesou. Ele era péssimo em escolhas. Por isso, ele precisava de uma segunda opinião com o mofo destruidor de lares que preenchia as paredes de seu quarto. Mas, aquele homem não sairia dali se ele não o ajudasse, né?

As duas algas eram muito parecidas uma com a outra na verdade. A única diferença era que uma brilhava em azul e a outra, em verde fluorescente. Em seus anos de Biologia, João aprendera que coisas fluorescentes eram ruins na Natureza. Eram perigosas...

"A verde fluorescente, senhor".

"Ah, ah, muito obrigado! Rapaz, obrigado pela ajuda. Bom, deixe-me deixá-lo passar, ok? Obrigado, obrigado e desculpa".

João piscou duas vezes e seguiu o caminho até seus amigos biologistas. O mofo foi resolvido, porém sua consciência não. O que acontecera com ele? Porque quando saía, viu que o velho havia comido a alga com gosto...

Mas, o que era aquilo em seu aquário?

Um peixe novo? Cinza e de olhar brejeiro... Um peixe de olhar brejeiro?

"Rapaz, você me trouxe para o fim do oceano com aquela alga. Aqui é maravilhoso demais, obrigado". 

João desmaiou.
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(sobre as coisas funcionando no mundo)

quando a pandemia passar, eu vou:

subir em árvores.

nadar embaixo do oceano.

catar conchinhas na orla da praia.

sentar em uma praça para ver o movimento passar.

plantar beterrabas. uma árvore talvez.

ir a festas. ser jovem também.

abraçar meus amigos.

sorrir para estranhos na rua (eles verão meu sorriso, aliás).

mudar a rota repentinamente e não seguir o google mapas mais.

quando a pandemia passar, o mundo:

voltará ao normal. ou voltará ao novo normal?

e como as coisas funcionarão no mundo pós tudo isso?

um novo poema precisará ser construído.
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(sobre sua frase motivacional favorito)


Pollyanna é o livro que mudou a minha vida. É o livro que me transformou como pessoa e que me fez encontrar a mim mesma em meio a um furacão.

Pollyanna, menina bonita do laço de fita. Menina que me ensinou o Jogo do Contente. O que ela sente? O que eu sinto?

Gratidão. Obrigada, Pollyanna por me permitir ser a Bruna verdadeira.

Au revoir.
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print & pattern: KIDS DESIGN - marks & spencer

(para fazer alguém rico)

"O que há no final do arco-íris?", eu te pergunto. Anita se fez a mesma pergunta em uma tarde pós-chuva no verão de Janeiro. Ela estava de férias no sítio da avó e aguardava na varanda, junto com seus primos menores e alguns irmãos mais velhos, para poder ir brincar nas largas poças que se formaram no pomar.

Ninguém ali conseguiu responder a sua pergunta. A vovó estava ocupada com a confecção de um delicioso bolo de laranja para o café da tarde. Sua tia Nena havia saído para a cidade em busca de canela para os bolinhos de chuva que estavam programados para amanhã.

Seus olhos piscavam em direção ao céu meio cinza, meio azulado, perscrutando os raios multicoloridos que arqueavam no céu sem fim. Se ela pudesse escorregar naquele imenso escorregador de sete cores, aonde ela chegaria? Na China? Em um imenso poço escuro que a levaria para um mundo de Copas como em Alice no País das Maravilhas? Na boca de um dragão maravilhoso e dourado?

Anita queria saber. Anita precisava saber. Quando sua vovó deu o start para que eles pudessem ir brincar, Anita correu em direção aquele imenso arco-íris.

Corre que corre, pula a pedra aqui, contorna uma cerca ali. Puf, puf, puf. Anita via mais e mais daquele arco-íris: ela se apequenava. Ele se agigantava. E, por estar olhando para cima, Anita não percebeu que chegara ao seu destino. Bateu contra o arco-íris. Ai, ai, ai.

E, então, ela tinha que correr agora para chegar ao seu fim, o margeando. Corre que corre, as mãos de Anita passavam pelo arco macio que a acompanhava... E, então, o que ela via logo a seguir? Um pequeno homenzinho verde e azul de cara feia? Um... um... um duende?

"Ahá, mais uma. Ei, menina, o que você quer aqui?", o duende perguntou com camaradagem.

"Ahn, você é o que há no final do arco-íris?". Anita, evidentemente, estava desapontada.

"Qual é, eu sou legal".

"É. Então tá, preciso voltar, porque hoje a vovó fez bolo de laranja. Adeus, duende".

O duende se exasperou.

"Ei, ei. Calma lá. Isso não é tudo, mana. Ahn, ahn. Um pote! Um pote de ouro, é isso o que eu tenho aqui comigo como o prêmio do fim do arco-íris. Que tal?"

Anita encheu os olhos de alegria. Ouro?

O duende sorriu com malícia. Fisgara mais um para sua coleção de porcelana de amigos para sempre.

Mas, Anita não era boba. Ela percebeu que o duende esfregara as mãos enquanto falava e sentiu um cheiro de tramoia no ar. Ela decidiu responder:

"Não, valeu. Bolo de laranja é mais gostoso. Ô duende, se quiser, eu trago um pedaço para você amanhã". Pode ser? 

E Anita saiu em disparada. Margeou o arco-íris, correu, puf puf puf. Voltou para o sítio.

No outro dia, choveu de novo e no céu se formou um arco-íris. Anita cumpriu sua promessa e conversou mais um pouquinho com o duende. Ele não era tão chato assim... Decidiu que voltaria no outro dia para brincar de esconde-esconde com ele (sua brincadeira favorita). Isso durou uma semana, o período mais chuvoso do mês inteiro.

