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La Petite Souris

O vídeo da quarta-feira passada no canal do YouTube do blog foi as minhas respostas para a The Happy List Book Tag, uma tag literária criada pela Melina Souza - dona do blog Tea with Mel - e que, acredito, é a tag perfeita para a vibe do canal.

Vem conferir as minhas resposta e já se inscreva, ative o sininho e comente por lá também.

Beijos açucarados e au revoir.

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Sentada no sofá.

Cheiro de pinho e café no ar incandescente.

Suspense em notas a la Hitchcock.

Um sorriso refletido no caco de um espelho quebrado.

A reflexão de mil sorrisos em mil olhares de mil espaços siderais.

Ele refletia também um pedaço solto de tule rosa.

Sonhos inspirados em Tchaikowsky.

Uma tarde cinza de inverno despontava lá fora.
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Olá, mes amis. Como vocês estão? Espero que estejam todos bem, corajosos e fortes!

Por aqui, eu estou muito contente, pois estou dando vazão aos meus projetos pessoais para o blog e, além disso, hoje mesmo comecei a fazer parte de um clube do livro, algo que sempre quis fazer. Legal, né? Ah, e lá pelo YouTube do blog também tem novidades com a estreia do segundo vídeo.

O tema? Psicologia Positiva! Vai lá conferir mais sobre o que eu falei e não esquece de já deixar seu curtir, se inscrever no canal e ativar o sininho para receber as notificações, ok?

Acho que por hoje é só. Beijos açucarados e au revoir.

ps: eu também estou maratonando "Rei Eterno" e "O que há de errado com a Secretária Kim", e tô triste por eles estarem se aproximando do final. E eu também assisti ontem a "Grande Gatsby", filme que não foi nada do que eu esperava, mas que me conquistou da mesma forma, e me fez relembrar o quanto é gostoso ouvir a uma aula de literatura, haha.
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Na parede branca de mármore, havia um botão piscando em vermelho. Acima dele, uma seta indicava o caminho do teto, gigante em abóboda, feito de vidro, seguro por estruturas de ferro pintados de preto. Mal-pintados. A cor prateada do ferro original já era visível através de grandes lascas de tinta perdida.

O outro adorno do botão, mais uma seta, indicava o caminho do chão. Ele era feito do mesmo material das paredes que sustentavam o botão. Mármore branco, ostensivo, predatório. Não havia nenhuma mácula no chão em que ela pisava... Seus cabelos presos em um coque apertado não tinham mais a capacidade de desflorar-se no chão, lançando pequenas esporas feitas de queratina. Os seus sapatos também não tinham deixado nenhuma pegada: sua presença ali, como talvez as de várias outras pessoas que chegaram naquele lugar, não era marcada no tempo.

O botão acionava um elevador.

Assim que ela se aproximou da portinhola que o guardava, o elevador abriu-se automaticamente, revelando-lhe um interior tão branco quanto a sala em que estava.

Ela entrou.

O elevador não tinha música ambiente. Apenas o som das engrenagens que o levavam para cima, para cima, para cima. Ainda sim, para cima. O elevador parecia que percorria o espaço entre o céu e a terra. Ficaria ele nas costas do gigante Atlas? A extensão do caminho lhe parecia que sim, mas sabia que era um pensamento absurdo. Chegaria ao destino pretendido - qual era mesmo? - há tempo. Porém, o elevador não parava de a conduzir para cima, para cima, para cima.

De repente, assim como ele surgiu em sua visão, o elevador parou. As portas se abriram e ela se viu dentro de um corredor.

Lá não haviam paredes. Era apenas o chão, de assoalho cinza, e grades de contenção feitas do mesmo ferro que cobria o teto abobadado da primeira estação. A ela, parecia que estava em lugar completamente diferente: tinha a sensação de estar em um hospital abandonado. Um manicômio.

A sua frente, despontava outro botão, outra luz vermelha. Mais um elevador.

Ela sabia que tinha que entrar nele. Entrou.

O elevador era igual ao outro. Mas, uma coisa nele era diferente, não só do outro elevador, quanto de todos os elevadores nos quais ela já tinha viajado. Ao invés de levá-la para cima, ou para baixo, ele a conduziu para as laterais. Assim, ela foi para a esquerda, o peso de seu corpo não conseguindo a sustentar de pé como em um elevador normal. O empuxo a empurrou também para a esquerda, aonde percebeu que pairava uma cordinha de couro no ar a fim de que ela se segurasse durante o trajeto, o que ela fez. 

Dessa vez, a viagem durou menos tempo. Em contagem de raio (um, mississipi; dois, mississipi), ela calculou uma distância de dois minutos. O elevador se abriu, ela saiu e estava em uma antessala comum de escritórios multinacionais.

A situação se repetiu. Mas, dessa vez, ela desceu.

A situação se repetiu. Mas, dessa vez, ela subiu.

A situação se repetiu. Mas, dessa vez, ela foi para o lado direito, acompanhada por um homem rechonchudo e de óculos, que olhava para uma pasta abarrotada de papéis de carta dos anos 1990.

E, a situação se repetiu, se repetiu, se repetiu. Exaustivamente, ela entrava em um elevador, viajava por alguns minutos, saía e se via em uma antessala, corredor, sala, espaço aberto, o qual guardava outro elevador para um novo trajeto.

Se via alguém, ela perguntava a pessoa aonde estavam indo. Mas, assim como ela, ninguém conseguia lhe responder o que estava acontecendo. Para que tantos elevadores? Para que, se eles não levavam a lugar algum?

Tinha vezes em que ela nem saía do elevador. Ela só trocava de um elevador para outro, como em uma estação de metrô. Às vezes, os elevadores eram feitos de vidro, que a permitiam ver o lado de fora: um lugar coberto de vegetação e prédios, que não a confortavam sobremaneira, mesmo que se parecesse tanto com a sua cidade natal.

Os elevadores eram infinitos. O espaço que ela percorria com eles também.

Porém, quando chegou o momento de entrar em mais um daqueles elevadores brancos, como os do início de sua viagem, ela sentiu que sua mente a puxava de volta, com força, para algum lugar. Parecia um elástico estendido que retornava ao seu ponto de partida... E então, ela abriu os olhos.

O sol lançava pequenos raios através dos espaços descobertos da janela. Era o início de um novo dia.
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Ícone do meu canal do YT!

Bonjour, mes amis. Ça va? Como vocês estão?

Por aqui, eu estou explodindo de felicidade, pois, finalmente, coloquei em prática um projeto que estava adiando há anos: criar um canal do YouTube para o blog la petite souris. Sim, você não leu errado: agora, o meu "jardim secreto" ganhou mais uma área de apoio e compartilhamento de amor - estamos no YT com um canal direcionado a tudo aquilo que me desperta felicidade!