No domingo, Anita não pôde ir brincar, porque nenhum arco-íris se formara no céu. Ela se entristeceu e decidiu ir dormir mais. No seu travesseiro, um saco pesado tilintava. E um bilhete o acompanhava: obrigado pelas férias divertidas, Anita. Você é minha primeira amiga de verdade e não de porcelana. Esses, eu liberei da minha vida. O ouro é uma pequena lembrança de que voltarei nas próximas férias. Adeus. 
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(motivar um amigo a começar algo novo)

Judite não sabia nada sobre piano. Ela desconhecia Bach, Beethoven e Mozart. Ela não sabia qual era a diferença entre um piano e um teclado ou um órgão. Mas, Judite precisava aprender a tocar piano em menos de três dias. Era uma questão de vida ou morte. De luz e sombras. Ela precisava manter seu emprego.

Judite arranjara um emprego de meio período na antiga loja de brinquedos do bairro. Lá estava um caos, porque era bem a semana do Natal e pais desesperados saíam às pressas de uma seção para a outra, de uma esquina para a outra, como abelhas em colmeias carregadas de mel, na busca pelo presente ideal para seus filhos. O dono da loja, seu Juarez, nunca imaginaria que aquilo aconteceria um dia com sua modesta loja.

A neta - dezesseis anos, rosto acnento e com um sorriso metalizado lindo que o embelezava - tivera uma ideia para alavancar as vendas da loja do avô em Novembro, depois de uma conversa franca com suas amigas que tinham irmãos mais novos: criar uma conta no Instagram para a antiga lojinha, bem ao estilo vintage, que resgatasse o amor de todos por brinquedos de madeira e pano bordado. A dedicação dos dois dera resultados estrondosos em pouquíssimo tempo: o riso solto de seu Juarez e os contatos de sua neta fizeram a loja viralizar na web. O resultado: a loja já não podia mais respirar em meio a tantos ocupantes desesperados em Dezembro.

Claro que seu Juarez não daria conta de tocar a loja sozinho. Por isso, ele colocou uma plaquinha de "Precisa-se" na janela oeste da loja. E, também por isso, que a vaga foi logo ocupada pela sortuda Judite que passava cabisbaixa pela avenida naquele exato instante em que seu Juarez pregava a plaquinha, e com três palavras (mais exatamente, "faço qualquer coisa") apenas, conseguiu o cargo de vendedora, subgerente e faxineira paft-puft.

Uma semana se passou na maior alegria. Contudo, Judite não estava esperando por aquilo. O que mais ela poderia responder quando seu Juarez, em uma tarde de sexta-feira, perguntou a ela: "mas, Judite, você toca piano? Eu tava é pensando em gravar umas musiquinhas originais pra loja, sabe, aquelas clássicas de Natal e eu queria saber se você pode me ajudar com isso. Melhor música original, você não acha também?". O sorriso amarelo a denunciou? Nunca! Porque em dois palitos, Judite respondeu bravamente: "mas, é claro que eu toco. Pode deixar comigo, Jura!".

E. COMO. ELA. APRENDERIA. A. TOCAR. O. BENDITO. PIANO. EM. TRÊS. DIAS?

YouTube? Será que teria algum professor de piano que toparia em ensinar o básico para ela por menos de R$ 200? Era tudo o que sobrara do salário dela naquele mês de Novembro... E se ela fosse em uma loja de música e ficasse por lá vendo os outros tocarem até absorver alguma coisa?

O que havia feito a pobre Judite ao responder "sim" para o seu chefe?

E, então, Judite olhou para o mural de cortiça pregado no ponto de ônibus. Ele dizia: "ensino você a conquistar tudo o que deseja em apenas dois dias". Dois dias? E ainda sobraria um para escolher o repertório! Judite pegou um dos papeizinhos com o endereço do lugar e seguiu em sua busca por conhecimento. Chegou à rua. O lugar era uma portinha simples com duas janelas pregadas a uma porta de alumínio dupla face. Nada indicava que o endereço era ali, apenas o número na porta... Judite tocou a campainha.

Uma senhorinha desceu para abri-la. Um coque apertado repuxava seus fios brancos. Ela usava um xale roxo por cima do vestido de poás laranjas. Botas de couro macio cobriam seus pés. A senhora olhou para Judite com um misto de anseio e desdém. "O que deseja, jovem?", ela questionou.

Judite explicou tudo. Sobre a lojinha, seu emprego e o piano. Sobre Mozart (um compositor de dentes brancos como um colar de pérolas) e sobre as músicas de Natal do seu Juarez. Em nenhum momento, foi convidada a entrar.

A senhora ouviu a tudo com atenção. Depois da longa explanação, respondeu: "menina, eu só tenho três ordens para lhe dar que resolverão a tudo com maestria. Escute bem com atenção e faça o que eu mandar, senão lhe lanço uma praga que fará crescer erva daninha por seu jardim inteiro. Primeiro, volte ao seu trabalho e peça desculpa para o seu chefe. Diga que falou aquilo de cabeça cheia e que nunca mais fará isso. Ele lhe desculpará, senão não me chamo Odette! Então, volte para casa. Lá você encontrará livros de aulas de piano. Treine com fervor durante três meses. Lá pela Páscoa, você poderá cumprir com sua promessa ao seu Juarez. É dito e feito, flor. O segredo de começar algo novo é ter coragem e determinação, não procurar por coisas mágicas".

Judite se ofendeu com o papo da velha senhora, mas ficou com medo das ervas daninhas também. Fez tudo o que ela recomendou e manteve o emprego, transformando-o de temporário para permanente. Também aprendeu a tocar piano e fez um baile de Páscoa na loja de brinquedos antigos do Jura.

Judite decidiu que era sua obrigação agradecer à velha senhora. Voltou ao endereço. Quando bateu à porta, um jovem de óculos tartaruga atendeu: "O que deseja, jovem?", ele perguntou. Judite disse que queria agradecer a sua avó pelo aconselhamento. "Mas, que vó, ô? Aqui é um escritório de contabilidade há mais de vinte anos. Desculpa, mas você veio ao lugar errado, moça".

Judite não entendeu nada. E ainda levou uma maçanetada na cara!
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              Bambi, Autor: Felix Salten, Ilustrátor: Mirko Hanák

(que permita que alguém escape)

O cervo caramelo olhou para baixo. Suas patas manchadas de branco adquiriram mais uma outra tonalidade, avermelhada. Tentou se mover para banhar sua pata no lago brilhante que avistava à frente. Ele sabia, desde filhote, que as águas dos lagos possuem o poder de curar os mais doentes, os inválidos e aqueles que tiveram seus corações partidos. Sua mãe havia o alertado de que procurasse regiões altas com lagos no centro, porque, assim, ele estaria seguro para sempre. Então, por que sentia que sua pata direita doía com o leve sussurro do Vento Leste?

O cervo tentava se desvencilhar daquilo que o prendia ao lado da Árvore Torta. Ele percebeu que o que se parecia com um cipó, comum na Floresta da Acade, brilhava como as pedras afiadas que ficavam abaixo da cachoeira que findava o seu Lago-Lar. Percebeu também que quanto mais ele entortava a pata, mais aquela coisa estranha o apertava em uma agonia de dor. Fez o que qualquer animal faria naquele momento: cheirou o objeto.

Ah, que cheiro horrível era aquele?

Era cheiro de humano com toda a certeza. Ele poderia, como qualquer animal da Floresta, sentir aquele cheiro a quilômetros de distância, mas as circunstâncias do momento deixaram o seu olfato extremamente prejudicado. Era cheiro de asfalto, nicotina e tecido sintético. Um cheiro que não possuía nenhum equivalente na Natureza: apenas os animais mais preguiçosos o trazia para as clareiras, porque eles chafurdavam os lixos dos humanos à procura da comida que jogavam fora, à luz da Lua Cheia. Preguiçosos, párias. Mas, o cervo sabia que essa realidade seria uma necessidade para todos um dia.

Enquanto humanos invadissem as florestas dessa forma, enquanto eles colocasses dispositivos estranhos para os machucarem e os capturarem - como queria não ter passado por aquele caminho - eles teriam que pensar em soluções para a sobrevivência. Para o cervo, aliás, a solução teria que vir rapidamente. Antes do pôr-do-sol e antes que os passos das botas dos humanos (ele começava a sentir seu estremecimento no chão de terra) se aproximasse mais e mais.

O cervo olhou para cima. O luminoso céu azul de nuvens brancas estava coberto pelas copas das árvores como uma renda verde. Nada poderia ser visto ou ouvido naquele ponto da Floresta... Os animais sabiam o que acontecia ali: o humano passara por ali, assassinara por ali. O humano destruíra por ali. O cervo não morrera ainda. E não tinha a quem recorrer também.

Então, o cervo suplicou aos céus. Uma lágrima prateada rolou por seu focinho dourado. Sua pata direita jazia inerte perto de pequenas margaridas amarelas que brotavam do solo. A força das correntes era demais para seu corpo franzino, pois sempre fora franzino, o mais pequenino da família de cervos do norte da colina.

O cervo fechou os olhos.

E, então, um clarão surgiu repentinamente. Eram mil estrelas que pipocavam aqui e ali, cegando a visão do cervo que já aceitava a qualquer coisa que pudesse lhe ajudar. Da nuvem de poeira cósmica que surgia a sua frente, saiu uma bela moça de negras tranças grossas e pele avermelhada. Ela tinha um sorriso acolhedor como o da sua mamãe. Ela o ajudaria, certo?

A moça o ajudou. Primeiro, ela franziu o nariz para a corrente que o agrilhoava. Decerto ela também não gostava do cheiro que de lá emanava. Ela tinha um machadinho em mãos e muitos panos limpos em sua cesta de vime. Depois de algumas horas - ou dias para o pobre cervo - ela conseguiu finalmente livrá-lo de seu algoz. O seu instinto dizia para ele fugir, mas no seu coração, o cervo sabia que a humana que via a sua frente tinha um cheiro diferente. Ele esperou.

Ela, então, cobriu sua ferida com ervas frescas e enrolou sua pata com os panos da cesta. Ela afagava seus pêlos enquanto fazia todo esse processo mágico. Ao final, ela mostrou seus dentes brancos para ele: o cervo lembrou-se de que os humanos chamavam aquilo de "sorriso".

"Estás livre, criatura da Floresta. Seja corajoso e lembre-se de sua amiga em seu gentil coração".

O cervo sabia que poderia ir embora agora. Ele estava livre.

Olhou mais uma vez para trás, porém, antes. A humana estava se dissolvendo em folhas secas em um redemoinho de luz.

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Esse texto foi baseado em uma música que conheci recentemente. Ela chama "The Joke" e foi composta por Brandi Carlile.


Espero que vocês gostem.
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Olá, pequenino. O que você olha com tanto medo?
A vida é assim. São vaga-lumes que piscam aqui e lá, depois de um crepúsculo assustador. Eles iluminam um tantinho assim ao redor deles mesmos, sua luz é fugaz. Mas, mesmo assim, eles não desistem e sempre estarão lá por você. Lembre-se sempre disso, está bem?

Olá, pequenina. O que você olha com tanto deslumbramento?
O mundo deles é assim mesmo. Só deles.
Seus joelhos ralados nunca serão o suficiente para eles. Sua bagagem nunca estará completa para eles. Se você pegar minhocas com as mãos, falar sobre rebimbocas da parafuseta, pintar um bigode com tinta guache no rosto... Nada disso será suficiente para eles.
Você nunca será um deles. E está tudo bem. O importante é você ser suficiente para si mesma, está bem?

Pequenino, está tudo bem chorar. Os seus sentimentos são lindos. Eles flutuam como penas de gansos selvagens na imensidão do lago, uma visão belíssima para todos os animais da floresta. Um quadro de museu.
E se você cair, levante com orgulho e humildade. Você não é invencível. Mas, também é eterno em suas atitudes de bem e em seus sorrisos gentis. A dualidade de suas ações moldarão quem você será no futuro: escolha bem.