Ontem, eu disponibilizei o primeiro vídeo - o vídeo de abertura - do canal e compartilhei com meus amigos mais íntimos só para ver se estava tudo certinho, antes de compartilhar com todos vocês que me seguem. Afinal, eu queria produzir o melhor conteúdo para vocês e não podia errar de forma nenhuma! Agora que sei que está tudo certinho, tchanam! Venham conferir o meu primeiro vídeo! hahaha

Como eu disse mais acima, o canal la petite souris será direcionado para falar sobre tudo aquilo que me desperta a felicidade. E que, acredito, ajudará vocês a encarar a vida de uma forma mais positiva também. Por exemplo, eu falarei sobre livros que trouxeram para mim reflexões positivas sobre a vida; sobre personagens (reais ou não) que me inspiram; filmes e séries que eu quero muito que vocês assistam, pois elas são uma fonte de esperança para o bem... Enfim, trarei para vocês todo o tipo de conteúdo cultural que esteja relacionado com essa área mais positiva.

O canal será como um Jogo do Contente em mp4, hahaha!

E sabe o que é melhor? Vocês, que me seguem por aqui, podem seguir meu canal do YouTube com facilidade! É só entrar com sua conta Google no YouTube, pesquisar na barra de pesquisas o meu nome (Bruna Diseró - não tem erro, pois meu sobrenome é muuuuuito diferentão) e encontrar o canal com um ícone de ratinho em fundo fúcsia/rosa claro. Daí, é só entrar e clicar em seguir! E, ah, já aproveita para ativar o sininho para receber todas as notificações de próximos vídeos (já estou preparando a pauta do segundo vídeo que, provavelmente será sobre Psicologia Positiva).

Eu vou deixar aqui o primeiro vídeo do meu canal pra vocês também. Talvez facilite para que vocês acessem o meu canal, porque é só clicar no ícone do ratinho, que a Internet redireciona direto pra lá. Como você já está linkado na conta Google, é só clicar em seguir.


Eu espero que vocês gostem do meu primeiro vídeo e que deem todo o seu apoio (tão importante para mim aqui no blog escrito) por lá também.

Au revoir!
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fonte: @meduardanog

A Maria é uma menina doce, inteligente e determinada que tenho orgulho de chamar de "filhota". Afinal, sou sua veterana na faculdade e ela me deu o privilégio de poder fazer parte de sua família universitária. Sou muito chique, né? hahaha. Mas, para além do meu óbvio amor de amiga por ela, preciso dizer que ela é uma profissional incrível para além das minhas lentes cor-de-rosa. E me inspira muito com a sua dedicação pelo gerenciamento de mídias sociais, uma área que ela tira de letra.

Junto com sua paixão pelo design, ela criou um Instagram (com um feed organizadinho, ai ai ai) que dá dicas para nós, criadores de conteúdo, para bombar nossas redes sociais e nossos blogs, mas continuando a produzir conteúdos que se identificam conosco e que importam para as outras pessoas. Quer conhecer mais um pouquinho dela e do seu projeto lindo? Vem conferir essa entrevista!

O que te fez criar um IG?

Sempre gostei muito de consumir conteúdo no Instagram, de diversos nichos. E aí já tinham alguns meses que eu estava vendo muita gente lançando projetos legais na rede, principalmente relacionados à comunicação, que é a minha paixão. Então, resolvi juntar as duas coisas em uma experiência meio metalinguística: falar de comunicação digital em uma rede social. 

Como você decidiu o título dele?

Foi uma coisa que surgiu do nada hahah eu sempre falei muito para meus amigos mais próximos sobre como a internet era cheia de conteúdos que não agregavam de verdade aos seguidores. Uma prática que eu acho total furada é a tal do vídeo de recebidos, porque no fundo você não traz nada que realmente informa e ajuda seu público a consumir mais conscientemente, você apenas mostra o que uma empresa te mandou para aumentar o alcance de marca dela. Então, em um insight muito espontâneo, eu resolvi pelo "Conteúdo que importa", que de bônus tem uma sigla bem fácil (CQI). E quando eu falo conteúdo que importa não é tentando classificar os nichos – um conteúdo sobre maquiagem não importa menos que um sobre história – mas sim valorizar a autenticidade em todos os ramos.

Quais são suas maiores inspirações na hora de produzir conteúdo para ele?

Gosto muito do Tiago do "Tira do papel", da revista Glamour, da Manu Gavassi e de sua agência Cute but Psycho (que na minha opinião é um super case de autenticidade). Adoro o perfil da Nina Talks, apesar de não ser o mesmo ramo que o meu. Também bebo muito na fonte de inspiração do Pinterest quando penso no design dos posts.

Qual é o seu objetivo ao ensinar as pessoas a produzirem conteúdo para as redes sociais?

Acho que o principal é mostrar para todo mundo que a produção de conteúdo não deve ser restrita a quem tem mais de 10 mil seguidores. O conteúdo que importa é aquele autêntico e ponto. A micro influência que você pode exercer em suas redes sociais pessoais pode ser muito poderosa. Por exemplo, no meu Instagram pessoal eu falo muito sobre leitura e já recebi diversas mensagens de pessoas falando que retomaram o hábito de leitura influenciadas pelo meu conteúdo. 

Você acredita que as redes sociais serão o futuro para todos os criadores de conteúdo?

Não só o futuro como, na minha opinião, é o presente. Pensar em conteúdo offline hoje é bem difícil, pelo menos pra mim. Como parte da geração de nativos digitais, a internet está intrínseca no meu processo criativo e no que eu enxergo para meu futuro profissional. Mas nesse ponto acho importante ressaltar que o modo que os criadores de conteúdo se comportam nas redes sociais não deve ser diferente de suas personalidades no "mundo real". Essa dissonância de discurso pode acabar com toda a autoridade e influência que um creator conquistou. É um pouco do que vimos no caso da Boca Rosa no BBB: apesar de sempre falar de girl power em suas redes, mostrou algumas atitudes não tão feministas assim que geraram seu "cancelamento".

fonte: @conteudoqueimporta

Você poderia dar dicas rápidas para quem tem um blog, por exemplo, e quer expandir sua produção para as redes sociais?

A primeira coisa que eu diria é identificar em qual rede social o seu conteúdo se encaixa mais. Hoje em dia tem muita gente no Instagram e esse costuma ser o caminho mais seguido, porém é importante olhar para outras redes também. Por exemplo, estamos vendo uma expansão enorme do TikTok, com "anônimos" conseguindo milhares de seguidores em poucos meses. 

Também recomendaria investir no Pinterest, porque é uma das redes que mais dá tráfego para o blog. E geralmente um tráfego mais qualificado, porque as pessoas não clicam em links no Pin a não ser que estejam genuinamente interessadas. 

Por último, uma dica que daria para todo criador de conteúdo: valorize a autenticidade. Seus traços de personalidade podem ser o que vão diferenciar você do resto. 