Pequenina, está tudo bem falar. Suas palavras importam. Elas são como tijolos de mármore que fabricam um monumento eterno e estável a que todos admirarão quando passar por elas. Uma picareta nunca as derrubará se elas forem verdadeiras. Tenha coragem.
E se você obtiver sucesso, sorria com orgulho e humildade. Você também pode ser um dos herois de máscara e capa que povoam os quadrinhos do seu irmão. Para isso, lembre-se de dizer o que pensa e mostrar o seu valor (não precisa prová-lo se não quiser. O seu irmão não precisa, você também não).

Pequenina e pequenino, olhem um para o outro.
O que os fazem semelhantes é maior do que o que os distancia?
Se ele pode desbravar os cenários noturnos, uma figura antropomorfizada de um gato (Cats?), ela pode o quê?
Se ela pode falar aos quatro ventos como se sente, uma explosão colorida em arco-íris, ele pode o quê?
Eles podem tudo? E juntos, podem conquistar o mundo?
Serão eles a união de tudo? A salvação do mundo?
Pequenina e pequenino, olhem um para o outro com atenção, empatia e respeito. Pequenino, permita que ela faça as coisas que você faz sem desigualdade. Pequenina, permita que ele tenha os seus sentimentos ouvidos com carinho e sem ressentimentos prévios.

* Eu gostaria de ter tido tudo isso para a Bruna de dez anos. Espero que esse texto seja útil para os pequeninos e pequeninas que me leem um dia.

Au revoir.
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Ser da geração Y. Nascidos nos anos 90, este texto é uma fonte de reflexão para vocês. Prazer, colegas de maternidade.

Nós vivemos em um limbo. Sim, é verdade, nós vivemos! Não somos nem uma coisa, nem outra. Somos a primeira lufada de tecnologia, mas fomos pousados na Terra quando tudo ainda era incipiente nesse sentido. Vivemos em um mundo feito de Internet à cabo, discada com aquele chiado insuportável e conectável apenas aos finais de semana. Tivemos disquetes para transferir os trabalhos da escola e um MP3 precioso colado com durex em nossos braços enquanto varríamos a casa.

Somos a última geração ativa da Capricho. Preocupados com a edição 457 com a capa do Restart, mas que não trazia o Colírio em pôster que tanto adorávamos. Uma pena não poder colá-lo na terceira porta dos nossos guarda-roupas (as outras duas portas já estavam preenchidas pelo Robert Pattison e pelo Luan Santana na fase Meteoro da Paixão). Somos a fase de transição da revista para a Internet também. Somos a agonia de não poder mais comprar a Mundo Estranho. RIP.

Quem nasceu sob o signo da geração Y é condenado a ser tiozão e jovenzinho dos memes do Twitter tudo ao mesmo tempo. Somos as duas partes de universos insolúveis, mas que coexistem em nós como um experimento barato de químicos malucos. Nós críamos o YouTube com sangue e suor. Nós demos likes para o bar-mitzvah de Nissim Ourfali. E nós somos os construtores do cancelamento, a arrogância em forma de 101-cancele-alguém-por-uma-fala-dita-sem-pensar.jpg

Nós tivemos o famoso tijolão da Nokia e disputávamos batalhas do Jogo da Cobrinha, hiper pixalizado e hiper adorado. Mas, nós também deixamos de digitar as perguntas que assolam nossas cabeças confusas para perguntar a Alexia qual é a máxima temperatura do dia. Nós somos dúbios na parte da tecnologia, sim. E também somos rasos de afeto.

Aqui eu dou uma pausa para um momento de reflexão que construiu uma nova perspectiva para meus problemas internos. Os filhos de Eliana (não literalmente, mas em eufemismo) têm problemas emocionais latentes. Somos mais inteligentes que nossos pais. Somos mais engajados do que os nossos pais. E somos mais carentes do que os nossos pais.

Fingimos que somos adultos porque vamos morar sozinhos em um apartamento descolado na esquina da Augusta com a Paulista. Fingimos que somos adultos porque bebemos vinho à noitinha ouvindo Belchior, afinal o Indie já está over. O novo álbum dos Arctic Monkeys? Melhor que ele só a nova fase do Harry Styles. Fingimos que somos adultos porque pagamos nossos boletos e reclamamos disso em 140 caracteres no Twitter. Mas, será que somos adultos em nossas emoções?

A resposta que alguém criada ouvindo Vou Passar Cerol na Mão enquanto lia Turma da Mônica é não. Somos todos frágeis emocionalmente como pássaros de asa quebrada. Nós sorrimos no feed do Instagram e choramos no Twitter. Nós fingimos ser adultos e damos outros nomes para as histórias em quadrinho que confortam os nossos corações. Nós clamamos a nostalgia porque ela nos dá saudade de quando éramos pequeninos e alguém nos abraçava e dizia que tudo estava bem. Nós dizemos amém para o Rouge porque eram elas que nos fazia sonhar com um mundo mais bonito.

E em tempos difíceis tudo isso se exacerba. Nós, a geração da Carminha e da Flora, somos dúbios também em termos de vida. Somos inteligentes, mas não somos espertos. Somos felizes nas telas e ansiosos na Terra. Somos dois em busca de outros dois para se completar... isso dá cinco?

Dá seis? Dá 2020? Ou dá 1990?
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Esse é um capítulo que surge em uma excelente hora aqui no blog. Nas redes sociais do la petite souris, principalmente no Instagram, eu trouxe alguns posts mais políticos e que se alinham a minha percepção de mundo como cidadã. Mas, também, que falam diretamente com assuntos muito trabalhados em meu cantinho como empatia, união, gentileza e bondade.

Recentemente, um cidadão negro estadunidense foi morto por policiais brancos, asfixiado. Mesmo após súplicas desesperadas dele dizendo "não posso respirar", os policiais não atenderam ao pedido e continuaram a violentá-lo até a morte, pressionando seu pescoço contra o chão. Este ato bárbaro e desumano está repercutindo em ondas de protestos pelo mundo, não só pessoalmente em passeatas, como também no universo digital. Foi nesse canal que eu decidi me posicionar como pessoa física e posicionar o blog também contra atos racistas e fascistas que vem assolando o mundo.