O que te fez criar um IG e não qualquer outra plataforma?

A identificação entre o tipo de conteúdo que eu gostaria de produzir e os recursos da plataforma. Sou uma pessoa que valoriza demais o aspcecto visual e o IG é uma rede que prioriza isso. E também o fato de que eu estou no Instagram o tempo todo haha é a rede social mais familiar pra mim e onde está a maior parte do público que eu quero atingir: jovens interessados em comunicação digital e discussões sobre influência.

Você já pensou em desistir do IG? O que te fez ter esperanças para continuar?

Por mais que o CQI seja bem novinho, já pensei sim. Acho que por mais questão de autossabotagem, por não me achar boa o suficiente. O algoritmo pode ser cruel às vezes também. Mas o que mantem minhas esperanças é meu fascínio pela comunicação digital e por acreditar que posso mudar o jeito que as pessoas consomem e produzem conteúdo na internet. Nem que eu impacte 2 pessoas, já sinto que é missão cumprida.

Qual é a mensagem que você deseja passar com seus posts? O que é um "conteúdo que importa" para você?

O lema do CQI é "comunicação digital para quem valoriza autenticidade", então minha mensagem está diretamente relacionada a isso: seja autêntico, você pode se tornar um produtor de conteúdo na internet e exercer uma nano (ou macro) influência nas pessoas. Conteúdo que importa é aquele não pensado para números, mas sim para pessoas reais atrás das telas. É aquele que não segue fórmulas padrões só porque todo mundo está fazendo ou porque aquele é o "jeito certo" de viralizar. 

Você quer acrescentar algo que deixei passar?

Queria ressaltar que o objetivo do CQI é atingir tanto os creators profissionais como os amadores. Embora com níveis diferentes de exigência, uma coisa é certa para ambos: produzir conteúdo não é algo fácil e isso deve ser valorizado. 

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Nina Redmond é uma bibliotecária que passa os dias unindo alegremente livros e pessoas – ela sempre sabe as histórias ideais para cada leitor. Mas, quando a biblioteca pública em que trabalha fecha as portas, Nina não tem ideia do que fazer. Então, um anúncio de classificados chama sua atenção: uma van que ela pode transformar em uma livraria volante, para dirigir pela Escócia e, com o poder da literatura, transformar vidas em cada lugar por que passar. Usando toda a sua coragem e suas economias, Nina larga tudo e vai começar do zero em um vilarejo nas Terras Altas. Ali ela descobre um mundo de aventura, magia e romance, e o lugar aos poucos vai se tornando o seu lar. Um local onde, talvez, ela possa escrever seu próprio final feliz.

Romance (chick-lit) // 304 páginas // Arqueiro // nota: 4/5

Um dia, quando era pequenina, prometi a mim mesma que nunca leria romances. "Eu gosto é de aventuras, livros de verdade", dizia à época. Quando poderia imaginar, então, que resenharia um chick-lit pra cá?

E justamente seria um romance que me curaria de uma imensa ressaca literária? E que me inspiraria tanto com sua protagonista? Aqui, acompanhamos a história de Nina, uma bibliotecária que se vê quase demitida e precisa decidir o que fazer da vida depois que a biblioteca fechar. Tímida, ela não quer dar um passo tão ousado, mas não tem jeito: quando a ideia de montar uma livraria itinerante surge, ela parte para as terras da Escócia em busca de uma van e de seus sonhos.

Eu me identifiquei demais com a protagonista. Em tudo que a Nina fazia ou gostava, lá estava eu refletida: o amor por livros, sentir que lugares mais calmos e ligados à Natureza são meu lar, as pequenas ousadias que transformam a gente por dentro... Era como se Jenny tivesse se inspirado em mim para compor a personagem!


Assim, me vi envolvida pela história rapidinho! Adoro o prefácio do livro com as dicas para leitores, bem como a forma de escrever da autora. Ah, e também gostei muito de como ela descreveu a vida na Vila escocesa (me deu vontade de ir morar lá). Minha parte favorita? A descrição do festival de Midsummer! ps: é muito caro viajar para a Escócia, Google pesquisar (hahaha).

O livro é bem rápido de ser lido e uma forma muito gostosa de passar as tardes de férias. Se você nunca leu romance (ou tem preconceito assim como eu tinha), recomendo essa leitura. Afinal, mais do que a jornada de uma mulher em busca de seus sonhos, o livro é uma homenagem a todos nós, leitores.


E você, já leu? O que achou? 


Au revoir.
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tea cup gif | Tumblr


O chá era eternamente quente. 

Eterno como ele, parado à porta com um fedora negro como céu sem estrelas em suas mãos.

Saía fumaça de lá.

Ele lhe ofereceu o líquido fumegante com um sorriso de alegrias borradas.

"Tome. Você irá deixar neste mundo as lembranças dele".

Ela tomou. Se esqueceu.

Esqueceu do quê? Não daquele que lhe oferecera o chá certamente.

Viu que os olhos dele vertiam em lágrimas amargas...

Mas, o chá era tão doce.



(conto baseado no dorama "Goblin", produzido pela tvN e disponibilizado, no Brasil, pelo Viki)
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Inglaterra, século XIX. Oliver Twist chegou ao mundo numa noite bem fria e nada promissora. A mãe morreu em seguida, e ninguém tinha a menor ideia de quem fosse o pai. Órfão e pobre, o menino passou por todo tipo de privação, até ser vendido a um coveiro. Maltratado, acabou fugindo e foi viver nas ruas de Londres, onde conheceu Fagin, chefe de uma quadrilha de meninos especialista em furto de joias. É o início de uma história comovente, cheia de desafios e reviravoltas. Obrigado a roubar, Oliver começa a se meter numa grande enrascada, mas nem imagina que, em meio a tamanha confusão, o destino trará à tona os segredos de sua origem.

Aventura - Clássico // 352 páginas// Principis//nota: 5/5

A minha história com Oliver Twist é de longa data. Foi pensando em ler ele que, acidentalmente, comprei Tom Sawyer e me apaixonei. E depois de tantos anos querendo ler Dickens, encontrei essa edição ao acaso e não pensei duas vezes antes de a comprar.

Pensando em retrocesso, fico feliz por não ter lido Twist antes. Eu era muito nova para uma história tão complexa e densa como essa. Isso porque o livro traz uma Inglaterra suja em todos os sentidos: é o submundo de Londres o local que mais temos contato ao longo da história, recheado pelo que não associamos com a Inglaterra de hoje - pobreza, degradação, bandidos e a realidade cruel de um período tão romantizado, a época vitoriana.

Aqui acompanhamos a jornada de Oliver, um órfão que, desde cedo, foi maltratado por quem deveria cuidar dele e que se vê sozinho tendo que enfrentar as mazelas do abandono. Ele, então, acaba nas garras de Fagin, um personagem tão complexo quanto o resto do livro, que comanda quase toda a bandidagem de Londres e pega Oliver para ser um de seus pequenos batedores de carteira.


Mas, o coração gentil e bondoso do garoto não se corrompe com o meio em que vive. E, depois de muitas aventuras, acaba encontrando seus pares em meio a uma intriga familiar que o ajudará a conhecer suas origens.

Para além da aventura, o livro foi para mim um lembrete constante do quanto é importante nós conhecermos todos os lados da História. Nada do que Dickens já esperava fazer com sua obra, aliás, já que ele é o mestre em retratar a Inglaterra pela ótica dos menos abastados. Sua escrita é dinâmica, mas principalmente, ácida, beirando ao sacarsmo. Ele conversa com a gente e nos fazer ver que também somos culpados pelo que Oliver, e tantos outros, sofrem por não serem privilegiados.

Mas, apesar de tantas ironias e tanto realismo, o livro termina com uma mensagem de esperança e paz. Confesso que isso foi um alento para o meu coração que já não aguentava mais ver o pobre do Oliver sofrer! Mas, é inegável dizer que outra parte do livro, senão o fim de todos os "vilões" da história, foi a melhor! Principalmente a de Fagin...


E você, já leu ao livro? O que acharam dessa obra clássica da literatura britânica?

Confesso que todas as vezes em que penso em Charles Dickens, a musiquinha da série Horrible Histories, da BBC, fica tocando em looping na minha cabeça, haha.


Essa música é a minha favorita da série inteira e sempre encontrarei um jeitinho de a compartilhar com mais pessoas por aí, hihi.

Au revoir.
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(Areado, Minas Gerais - julho de 2019)
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When the Weather is fine | Wiki | • Doramas Brasil • Amino
fonte: Amino

o seu coração congelado não batia no ritmo de um relógio. não. suas batidas eram suaves como as ondas quebrando na orla da praia, felizes pelo encontro com sua amante e com a possibilidade de beijá-la sem nenhum impedimento. o seu coração batia assim: medroso com a felicidade que se anunciava, pois não queria criar expectativas sobre sua inexorável finitude. era um coração congelado portanto.

em meio ao caos de amor em que ele vivia, já não podia mais discernir felicidade real com a imaginária. todos elas formavam uma mesma massa bolorenta que não permitia desassociação. por isso, ele repetia, mentalmente, o mantra que criara para si mesmo na época de colégio: viver um dia de cada vez. e ainda outro, que anunciava: o mais importante da vida é comer, dormir e trabalhar - se todas essas etapas forem cumpridas no dia, esse será um dia feliz.

assim, ele passava seus dias. cercado por livros de capas brilhantes, de autores brilhantes - e outros, nem tão solares assim - ele sorria com a simples preparação de um café. a borra, que já exalava aromas fantásticos sem nenhuma água para aquecê-la, era posta em um coador de papel, após uma modesta rega deste. ele, então, entornava a água fumegante. era a criação em seu mais puro sentido. adoçava? só se o cliente pedia...

mas, que cliente aparecia por ali? dois ou três no máximo. por semana. e ele ocupava sua mente com a produção de um blog muito parecido com este, mas que permitia uma liberdade sentimental muito maior.

porém, nada disso importava. não importava o quão aconchegante era o espaço em que estava, com sua atmosfera de comédia romântica natalina, o cheiro de livro e café se misturando no ar. não importava que, quando ele voltasse para casa, encontrasse uma família barulhenta e amorosa, pronta para enchê-lo de tapas ou de beijos (ninguém nunca apurou qual era o mais carinhoso entre os dois). não importava que todos na cidade o conhecesse e o tratasse como um deles.

porque ele, de fato, não era.

ele era o filho do lobo cinza que morava nas montanhas da floresta. ele tinha a sobrancelha prateada dele sobre os olhos que o permitia enxergar a verdadeira natureza de quem o cercava. ele brincava com besouros-rinoceronte e conhecia cada reentrância das montanhas como as linhas em M da sua palma da mão.

ele era um espírito livre, selvagem.

mas, como um espírito desses poderia ter seu coração congelado? como, se ele acordava com o sol todas as manhãs e inalava sua energia revigorante todas as tardes? ninguém sabe ao todo... alguns dizem que seu coração se congelou quando o lobo que o guiava sumiu. outros, quando aquela que iluminava seus olhos como centelhas da clareira de outono, foi embora sem aceitar o seu besouro-rinoceronte. entretanto, os mais perspicazes dizem que foi quando ele olhou pela primeira vez para aqueles que o acolheram em um dia de chuva: com medo de que tivessem o mesmo destino do lobo, ele reteve o seu amor no mais fundo quarto do miocárdio. e, com tanto espaços vazios de uma só vez, seu coração não acostumado aos invernos rigorosos do vilarejo, entregou-se ao gelo.

mas, será que para sempre?

talvez não. porque aquela que o olhava como todos os outros, mas para quem ele olhava de forma diferente desde seu primeiro encontro, tornou a vê-lo diferente após uma longuíssima viagem a capital. com suas malas abarrotadas de insegurança, e sem seu celular, ela voltara com a esperança de recomeçar. ele a viu do alto da colina enevada. e percebeu que seu sorriso brilhava de forma distinta para ele, só para ele, quando as luzes voltaram a pisca-piscar em amarelo na meia-noite dos reencontros oficiais.

ela o amava afinal?

ela disse que sim em um sussurro. ele não conseguiu dizer nada.

mas, as montanhas não deixariam seu filho desamparado em momentos tão cruciais quanto esse. insuflou seu coração de vida com uma brisa leve de inverno a embaraçar seus cabelos. permitiu que ele criasse expectativas pela breve duração de minutos. ele retribuiu (ou confessou?) o amor que ela sentia por aquele que deu aconchego e calor ao seu coração.

e, então, o coração dele queimou. o tiquetaquear ritmado que se podia ouvir saindo dele naquele momento era retumbante.
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* esse conto foi inspirado no dorama "When the Weather is Fine" da JTBC, disponível, no Brasil, pelo site Viki.
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"Um clube de artes para o proveito de todos". Essa é a primeira frase que encontramos quando visitamos o blog Doukyuusei, criado pela miss Snow. Mas, acredito que o seu cantinho na Internet é muito mais do que isso: ele é uma janela para um universo oriental que nos encanta em sua arte, em sua gentileza de palavras e em sua aura que brilha como o mais quente sol de verão. E a miss Snow é o espelho (ou seria o contrário?) desse blog tão vibrante... Quer saber o por quê? Então, vem conhecer mais um pouquinho dela e de seu jardim que explode em criatividade.
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fonte: @booshizora
O que te fez criar um blog?