Nesse processo, o blog perdeu seguidores no Instagram. Contudo, isso não importa de maneira nenhuma para mim e só quis deixar registrado aqui como uma forma de contar a história do blog em um futuro próximo, uma forma de catalogação dos acontecimentos do meu jardim secreto. As pessoas que deixaram de segui-lo por lá não estão alinhadas com minhas convicções e sou grata por não tê-las mais comigo.

Por isso, quando vi que o próximo desafio da tag seria para "mudar o pensamento de alguém", fiquei muito contente. Ele é tudo o que eu precisava nesse momento para fincar as minhas opiniões no blog e para ajudar na conscientização de mais pessoas que o visitam. Vem comigo nessa jornada?

Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.
A luta do meu irmão é a minha luta também.
É a luta por um mundo justo em sua plena justiça.
É a busca pela verdadeira empatia, que vê o outro como igual em sua dissemelhança.
É a reformulação de uma visão carregada pelo mal da cultura em que fomos inseridos ao nascer.
É a consciência dos privilégios que, naturalmente, vamos ter.
Não basta não ser machista, é preciso ser antimachista.
A luta da minha irmã é a minha luta também.
É a luta por um mundo noturno que pode ser habitado por todos sem medo.
É a busca por igualdade de salários e de relacionamentos na esfera trabalhista.
É a reformulação dos olhares enviesados e dos comentários em baixo tom sobre o comprimento das roupas.
É a consciência de que a Biologia também foi infectada pelo vírus secular do patriarcado.
Não basta não ser homofóbico, é preciso ser antihomofóbico.
A luta dos meus irmxs é a minha luta também.
É a luta por um mundo plural em sua plena pluralidade.
É a busca por gêneros e sexualidades livres, sem julgamento.
É a reformulação de uma visão que não vê o amor verdadeiro.
É a consciência do nosso lugar.
Não basta não ser preconceituoso, é preciso ser antipreconceito.
É preciso dar voz e ouvir.
É preciso fortalecer e se sentir fortalecido.
É preciso sorrir por mais tempo do que se chorou.

Esse é um pequeno poema que fiz como um fluxo de consciência. Espero que tenham gostado.
Fiquem fortes e sejam corajosos. Au revoir.
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Durante muitos anos da minha vida, a maior dúvida que eu tive era o que me definia como eu mesma. O  blog, aliás, surgiu como uma tentativa de sanar essa dúvida. Você pode visualizar esse processo na aba "sobre mim", lá no topo da página inicial, em que eu até uso referências de Anne de Green Gables para falar o quanto sou confusa com o que me define como indivíduo único. "Eu sou muitas Brunas e está tudo bem, pois todas elas fazem parte de mim".

Por isso, é bem complicado para mim escrever uma página sobre "ser eu mesma". Afinal, mesmo depois de vinte e dois anos, eu ainda não cheguei a uma conclusão plausível para mim mesma. Quem dirá se ela seria aplicável às outras pessoas? Então, o capítulo de hoje será mais relaxado: apenas pensamentos soltos sobre o que poderia me definir, sobre o que eu penso que sou e sobre o que eu penso sobre o que pensam de mim. Mas, hoje, não usarei palavras.

Quando meus pensamentos estão confusos, as palavras não me bastam. É como se eu nadasse contra uma correnteza familiar, porém intrépida. Minhas forças se esvaem e um bloqueio sobre meus sentidos acontece, eu sou tragada por ela. Quando eu não posso controlar as palavras, pois não consigo nem ao menos controlar meus sentimentos, eu me entrego às imagens.



E quem poderia imaginar que, um dia, um dos capítulos do "Contos Particulares" não seria composto por parágrafos e verbos?

Atualmente, essas são as imagens que mais definem os meus gostos pessoais, meus sonhos e meus sentimentos. Se eu imprimisse tudo o que está presente em meu coração, o resultado seria muito semelhante ao que vocês viram (mas, com muito mais representatividade, o que não consegui encontrar no Pinterest).

E o que estaria impresso nas páginas de SEU Bullet Journal?

Au revoir.
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Um dia entrei no Pinterest para encontrar ideias para bordados novos, quando deparei-me com uma seção de dicas de texto para blogs. Um deles me chamou a atenção na hora: uma cartilha com doze ideias de temas a fim de escrever uma página de história por dia. Os motes apresentados permitiam que a minha imaginação voasse para as terras mais mágicas e, ainda melhor, também permitia que os leitores se sentissem acolhidos nesses tempos de pandemia. Não seria mais justo trazer esse desafio para o blog rapidamente, não é mesmo?

Por isso, nos próximos doze dias, o la petite souris será preenchido por vários textos na seção Contos Particulares. Desejo que vocês gostem dos meus singelos contos e que eles sejam uma forma de diversão e carinho nessa quarentena. O tema de hoje é: "fazer uma pessoa amada sentir-se melhor". Se você quer sentir um quentinho no coração, vem comigo e continue a leitura, hihi.

...

O Sol gentilmente nos acorda. Seus raios são como mãos que acarinham nossos rostos cansados, amassados pelo travesseiro que nos apoia. É o início de um novo dia.

A água que nos banha é sagrada. Ela escorre pelas paredes, quente, e cria uma fina neblina nos lembrando de nossos sonhos de outrora. O que sonhamos hoje? Um turbilhão de histórias desconexas a procura de suas caixinhas cerebrais ou um prelúdio dos nossos futuros brilhantes? O que sonhamos hoje? A água goteja do registro fechado. É o início de um novo dia.

Hoje o dia será bom, porque nós o moldaremos dessa forma. Se a felicidade é um estado de espírito, qual é o prefixo da aeronave que nos levará até lá? Mesmo com escalas infinitas, mesmo com um trajeto permeado por turbulências, mesmo que não gostemos da sua única refeição: amendoins baratos de 50 g. Nós chegaremos ao nosso destino e, então, conheceremos aqueles que reinam o famoso lugar: a paz e a harmonia, em conjunto, sem nenhum índice de regicídio.