Creio que a curiosidade foi o que me levou a isso, ao menos com a minha primeira experiência tendo um blog. Como quando descobri a existência dessa parte da internet calhou de ser a minha primeira experiência tendo um computador em casa, então pensei que seria uma experiência nova tentar gerenciar um - só não imaginava o quão longe essa curiosidade poderia me levar, já que aquele meu primeiro blog acabou dando origem a um segundo blog que, ao menos com esse eu tinha algo bem marcado em mente. Publicar meus textos, minhas fanfics e o que mais a minha cabeça quisesse.

Como você decidiu o título dele?

Como tive uma experiência quase traumática escolhendo o nome do meu primeiro blog, com o segundo eu queria ao menos que algo saísse diferente. Então eu queria um nome que não me limitasse, não fosse pessoal, ansiava por algo novo, e foi lendo um mangá chamado Doukyuusei que acabei tendo esse desejo atendido! A sonoridade desse nome era tão gostosa que acabou me cativando (além de representar o meu lado que gosta muito de perder tempo lendo mangá ah-haha!), pois "doukyuusei" (do japonês 同級生, significa "colega" ou "colega de classe") tem um significado que não me limita em nada e, agora pensando nessa resposta percebo que o termo "colega de classe" interage muito bem com o subtítulo que acabei dando à ele não muito depois de criá-lo.

Passei a chamar o Doukyuusei de "clube de artes" meio que de brincadeira e isso acabou refletindo uma parte de mim que nunca havia notado. O quanto eu queria ter tido uma experiência mais excitante na escola, ter feito parte de um clube, ter sido alguém mais empolgada como o faço com ele enquanto um blog. Eu me libero de qualquer coisa quando escrevo, eu sou animada, agitada e leve também - não uma garota apática e rabugenta como fui nos meus dias escolares. Acredito que ter escolhido Doukyuusei como o nome desse blog me fez mais bem do que eu poderia imaginar!

Quais foram (e são) suas inspirações tanto na hora de escrever, quanto em outros aspectos como fotografia e arte?  

Minhas inspirações vêm daquilo que consumo diariamente, seja música livros ou a mera vivência. Literalmente tudo ao meu redor é capaz de me inspirar, mas isso é crédito da minha alta capacidade de cocriação, pois eu posso pegar mais de um aspecto de uma melodia e escrever em cima disso, ou só ver algo na televisão, uma novela e pensar em como tal posicionamento ficaria em um desenho e rascunhar isso para melhorar depois - coisa que faço muito pouco ah-haha!

Acredito que a capacidade de se inspirar no ordinário faz de um mero blogueiro, dono de um blog pessoal pequeno, alguém fabulosamente grande.

Qual é o seu post favorito de seu blog? Por que? 
 
Ah-haha, eu realmente não consigo pensar em uma postagem favorita! Mas consigo enxergar o tempo que me dediquei a elas, o planejamento que coloquei em cima e o que eu conquistei com o meu esforço (e teimosa) nisso, então eu diria que tenho três exemplos disso - se não for muito exagero para preencher a sua pergunta: em "nove anos de mangás as estantes" consegui realizar um desejo velho meu, o de relatar a minha aventura enquanto colecionadora de mangás, e relatar minhas experiências no meio disso, e devo admitir que criar coragem de olhar volume por volume para separá-los por ordem de ano de compra foi uma aventura no túnel do tempo! mais ainda foi resolver fazer isso numa semana de chuva com pouca qualidade para tirar fotos; em "um projeto fuleiro chamado SKYflame" tive de reunir uma coragem danada para fazer um projeto pessoal de quase quatro anos fotografando o céu ganhar vida! 

Nessa postagem eu relato como foi o processo de criação, perda de motivação e reconquista dela, para manter um projeto que tinha criado só porquê eu madrugava muito lendo mangá; e mais recentemente em "o delírio de ser" e "o deleite de se viver" enfrentei o receio de publicar essas duas coleções de poemas, que mesclam duas coisas que sempre tive medo de separar, a forma como encaro a realidade sendo como ela é e meu ponto de vista sonhador, mas acabou que o retorno que estou tendo com elas me fazem pensar que publicá-las foi algo certo.

fonte: @booshizora

O que te fez escolher um blog e não outra plataforma digital (Youtube, Instagram, Tumblr)?  

Acredito que ter um blog por si só é algo acolhedor, pessoal, que passa a ideia de ser destinado a poucas pessoas. Essas outras plataformas que citou são grandes, e possuem um nível de alcance muito maior, então a ideia do pessoal se perde, pois grande público demanda muito de quem está do outro lado, fornecendo uma parte de si, um momento do seu dia para preparar um conteúdo com todo o coração. Penso que elas mais esgotam do que motivam a pessoa.

Você já pensou em desistir de escrever em seu blog? O que te motiva a continuar com ele?  

Claro que já pensei nisso. Como disse antes, eu já tive um outro blog antes do Doukyuusei, e ele me fez enfrentar tantas emoções que eu realmente me questionei o que estava fazendo aqui. Afinal, qual realmente era a minha motivação em escrever tanta baboseira sobre o meu dia, sem muito nexo, só para preencher algumas linhas em uma postagem? Foi aí que encontrei a minha resposta, um motivo para querer continuar a blogar, a escrever, e essa resposta era criar. Eu queria com todas as minhas forças continuar criando e querendo ou não, ter um blog me fez descobrir isso, me fez enxergar que eu realmente sei escrever, redigir um texto consistente mesmo tendo um mente prolixa. Ter um blog me ajudou a domar esse meu lado prolixo, me fez pensar com calma antes de falar, de escrever e isso, é o que me trouxe aqui - me fez ser quem eu sou hoje!

Qual é a mensagem que você quer passar com seus posts? 

Eu tenho um lema pessoal com o Doukyuusei, e ele é liberar a criatividade. Eu não penso muito nisso quando estou escrevendo e planejando minhas postagens, porém é aqui que esse lema aparece! Eu não penso nisso porque enquanto produzo, eu estou criando e é isso que eu quero que as pessoas que param por lá enxerguem. Eu quero que todas as pessoas se dem a liberdade de criar, de não pegar uma ideia e deixá-la para depois, o contrário disso, que anotem esse pensamento em algum lugar, que exercitem a cabeça e façam algo com essa ideia, que possam ir além do que sequer conseguiriam imaginar!

Você quer me dizer algo que deixei passar?  

Eu sei que você com certeza pensou com muito carinho nessas perguntas, mas eu honestamente esperava por mais além delas ah-haha! Bruna, eu te agradeço muito por essa oportunidade! Por essa portinha que você abriu para minha pessoa no seu jardim, eu me sinto muito honrada em poder fazer parte disso, e me foi muito divertido e esclarecedor poder ser entrevistada por você - muitíssimo obrigada!!!
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... o que é melhor para transitar entre dois universos distintos do que ouvir uma boa música?