"O que fazer para conseguir a passagem para lá?", você me pergunta. Bom, terei que ser sincera: os caminhos são múltiplos e a conexão mais se assemelha a um Buraco de Minhoca infinito do que a uma pista de corrida controlada. Por isso, os bilhetes de embarque são únicos, sim, porém vários e é apenas você quem te conhece melhor do que qualquer um para conseguir escolher um bilhete à perfeição. Mas, claro, posso dar-te dicas que farão jus ao título deste capítulo. Vamos a elas.

- Feche os olhos e volte seu rosto ao Sol. Sinta o calor ativar o sangue que corre em suas veias.
- Respire fundo: uma, duas, três vezes. Perceba o seu pulmão se enchendo de ar, a vida plena percorre suas veias agora.
- Coloque sua música favorita no rádio. Mova seu corpo não no ritmo, mas na melodia da música escolhida. O seu coração bate de acordo com ela. Agora, seu sangue não corre mais freneticamente em um ritmo ansioso, ele corre de acordo com seu coração.
- Coma algo que te faça bem, não só ao cérebro, mas ao coração.
- Leia, assista a um filme ou a uma série. Relaxe. Suas veias também descansarão.
- Faça um leite quente com canela. A bebida dos deuses te fará sentir-se parte do transcendental. 
- Imagine antes de dormir.
- Durma. Suas veias ressonarão ao ritmo de seus bons sonhos.

São esses os passos para fazer alguém se sentir melhor? Com certeza, não para todos.

Saiba apenas que você é amado. Saiba apenas que você basta e que você é a sua melhor versão. Saiba apenas que suas conquistas são maravilhosas e que cada um de nós tem sua própria trajetória, todas suficientes por si mesmas. Saiba apenas que o seu futuro é brilhante e que, com certeza, você tem toda a capacidade do mundo para conquistá-lo.

Saiba que eu sou muito grata por você existir e por visitar o meu jardim secreto. Au revoir.
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Eu estou muito contente por voltar a escrever um post de Sunday Love para o meu querido blog. Este é um dos meus formatos favoritos por aqui, pois eu acredito, com todo meu coração, que compartilhar o amor e exercitar a gratidão são ações excelentes para nos sentirmos bem (com nós mesmos e com o mundo). Ainda mais nesses tempos de pandemia, quando a incerteza, o medo e o pesar formam a tríade que governa nossas mentes... Enxergar o que nos faz sorrir, e o que nos faz sermos gratos pela vida, é ainda mais importante!

E o Sunday Love de hoje está recheado de coisas boas! Tem dica de série, novidades no campo musical, um agradecimento a uma nova amiga virtual e, até mesmo, uma opção de documentário cult sobre a Suécia. Ah, e um novo formato de apresentação que acredito que vocês irão gostar (e que vai deixar meu jardim secreto ainda mais lindinho)! Vamos lá?

Don Matteo



Um tesourinho de série que encontrei por acaso, zapeando pela televisão. Don Matteo conta as aventuras policiais de um padre, no interior da Itália, que é bastante xereta, mas um bom amigo de todos os moradores da região. A cada episódio, acompanhamos um novo crime e as peripécias do capitão Giulio e do Marechal dos Carabineiros até encontrarem o culpado (mas, não sem antes terem a ajuda crucial de Matteo). Além disso, também acompanhamos o dia a dia dos personagens, seus amores, dúvidas e alegrias, o que torna a série ainda mais humana e especial. 

Todos os personagens são tão carismáticos que eu nem consigo elencar um favorito! Além dos carabineiros e de Matteo, também tem a família do Marechal e os personagens que moram junto com o padre e que o ajudam por lá. E se você ainda não se convenceu de assistir só pelos personagens, tenha certeza de uma coisa: as paisagens da série são lindíssimas, recheadas de construções tipicamente italianas e de um tom outonal que deixa tudo mais aconchegante.

A série completa tem 255 episódios, divididos em doze temporadas, com início em 2000 e que está sendo produzida até hoje pela tv RAI italiana! As temporadas completas estão disponíveis na Amazon Prime, mas se você, assim como eu, não está cadastrado nessa plataforma de streaming, não se irrite! Sabe por quê? Porque a tv Aparecida está transmitindo e é por lá que eu estou acompanhando: todas as sextas-feiras, às 20h. Quer saber mais? Entre no site da tv Aparecida.

Exist for Love - Aurora


Ai, ai, ai, que meu coração não aguentou quando apareceu como sugestão de vídeo no meu YouTube o clipe da nova música de Aurora! Ela chama Exist for Love. A letra conta a história de uma mulher que encontrou o amor verdadeiro em seu namorado e se sente forte e completa quando está com ele. Será que nossa querida Aurora está apaixonada? hehehe. Mas, falando sério, a Aurora já celebrou o amor de diferentes formas em seus últimos discos - pela Natureza, pela irmã, pela família no geral, por ela mesma, pela força feminina - então, achei super interessante ela trazer o tipo de amor mais celebrado em sua nova canção. E a fotografia do clipe, com a Aurorinha de sereia, está simplesmente maravilhosa.

Documentário: A Teoria Sueca do Amor


Este é um filme que assisti por causa da faculdade, mas definitivamente não esperava o impacto que ele teve sobre mim. O documentário analisa os resultados de um projeto do governo sueco, em que se estimulava a independência entre as pessoas. Isso contribuiu para que a Suécia atingisse o mais alto nível de individualismo e progresso em escalas mundiais, mas será que a independência dos suecos é tão positiva assim?

O filme toca em diversos pontos que se desmembraram do projeto. Os que mais me chamaram a atenção foi a cena do senhor que se suicidou em seu apartamento e só foi encontrado pelo serviço social dois anos depois, porque ele não tinha ligações humanas que sentissem sua falta. A outra cena foi a da mulher que disse que conversava com as árvores e esperava a resposta delas, o que me causou sentimentos dúbios, pois ao mesmo tempo que achei isso extremamente poético (e algo que eu faria), a ação de conversar com árvores só evidenciou sua solidão.