E se a música diz tudo o que você gostaria de dizer, tanto melhor. Eu me despeço do desafio que ocupou minha mente e coração durante boa parte desse isolamento social, o One Page Story Challenge, e digo oi para todas as surpresas, alegrias e superações novas que o blog me trará.

Acredito que essa música de The Gothard Sisters será uma excelente forma de dizer que eu sou grata por tudo e que saúdo vocês nessa nova fase do blog. Bem-vindos, mes amis.


Au revoir.
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Serenity Illustration Series on Behance  #sunset #vectorillustration #girlillustration #anzacday #motiondesign #styleframe

(para garantir a seus seguidores que eles estão no caminho certo)

Se os seus olhos brilham com um pôr-do-sol... Você está no caminho certo.

Se seus ouvidos se alegram com o gorjeio dos pássaros... Você está no caminho certo.

Se o seu sorriso se abre com a resposta ingênua de uma criança... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Se a floresta retumba em seu coração... Você está no caminho certo.

Se a sua luta é por um mundo igual... Você está no caminho certo.

Se o seu amor é múltiplo e gentil... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Se os livros pesam em sua estante... Você está no caminho certo.

Se o seu coração é leve como mil vaga-lumes... Você está no caminho certo.

Se o passado é seu amigo, o presente é seu companheiro e o futuro é sem complicação... Você está no caminho certo.

Você está no caminho certo, você está no caminho certo.

Obrigada por estar junto comigo nessa jornada. Você está no caminho certo.
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Charming Ocean Illustrations Show Hundreds of Creatures Under the Sea

(para ajudar um estranho a tomar uma decisão)

João contava os passos que dava na calçada de paralelepípedos. Ele já havia dado 145 desde a porta de sua casa, cor carmim e porta amarela na esquina da... bom, João é reservado e não queremos invadir a sua privacidade.

Seus pensamentos estavam longe dali. João queria identificar o tipo de bolor que havia consumido a parede do seu quarto, porque, assim, ele conseguiria combatê-lo de forma corretíssima. João era biólogo aliás, mas não micologista... Ele precisava de uma segunda opinião.

146, 147, 148.

João esbarrou em alguém. "Opa, desculpa". Mas, ele não recebeu uma resposta qualquer e sim, uma explosão de choro. "Eu te machuquei tanto assim? Ei, me desculpa". João teve que deixar de olhar para baixo e contar seus passos para olhar o seu interceptor. Era um homem com seus 56 anos, barba rala e um tufo majestoso de cabelo que coroava sua careca como uma coroa de louros romana. O seu nariz batatudo estava agressivamente vermelho e os olhos acompanhavam-no com elegante agonia. João não sabia mais o que fazer para se desculpar por ter esbarrado nele. Ou ter sido esbarrado.

O estranho tinha um choro cadenciado que parecia estar arrefecendo. Em seu ínfimo e majestoso último choro, uma fungadela tímida, o estranho olhou para João como que se desculpando.

"Você já viu o fim do oceano?", o estranho perguntou para João de uma forma mais estranha ainda. João estagnou com um olhar perplexo.

"Ahn. Não... Você já?". João sabia que era uma pergunta tola. Mas, o que fazer naquela situação?

"Eu já. Voltei de lá agora mesmo, do fim do oceano. Rapaz, lá é a coisa mais linda do mundo todo. Por isso estava chorando e não vi você cruzar o meu caminho... Desculpa, rapaz. Desculpa".

"Tá tudo bem". Mas, o estranho não saía da frente de João. Ele esperou: será que ele faria alguma coisa estranha? Era melhor correr dali?

"Tsc, você pode me ajudar a tomar uma decisão? É bem rapidinho. Eu saí de lá do fim do oceano e os habitantes do Mar Profundo me deram esses dois pedações de alga, completamente diferentes um do outro e que me deixam encafifado. Eles precisam que eu escolha só um... Qual você escolheria?"

João se retesou. Ele era péssimo em escolhas. Por isso, ele precisava de uma segunda opinião com o mofo destruidor de lares que preenchia as paredes de seu quarto. Mas, aquele homem não sairia dali se ele não o ajudasse, né?

As duas algas eram muito parecidas uma com a outra na verdade. A única diferença era que uma brilhava em azul e a outra, em verde fluorescente. Em seus anos de Biologia, João aprendera que coisas fluorescentes eram ruins na Natureza. Eram perigosas...

"A verde fluorescente, senhor".

"Ah, ah, muito obrigado! Rapaz, obrigado pela ajuda. Bom, deixe-me deixá-lo passar, ok? Obrigado, obrigado e desculpa".

João piscou duas vezes e seguiu o caminho até seus amigos biologistas. O mofo foi resolvido, porém sua consciência não. O que acontecera com ele? Porque quando saía, viu que o velho havia comido a alga com gosto...

Mas, o que era aquilo em seu aquário?

Um peixe novo? Cinza e de olhar brejeiro... Um peixe de olhar brejeiro?

"Rapaz, você me trouxe para o fim do oceano com aquela alga. Aqui é maravilhoso demais, obrigado". 

João desmaiou.
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(sobre as coisas funcionando no mundo)

quando a pandemia passar, eu vou:

subir em árvores.

nadar embaixo do oceano.

catar conchinhas na orla da praia.

sentar em uma praça para ver o movimento passar.

plantar beterrabas. uma árvore talvez.

ir a festas. ser jovem também.

abraçar meus amigos.

sorrir para estranhos na rua (eles verão meu sorriso, aliás).

mudar a rota repentinamente e não seguir o google mapas mais.

quando a pandemia passar, o mundo:

voltará ao normal. ou voltará ao novo normal?

e como as coisas funcionarão no mundo pós tudo isso?

um novo poema precisará ser construído.
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(sobre sua frase motivacional favorito)


Pollyanna é o livro que mudou a minha vida. É o livro que me transformou como pessoa e que me fez encontrar a mim mesma em meio a um furacão.

Pollyanna, menina bonita do laço de fita. Menina que me ensinou o Jogo do Contente. O que ela sente? O que eu sinto?

Gratidão. Obrigada, Pollyanna por me permitir ser a Bruna verdadeira.

Au revoir.
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print & pattern: KIDS DESIGN - marks & spencer

(para fazer alguém rico)

"O que há no final do arco-íris?", eu te pergunto. Anita se fez a mesma pergunta em uma tarde pós-chuva no verão de Janeiro. Ela estava de férias no sítio da avó e aguardava na varanda, junto com seus primos menores e alguns irmãos mais velhos, para poder ir brincar nas largas poças que se formaram no pomar.

Ninguém ali conseguiu responder a sua pergunta. A vovó estava ocupada com a confecção de um delicioso bolo de laranja para o café da tarde. Sua tia Nena havia saído para a cidade em busca de canela para os bolinhos de chuva que estavam programados para amanhã.

Seus olhos piscavam em direção ao céu meio cinza, meio azulado, perscrutando os raios multicoloridos que arqueavam no céu sem fim. Se ela pudesse escorregar naquele imenso escorregador de sete cores, aonde ela chegaria? Na China? Em um imenso poço escuro que a levaria para um mundo de Copas como em Alice no País das Maravilhas? Na boca de um dragão maravilhoso e dourado?

Anita queria saber. Anita precisava saber. Quando sua vovó deu o start para que eles pudessem ir brincar, Anita correu em direção aquele imenso arco-íris.

Corre que corre, pula a pedra aqui, contorna uma cerca ali. Puf, puf, puf. Anita via mais e mais daquele arco-íris: ela se apequenava. Ele se agigantava. E, por estar olhando para cima, Anita não percebeu que chegara ao seu destino. Bateu contra o arco-íris. Ai, ai, ai.

E, então, ela tinha que correr agora para chegar ao seu fim, o margeando. Corre que corre, as mãos de Anita passavam pelo arco macio que a acompanhava... E, então, o que ela via logo a seguir? Um pequeno homenzinho verde e azul de cara feia? Um... um... um duende?

"Ahá, mais uma. Ei, menina, o que você quer aqui?", o duende perguntou com camaradagem.

"Ahn, você é o que há no final do arco-íris?". Anita, evidentemente, estava desapontada.

"Qual é, eu sou legal".

"É. Então tá, preciso voltar, porque hoje a vovó fez bolo de laranja. Adeus, duende".

O duende se exasperou.

"Ei, ei. Calma lá. Isso não é tudo, mana. Ahn, ahn. Um pote! Um pote de ouro, é isso o que eu tenho aqui comigo como o prêmio do fim do arco-íris. Que tal?"

Anita encheu os olhos de alegria. Ouro?

O duende sorriu com malícia. Fisgara mais um para sua coleção de porcelana de amigos para sempre.

Mas, Anita não era boba. Ela percebeu que o duende esfregara as mãos enquanto falava e sentiu um cheiro de tramoia no ar. Ela decidiu responder:

"Não, valeu. Bolo de laranja é mais gostoso. Ô duende, se quiser, eu trago um pedaço para você amanhã". Pode ser? 

E Anita saiu em disparada. Margeou o arco-íris, correu, puf puf puf. Voltou para o sítio.

No outro dia, choveu de novo e no céu se formou um arco-íris. Anita cumpriu sua promessa e conversou mais um pouquinho com o duende. Ele não era tão chato assim... Decidiu que voltaria no outro dia para brincar de esconde-esconde com ele (sua brincadeira favorita). Isso durou uma semana, o período mais chuvoso do mês inteiro.

No domingo, Anita não pôde ir brincar, porque nenhum arco-íris se formara no céu. Ela se entristeceu e decidiu ir dormir mais. No seu travesseiro, um saco pesado tilintava. E um bilhete o acompanhava: obrigado pelas férias divertidas, Anita. Você é minha primeira amiga de verdade e não de porcelana. Esses, eu liberei da minha vida. O ouro é uma pequena lembrança de que voltarei nas próximas férias. Adeus. 
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        Magic Piano - Vertical print, pink, girl, music, flowers, art, print, illustration, gift

(motivar um amigo a começar algo novo)

Judite não sabia nada sobre piano. Ela desconhecia Bach, Beethoven e Mozart. Ela não sabia qual era a diferença entre um piano e um teclado ou um órgão. Mas, Judite precisava aprender a tocar piano em menos de três dias. Era uma questão de vida ou morte. De luz e sombras. Ela precisava manter seu emprego.

Judite arranjara um emprego de meio período na antiga loja de brinquedos do bairro. Lá estava um caos, porque era bem a semana do Natal e pais desesperados saíam às pressas de uma seção para a outra, de uma esquina para a outra, como abelhas em colmeias carregadas de mel, na busca pelo presente ideal para seus filhos. O dono da loja, seu Juarez, nunca imaginaria que aquilo aconteceria um dia com sua modesta loja.

A neta - dezesseis anos, rosto acnento e com um sorriso metalizado lindo que o embelezava - tivera uma ideia para alavancar as vendas da loja do avô em Novembro, depois de uma conversa franca com suas amigas que tinham irmãos mais novos: criar uma conta no Instagram para a antiga lojinha, bem ao estilo vintage, que resgatasse o amor de todos por brinquedos de madeira e pano bordado. A dedicação dos dois dera resultados estrondosos em pouquíssimo tempo: o riso solto de seu Juarez e os contatos de sua neta fizeram a loja viralizar na web. O resultado: a loja já não podia mais respirar em meio a tantos ocupantes desesperados em Dezembro.

Claro que seu Juarez não daria conta de tocar a loja sozinho. Por isso, ele colocou uma plaquinha de "Precisa-se" na janela oeste da loja. E, também por isso, que a vaga foi logo ocupada pela sortuda Judite que passava cabisbaixa pela avenida naquele exato instante em que seu Juarez pregava a plaquinha, e com três palavras (mais exatamente, "faço qualquer coisa") apenas, conseguiu o cargo de vendedora, subgerente e faxineira paft-puft.

Uma semana se passou na maior alegria. Contudo, Judite não estava esperando por aquilo. O que mais ela poderia responder quando seu Juarez, em uma tarde de sexta-feira, perguntou a ela: "mas, Judite, você toca piano? Eu tava é pensando em gravar umas musiquinhas originais pra loja, sabe, aquelas clássicas de Natal e eu queria saber se você pode me ajudar com isso. Melhor música original, você não acha também?". O sorriso amarelo a denunciou? Nunca! Porque em dois palitos, Judite respondeu bravamente: "mas, é claro que eu toco. Pode deixar comigo, Jura!".

E. COMO. ELA. APRENDERIA. A. TOCAR. O. BENDITO. PIANO. EM. TRÊS. DIAS?

YouTube? Será que teria algum professor de piano que toparia em ensinar o básico para ela por menos de R$ 200? Era tudo o que sobrara do salário dela naquele mês de Novembro... E se ela fosse em uma loja de música e ficasse por lá vendo os outros tocarem até absorver alguma coisa?

O que havia feito a pobre Judite ao responder "sim" para o seu chefe?

E, então, Judite olhou para o mural de cortiça pregado no ponto de ônibus. Ele dizia: "ensino você a conquistar tudo o que deseja em apenas dois dias". Dois dias? E ainda sobraria um para escolher o repertório! Judite pegou um dos papeizinhos com o endereço do lugar e seguiu em sua busca por conhecimento. Chegou à rua. O lugar era uma portinha simples com duas janelas pregadas a uma porta de alumínio dupla face. Nada indicava que o endereço era ali, apenas o número na porta... Judite tocou a campainha.

Uma senhorinha desceu para abri-la. Um coque apertado repuxava seus fios brancos. Ela usava um xale roxo por cima do vestido de poás laranjas. Botas de couro macio cobriam seus pés. A senhora olhou para Judite com um misto de anseio e desdém. "O que deseja, jovem?", ela questionou.