O documentário também compara a realidade da Suécia e de um país do continente africano (Etiópia?), que está no extremo oposto um do outro nos dados apresentados pelo filme. Entretanto, é fato que mesmo tendo condições precárias de subsistência, o país africano é muito mais amoroso e unido, permitindo uma vida mais completa e feliz. Acredito que está disponível no YouTube!

Jonna Jinton


E foi justamente por causa de A Teoria Sueca do Amor que eu conheci o canal da Jonna Jinton no YouTube! Ele apareceu logo como primeira sugestão para mim e fui conferir mais: a paixão foi imediata. Não sei como demorei tanto para conhecê-la! Seus vídeos falam sobre seu próprio dia a dia em uma cidadezinha do norte da Suécia, lugar pleno em Natureza e que tem a benção de ter o Sol do Meio Dia e a Aurora Boreal em determinadas épocas do ano. Um sonho lindo, não é mesmo?

A Jonna me inspirou a ir atrás dos meus sonhos, mesmo que eles pareçam complicados no começo. Afinal, apesar dos percalços, ela se tornou uma artista reconhecidíssima por suas fotografias de Natureza, suas músicas inspiradas nas músicas tradicionais do folclore sueco, e por usar elementos da natureza em suas pinturas. Tenho certeza de que você amará explorar as playlists do canal dela.

Ateliê Daydream - Márcia Porto


O Instagram já me proporcionou momentos de pura alegria e gratidão e conhecer essa fadinha ilustradora foi um desses momentos. A conta da Márcia Porto, o Ateliê Daydream, é um recanto de encantamento se você é fã de ilustrações, magia, natureza e estúdio Ghibli. Ela é lá de Maceió, mas faz encomendar para o Brasil inteirinho com o frete fixo de R$ 8!

Estou apaixonada pela possibilidade de ela ilustrar a primeira letra do meu nome (R$ 30) e, também, por sua mais nova novidade: a caixinha de ilustrações, feita sob encomenda. Quer explorar um pouquinho mais do trabalho dela? Então, vem conhecer sua lojinha e depois me conta qual foi sua ilustração favorita, tá?

Netflix: Cozinhando com Nadiya


Por fim, meu novo achado na Netflix: Cozinhando com Nadiya. Se você era fã de The Big Family Cooking Showdown, versão da BBC, então você conhece a Nadiya. Ela é uma querida chef de cozinha que apresentou o reality show aí de cima, além de ter sido a vencedora do Masterchef. É pouco ou quer mais? haha

Em seu novo programa para o streaming, ela dá dicas de refeições práticas, deliciosas e que podem ser feitas em poucos minutos. Para mim, que estou começando a me aventurar nesse cômodo da casa, o programa da Nadiya é um prato cheio (desculpe-me pelo trocadilho) para que eu não me estresse e consiga fazer pratos que alegrarão a todos daqui de casa. Se você gosta de cozinhar, assista!

Esses foram os motivos que me fizeram ser grata nos últimos meses, desde que o isolamento social se iniciou aqui em São Paulo, capital. E quais são os motivos pelos quais VOCÊS são gratos, mes amis? Deixe aí nos comentários dicas do que fazer, assistir ou ouvir na quarentena, pois compartilhar o amor é permitir que o amor entre também em seu coração.

Au revoir.

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A menina olhou para o céu - ele era azul. O que mais ela poderia esperar de um céu de abril?

Então, ela olhou para o chão - ele era marrom. O que mais ela poderia esperar de um chão de terra batido, um fragmento inconsistente do passado no meio da cidade grande?

Mas, seus olhos viram um brilho. Ela decidiu segui-lo... Aonde um brilho dourado, cintilando como dúzias de vaga-lumes pisca-pisca, poderia levá-la? Aquilo não era comum... Seu senso de curiosidade apurado em doze anos ficou em alerta.

O brilho subiu e desceu quando se viu observado, porém, resolveu que seguiria seu plano original. O plano? Subir o muro, atravessá-lo e chegar até a floresta que despontava de detrás da casa da menina. O muro tinha um buraquinho, viu por vim o brilho corajoso. Pra que pular um muro então?

Mas, a menina precisou pular o muro para conseguir seguir o brilho... Que esforço exagerado por causa de uma coisinha que não tinha nem cinco centímetros de diâmetro! Só que a curiosidade era maior do que sua própria fadiga e ela pulou o muro, correndo pela trilha que levava dos fundos da sua casa até a floresta. Uma toca de coelho ultrapassada aqui, um montinho de folhas secas espalhado ali. Galhos se quebravam aos seus pés.

O brilho chegou à floresta ao mesmo tempo em que a menina o alcançou. E, então, o brilho ficou mais forte, mais poderoso e tomou conta do campo de visão da menina: ele cresceu, cresceu e já não era brilho mais. Era uma outra menina de cabelos ruivos encaracolados e nariz arrebitado. Só que ela tinha algo a mais do que sua perseguidora: duas asas brilhantes e lindas, que a retirava do mundo real e a fazia fada.

"Olá, obrigada por me ajudar a encontrar minha casa", disse a fada à menina de boca aberta. "De nada", foi tudo o que ela conseguiu responder. A fada sorriu e tocou a testa da menina.

Então, ela acordou em sua cama. Eram sete horas, segunda-feira, 23 graus Celsius na rua. Levantou um pouco tonta e olhou pela janela: cadê a floresta que havia ali?
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A Stephenie Meyer anunciou, há poucos dias, que ela vai finalmente lançar Midnight Sun e nós já estamos aqui como? :D

Acho que nunca comentei por aqui que Crepúsculo foi uma das primeiras sagas literárias que eu li. E, desde o primeiro momento, minha relação com o romance estrelado por Edward e Bella foi bastante conturbada. Entre amor e ódio, desprezo e uma secreta paixão, eu nunca admiti para mim mesma que eu gostava, sim, da série. E, acredita que esse sentimento só se estabilizou quando eu li a notícia de que a autora lançaria um novo livro? Pois é, ainda mais que esse livro será sob o ponto de vista do Edward, meu queridinho na época em que li pela primeira vez, e o personagem mais negligenciado psicologicamente da saga na minha opinião.