Judite explicou tudo. Sobre a lojinha, seu emprego e o piano. Sobre Mozart (um compositor de dentes brancos como um colar de pérolas) e sobre as músicas de Natal do seu Juarez. Em nenhum momento, foi convidada a entrar.

A senhora ouviu a tudo com atenção. Depois da longa explanação, respondeu: "menina, eu só tenho três ordens para lhe dar que resolverão a tudo com maestria. Escute bem com atenção e faça o que eu mandar, senão lhe lanço uma praga que fará crescer erva daninha por seu jardim inteiro. Primeiro, volte ao seu trabalho e peça desculpa para o seu chefe. Diga que falou aquilo de cabeça cheia e que nunca mais fará isso. Ele lhe desculpará, senão não me chamo Odette! Então, volte para casa. Lá você encontrará livros de aulas de piano. Treine com fervor durante três meses. Lá pela Páscoa, você poderá cumprir com sua promessa ao seu Juarez. É dito e feito, flor. O segredo de começar algo novo é ter coragem e determinação, não procurar por coisas mágicas".

Judite se ofendeu com o papo da velha senhora, mas ficou com medo das ervas daninhas também. Fez tudo o que ela recomendou e manteve o emprego, transformando-o de temporário para permanente. Também aprendeu a tocar piano e fez um baile de Páscoa na loja de brinquedos antigos do Jura.

Judite decidiu que era sua obrigação agradecer à velha senhora. Voltou ao endereço. Quando bateu à porta, um jovem de óculos tartaruga atendeu: "O que deseja, jovem?", ele perguntou. Judite disse que queria agradecer a sua avó pelo aconselhamento. "Mas, que vó, ô? Aqui é um escritório de contabilidade há mais de vinte anos. Desculpa, mas você veio ao lugar errado, moça".

Judite não entendeu nada. E ainda levou uma maçanetada na cara!
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              Bambi, Autor: Felix Salten, Ilustrátor: Mirko Hanák

(que permita que alguém escape)

O cervo caramelo olhou para baixo. Suas patas manchadas de branco adquiriram mais uma outra tonalidade, avermelhada. Tentou se mover para banhar sua pata no lago brilhante que avistava à frente. Ele sabia, desde filhote, que as águas dos lagos possuem o poder de curar os mais doentes, os inválidos e aqueles que tiveram seus corações partidos. Sua mãe havia o alertado de que procurasse regiões altas com lagos no centro, porque, assim, ele estaria seguro para sempre. Então, por que sentia que sua pata direita doía com o leve sussurro do Vento Leste?

O cervo tentava se desvencilhar daquilo que o prendia ao lado da Árvore Torta. Ele percebeu que o que se parecia com um cipó, comum na Floresta da Acade, brilhava como as pedras afiadas que ficavam abaixo da cachoeira que findava o seu Lago-Lar. Percebeu também que quanto mais ele entortava a pata, mais aquela coisa estranha o apertava em uma agonia de dor. Fez o que qualquer animal faria naquele momento: cheirou o objeto.

Ah, que cheiro horrível era aquele?

Era cheiro de humano com toda a certeza. Ele poderia, como qualquer animal da Floresta, sentir aquele cheiro a quilômetros de distância, mas as circunstâncias do momento deixaram o seu olfato extremamente prejudicado. Era cheiro de asfalto, nicotina e tecido sintético. Um cheiro que não possuía nenhum equivalente na Natureza: apenas os animais mais preguiçosos o trazia para as clareiras, porque eles chafurdavam os lixos dos humanos à procura da comida que jogavam fora, à luz da Lua Cheia. Preguiçosos, párias. Mas, o cervo sabia que essa realidade seria uma necessidade para todos um dia.

Enquanto humanos invadissem as florestas dessa forma, enquanto eles colocasses dispositivos estranhos para os machucarem e os capturarem - como queria não ter passado por aquele caminho - eles teriam que pensar em soluções para a sobrevivência. Para o cervo, aliás, a solução teria que vir rapidamente. Antes do pôr-do-sol e antes que os passos das botas dos humanos (ele começava a sentir seu estremecimento no chão de terra) se aproximasse mais e mais.

O cervo olhou para cima. O luminoso céu azul de nuvens brancas estava coberto pelas copas das árvores como uma renda verde. Nada poderia ser visto ou ouvido naquele ponto da Floresta... Os animais sabiam o que acontecia ali: o humano passara por ali, assassinara por ali. O humano destruíra por ali. O cervo não morrera ainda. E não tinha a quem recorrer também.

Então, o cervo suplicou aos céus. Uma lágrima prateada rolou por seu focinho dourado. Sua pata direita jazia inerte perto de pequenas margaridas amarelas que brotavam do solo. A força das correntes era demais para seu corpo franzino, pois sempre fora franzino, o mais pequenino da família de cervos do norte da colina.

O cervo fechou os olhos.

E, então, um clarão surgiu repentinamente. Eram mil estrelas que pipocavam aqui e ali, cegando a visão do cervo que já aceitava a qualquer coisa que pudesse lhe ajudar. Da nuvem de poeira cósmica que surgia a sua frente, saiu uma bela moça de negras tranças grossas e pele avermelhada. Ela tinha um sorriso acolhedor como o da sua mamãe. Ela o ajudaria, certo?

A moça o ajudou. Primeiro, ela franziu o nariz para a corrente que o agrilhoava. Decerto ela também não gostava do cheiro que de lá emanava. Ela tinha um machadinho em mãos e muitos panos limpos em sua cesta de vime. Depois de algumas horas - ou dias para o pobre cervo - ela conseguiu finalmente livrá-lo de seu algoz. O seu instinto dizia para ele fugir, mas no seu coração, o cervo sabia que a humana que via a sua frente tinha um cheiro diferente. Ele esperou.

Ela, então, cobriu sua ferida com ervas frescas e enrolou sua pata com os panos da cesta. Ela afagava seus pêlos enquanto fazia todo esse processo mágico. Ao final, ela mostrou seus dentes brancos para ele: o cervo lembrou-se de que os humanos chamavam aquilo de "sorriso".

"Estás livre, criatura da Floresta. Seja corajoso e lembre-se de sua amiga em seu gentil coração".

O cervo sabia que poderia ir embora agora. Ele estava livre.

Olhou mais uma vez para trás, porém, antes. A humana estava se dissolvendo em folhas secas em um redemoinho de luz.

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Bonjour, meu nome é Bruna. Sou uma ratinha de biblioteca, adoro fotografar a natureza, andar por ruas desconhecidas e escrever tudo o que me vem a cabeça. Obrigada por visitar o meu jardim. Abra seus olhos e amplie sua imaginação. Talvez você precise bastante por aqui.

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