Então, para comemorar o retorno de Crepúsculo e o novo design do Blogger (hehehe), eu vou responder à tag Twillighter Book Tag, criada pela fofa da Beatriz Paludetto lá no YouTube. Vamos lá?

1- Qual foi seu primeiro contato com a saga?

Eu já tinha ouvido falar da saga, pois ela ficou bastante popular logo quando foi lançada no Brasil. Porém, foi por meio da minha prima que pude ler o primeiro livro, pois ela sabia que eu era uma ratinha de biblioteca e me emprestou sua edição.

2- Qual o livro e filme preferido e porquê?

O meu livro favorito é Amanhecer, porque é o maior em número de páginas e eu gosto muito de como a autora desenvolveu a batalha. Infelizmente, não consegui sentir a mesma emoção de quando eu li no filme, por isso, escolho Lua Nova como a minha adaptação preferida.

3- Personagem preferido e personagem mais odiado

Eu gostava muito do James, irmão do Edward, não sei por quê! E da Alice também, achava o cabelo dela lindo e meu sonho de consumo, na época, era ter um Porsche amarelo como o dela. Meu personagem odiado? O Jacob! Sempre tive um ranço dele gigante. 

4- Qual musica da trilha preferida?

AAAAAAA. AAAAA. Minha música favorita, não só da trilha sonora dos filmes, mas da vida é Bella's Lullaby, a música que o Edward criou para a sua amada.

5- O que a saga representou para você na sua vida literária?

Como eu disse lá em cima, essa foi uma das primeiras sagas que eu li e isso me fez querer ler ainda mais livros em série. Foi por causa de Crepúsculo que eu tomei coragem para ler Percy Jackson, que se tornou minha série de livros favorita e me moldou como leitora.

6-  Team Edward ou Team Jacob?

Team Edward... Team Bella tenha mais amor próprio e estude sobre feminismo.

7- Já leu ou escreveu uma fanfic de crepúsculo? Indique uma!

Ah, não. Tsc, mas quem sabe agora com o novo livro, eu escrevo um conto de fanfic para o blog, hihi.

8- O que você adquiriu em decorrência da série? 

Não entendi muito bem essa pergunta. Se for de produtos com o tema Crepúsculo, eu tive dois imãs de geladeira com a fotinho dos personagens: da Alice e do Jasper, haha.

É isso, pessoal. E vocês, gostavam de Crepúsculo? Estão ansiosos para ler o novo livro?

Au revoir.
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Ilustrar/pintar sempre foi uma das atividades que mais me falaram ao coração. Tanto que se fosse entrasse em meu quarto para uma busca, conseguiria encontrar, facilmente, cadernos recheados de desenhos e um estojo lotado de lápis de cores semi usados e borrachas esfarelentas. Aliás, até mesmo meus antebraços estariam rabiscados com coraçõezinhos borrados.

Essa atividade sempre foi um excelente mecanismo de relaxamento para mim. Quando ler já não conseguia atiçar a minha imaginação, quando o audiovisual só me fazia mais ansiosa e quando a música não sobressaía, em meus ouvidos, da fúria ressonante de meus pensamentos, era com a ilustração que eu mais me entendia. E lá ia eu procurar uma folha sobrando de algum caderno que desse sopa.

Assim, meu maior sonho, por muito tempo, foi desenvolver essa habilidade e poder liberar minha infinita imaginação em outro canal quando as palavras me faltassem. Porém, depois de muitas tentativas, percebi que meu talento era exclusivamente do alfabeto! E, assim resignada, meus projetos de contos ganharam força imediata e os desenhos voltaram a fazer parte de um outro hobby.

Quem diria que encontraria, no bordado, a minha realização quanto à pintura! Poder decorar meu quarto com bordados feitos por mim (e com projetos de presentear pessoas queridas com eles um dia) é uma felicidade imensa e sentir meu lado artístico super aflorado é um combustível muito potente para mim também.

Mesmo mais resignada quanto ao desenho, não pude expulsá-lo de um lugar tão quentinho em meu coração. E como este blog é uma extensão pública, em algoritmos e HTML, dele, hoje gostaria de compartilhar com vocês um dos meus desenhos mais recentes e que me deixaram bastante orgulhosa. Fiz ele para um post no Instagram do blog (@bloglapetitesouris) em que compartilhei meus artistas ilustradores favoritos, com elementos que também são uma extensão, senão personificação, evidente dos meus gostos principais.

Nele você encontrará: uma garota, que representa a mim mesma, com seu vestido de bolso e flores no cabelo; o Sem-Rosto, personagem do filme A Viagem de Chihiro, e que é o meu espírito favorito do universo Ghibli; e flores, flores por toda a parte e em primeiro plano em um mundo extremamente conectado com a Natureza e respeitoso à ela. Por perto do caderno de desenhos você também poderá encontrar gizes de cera, técnica de coloração que mais me encanta no momento.

Quer conferir de mais pertinho? Então, rola para baixo!






E qual é a sua relação com desenhos/pintura? Você tem habilidades para isso? 

Ah, seria muito legal se vocês compartilhassem comigo seus desenhos! Assim, poderia fazer um post especial com eles aqui no blog e divulgar o trabalho de todos, pois todos os talentos merecem ser aplaudidos de pé pelo menos uma vez na vida (obrigada pela inspiração, R. J. Palacio!).

Au revoir.
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Bonjour, meu nome é Bruna. Sou uma ratinha de biblioteca, adoro fotografar a natureza, andar por ruas desconhecidas e escrever tudo o que me vem a cabeça. Obrigada por visitar o meu jardim. Abra seus olhos e amplie sua imaginação. Talvez você precise bastante por aqui.

Quer se comunicar comigo? bubslovegood@gmail.com

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Disclaimer

A ilustração do cabeçalho deste blog pertence à ilustradora Penny Black e foi usada para fins puramente estéticos.
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Programado por Maria Eduarda Nogueira. Base do tema por ThemeXpose